
Gomes Amaro foi um dos relatadores mais famosos das décadas de 70 e 80, natural de Celorico da Beira, aos 3 anos foi para o Brasil, que onde herdou aquele sotaque com que encantou a geração dessas décadas, que ao Domingo à tarde passavam a ouvir os seus relatos. Sempre acompanhou o F.C.Porto e a selecção portuguesa, relatou durante muitos anos em várias estações de Rádio como a Rádio Porto, Rádio Press e terminou a carreira na Rádio Festival, sempre para o Quadrante Norte, empresa responsável pelo programa.
A sua voz era a voz dos deuses: quando o Porto clube deu o seu grito de Ipiranga, este homem de sotaque brasileiro era a voz da independência face aos radialistas lisboetas. "E que gooolllll"
Era eu menino, e ainda era o futebol aos domingos à tarde, sem transmissões televisivas, quando eu ouvia o Quadrante Norte num pequeno rádio sharp juntamente com meu pai.
Mesmo quando o Porto por vezes não estava a jogar tão bem, ouvir um relato do Gomes Amaro, e a sua peculiar maneira de relatar, parecia que cheirava sempre a golo do nosso Porto.
Quem não se recorda de expressões como:
"Cáááátáááá Firme… Mlynarczik!"
"Lá vai Paulo Futre… camisa 10... pega na direita, bota na canhota... passa por um... dois... três... requetou... fuzilou... e é GOOOLL! E quiiii Goool!"
"Lá está ela… no Fundinho do Barbante!"
"Está lá dentro Tibi… e agora... não adianta chorar!"
E as melodias que acompanhavam os golos?
“Que bonito é,
As bandeiras tremulando,
A torcida delirando,
Vendo a rede balançar”
“É gol!
Que felicidade!
É gol!
O meu time é alegria da cidade!”