Hoje, em dia cinzento e triste, nada parecia animar o meu despertar. Cabisbaixo, sonolento e ainda em modo "snooze", executei metodicamente as minhas tarefas matinais, saí de casa e passei pelo meu quiosque, distraído, absorto e distante. Apesar da improbabilidade da minha atenção de resgatada para o escaparate da banca, algo mais forte me conduziu o olhar para a capa da Bola. Talvez uma força divina me tenha impulsionado a concentrar o meu olhar em Rui Costa, esse adepto fervoroso do Cristianismo, da divindade de Jesus, da esfera da crença. A capa, da qual saltava o título "Rui Costa gosta cada vez mais de Jesus" era uma refrescante aparição na tónica geralmente disparatada e sem sentido, aplicada às capas dos jornais desportivos, quase sempre afundadas ou embrulhadas em futilidades próximas da cor de cabelo da Carolina Patrocínio.
Olhando melhor, e agora acordado e em choque, "Rui Costa gosta cada vez mais de Jesus", mas da versão do Benfica. Defraudado pelo aproveitamento quase pecaminoso do estímulo psicológico da palavra Jesus, o que me parecia uma confissão quase tocada pela sacralidade, transforma-se assim numa constatação fútil, transformada em capa de jornal qual milagre da amplificação do banal. De repente, ainda atordoado nesta capa meia Dan Brown (não pela qualidade da intriga mas pela magia de se transformar o nada em Santo Graal), lembrei-me: O FCPorto joga hoje para Champions! Curioso .... Ou será apenas uma visão que apenas eu tenho?
AC