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Não concebo que uma equipa com a grandeza do FCP baseie o seu modelo de jogo nas transições rápidas. Nem acho que JF limite a estrutura táctica do FCP a uma mera situação conjuntural do jogo.

Parece-me que qualquer táctica prevê um conjunto de acções que favoreçam situações de vantagem para delas tirar o máximo de proveito. As transições rápidas - o contra ataque – é uma dessas expressões. Que a equipa as saiba provocar é absolutamente essencial. Nada contra isso, portanto.

 

Mas a organização de jogo do FCP não pode estar refém do modelo, porque aos adversários não é assim tão difícil contrariar um sistema que se rotina excessivamente. Defender é muito mais fácil e um autocarro em frente da baliza é sempre complicado para ultrapassar. O FCP aparece frequentemente apático, com baixa intensidade de jogo e raramente cumpre os 90 minutos ao nível exigido a um campeão.

alt E parece que ou o FCP corre pouco ou então corre mal. No último jogo com o Belenenses pude verificar uma situação insólita e ridícula : Farías a correr de um lado para o outro a tentar pressionar a defensiva adversária de forma absolutamente isolada. Nenhum colega o acompanhou, nem a equipa foi capaz de subir e de encurtar o espaço entre linhas. O que é isto ? Para que serve ? Como ganhar bolas se não se consegue colocar qualquer problema ao adversário, que se fortalece à medida que o tempo passa, mesmo que seja muito fraco.

Também no jogo com o Belenenses acompanhei a movimentação de Beluschi e não percebo como se pode ter posto a jogar alguém que me pareceu fisicamente tão em baixo. Quase sempre colado ao Fernando, não foi capaz de subir e criar desequilíbrios e muito menos de pressionar. Foi uma jogador a menos. Já basta o Fernando que é um excelente tampão, mas ainda falha muitos passes e raramente se aventura para além do meio campo.

Como exemplo de desperdício, de mau aproveitamento ou de dificuldade de integração, destacaria a escolha de Prediger que contra o Sertanense jogou devagar, devagarinho e parado e não saiu do seu meio campo. Não falhou passes, mas foram sempre curtos e laterais. Será que este jovem só é capaz de cumprir este tipo de tarefas ? Foi táctico ? Para que serve um alttal reforço ? É este o perfil de jogador que procuramos para o meio campo ? Custou 3,5m€, não deveria ser um pouco melhor ou estamos apenas a treiná-lo para regressar à Argentina na condição de emprestado como Bollati ?

 

Nesse jogo, gostei bem mais do miúdo dos juniores que jogou no meio campo. Bons pés, boa movimentação, atrevido e com visão de jogo. Um jogo é pouco para tirar conclusões, mas é tempo de ser arrojado e dar aos miúdos oportunidades, nomeadamente quando os ditos consagrados criam pouco e correm menos.

Quando comecei a ver futebol, as equipas jogavam num 3X2X5, todos ao ataque e fé em Deus. Os ingleses trataram de introduzir o WM como via para um maior equilíbrio entre as acções ofensivas e defensivas, com o clássico 3-4-3 ou mais especificamente o 3-2-2-3, porque mantinha três jogaltadores na defesa, três no ataque, com quatro homens no meio campo (dois auxiliando a defesa; dois, o ataque. O 4x4x2 chegou a Portugal com Otto Glória e Yustrich. Em Itália o Herrera consolidou o catennacio, um 5X4X1 com um libero para apagar os fogos. A Laranja Mecânica da selecção holandesa revolucionou o futebol com o seu “carrossel” onde os jogadores não guardavam posições e faziam passar a bola de pé em pé até chegar ao golo. O 4x3x3, o 4x4x2, o 4x2x3x1, os 3x3x4 ou 3x4x3 do nosso Adriaanse, são alguns dos modelos tácticos que evoluíram dos que estiveram na moda no passado e lhes serviram como fonte de inspiração. Hoje, são o 4x3x3, o 4x4x2 (que inclui a sua versão de 4x4x2 losango) os modelos preferidos. Iremos continuar a evoluir na continuidade. Não prevejo revoluções, nem mesmo grandes novidades.

No futebol não há muitos segredos e a evolução incide mais na metodologia de treino, na gestão do esforço , na recuperação da fadiga e na sofisticação dos processos para melhorar a componente física. Contudo, há uma certa tendência de ver na táctica e na mão do treinador todas as soluções. Não estão ! JF é sério, competente, rigoroso, profissional e inteligente. Falta-lhe, provavelmente, o "instinto matador" e sentir o grau de reconhecimento que dá confiança e auto-estima, que um líder passa e partilha com os comandados.
alt Reconheço que é frequente o FCP exibir-se bastante mal e perante adversários teoricamente muito mais fracos. Os últimos jogos no Dragão foram muito mauzinhos. Só resiste à sonolência e insiste em estar presente no Dragão quem o faz com espírito de missão, por ser postista.

Em defesa de JF diria que o FCP tem um plantel curto neste momento, para um a prestação equilibrada nas diversas frentes. Poucos avançados e muitos lesionados trouxeram problemas acrescidos ao treinador. Há muita acomodação na equipa do FCP. De qualquer forma, considero que o ciclo JF se esgotou, porque provavelmente se esgotou o aval da direcção, a disciplina dos subordinados e a paciência dos sócios.

 

Fonte: Reflexão Portista

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