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Por Tiago Mesquita in jornal expresso
"O Benfica acabou de se sagrar campeão nacional de futebol. O Papa Bento XVI está de pantufas e ceroulas emaladas e pronto para aterrar em Portugal com Fátima como destino principal. O nosso Fado segundo muitos está traçado: Bancarrota! But ... Who cares?
Metade do país vai estar toda a semana a festejar o título. A outra metade não vai querer ler jornais e muito menos ver noticiários porque não quer assistir à festa do mesmo título, pelo que estará alheada de todo e qualquer acontecimento digno de notícia. Eu próprio acabei de ver um senhor gritar a plenos pulmões na SIC Noticias com uma boca que provavelmente já não via um dentista desde que o Benfica ganhou o último campeonato. Parecia parte das grutas de Mira de Aire. Basta.
Grande parte destas duas metades vai andar a correr atrás do Papamóvel a abanar o lenço branco ou a aproveitar a tolerância com que o governo agraciou os funcionários públicos para ir laurear a pevide até à praia ou ao Centro comercial.
Já a outra vai estar a festejar a Queima das Fitas em diversos pontos do país e mais do que provavelmente alcoolizada. Ou com uma ressaca tal que dificilmente irá perceber porque acordou nua num galinheiro com uma Catatua colombiana pendurada no ombro quanto mais lembrar-se de que a economia do país entrou em colapso.
Ou seja, esta será, pelo menos para este Governo se é que isto se pode dizer, a semana ideal para o país entrar na bancarrota sem grandes dramas ou alaridos. Venha ela"
Anos de 1933 a 1974, Século XX, Portugal, estado fascista.O Regime Fascista utilizava as vitórias e conquistas dos clubes de Lisboa e, especialmente, do Benfica para enaltecer a sua grandeza e usar o futebol como um meio de “entretenimento” e um escape à fome e a miséria que trouxe o fascismo.
Não é por acaso que o Benfica é conhecido por “encarnados”. O vermelho sempre esteve associado ao comunismo, que, por sua vez, era antagónico ao fascismo. Logo, o Benfica não podia ser referenciado como os “vermelhos”, jamais! Por isso os benfiquistas são “encarnados”.
É bem conhecido o Caso Calabote. O árbitro Inocêncio Calabote na tarde de 22 de Março de 1959, na célebre arbitragem do Benfica - Cuf (7-1) da última jornada do campeonato de 1958/59 (ganho pelo FC Porto), prolongou o jogo por 15 minutos, à espera de um golo que daria o título ao Benfica.
Os jogadores do FC Porto desesperavam sentados no relvado do Torreense, à espera que terminasse o jogo para celebrarem o título. Numa entrevista que deu sobre o caso, o "inocente" Calabote afirmou: «Na manhã seguinte, em Évora, preenchi o relatório do jogo, que mandei para a Comissão. Tinha assinalado três penaltis e expulsado três jogadores da CUF. Creio que não houve mais nada de especial a registar. (...). Além disto o guarda-redes da CUF, numa misteriosa tarde infeliz sofreu 7 golos.
O Porto conquistou o campeonato por ter mais golos marcados.
O FC Porto, e a cidade do Porto, eram o foco de resistência, o símbolo do contra-poder, o baluarte do Norte.
O FC Porto era o único clube que conseguia, enfrentar os clubes de Lisboa. Por essa razão, afirmava o mítico José Maria Pedroto que um “título do FC Porto valia por dois ou mais do que o de um clube de Lisboa, uma vez que não se competia em igualdade de circunstâncias”.
Com o fim do fascismo, em 25 de Abril de 1974, foi restabelecida a democracia e, mais ainda, com a chegada de Jorge Nuno Pinto da Costa a presidente do Futebol Clube do Porto em 1982, o futebol português também teve a sua revolução de Abril. Passando assim as conquistas futebolísticas também a caber a clubes como o Fc Porto e Boavista.
Há uns tempos a RTPN decidiu realizar um programa do “Trio da Ataque” na estação ferroviária do Maputo em Moçambique. Este programa era para recordar e homenagear algumas glórias do Futebol Moçambicano que fizeram carreira em Portugal, e no Benfica em particular, tais como Eusébio e Mário Coluna.
Eusébio e Coluna foram importantes nos sucessos e êxitos do Benfica na década de 60/70 e da Selecção Nacional, nomeadamente o 3º lugar alcançado por Portugal no Mundial 66.
No referido programa esteve Mário Coluna e o jornalista Hugo Gilberto na entrevista trouxe ao lume a passagem de Coluna pelo Benfica. Mário Coluna era um jogador muito respeitado no seu tempo, era o capitão, e até os seus colegas do Benfica e da selecção não o tratavam por “tu”, mas sim por Senhor Coluna, como já referiu muitas vezes Eusébio.
Foi nesta entrevista que Coluna confirmou e reforçou orgulhosamente que o Benfica, tinha o respeito do regime de Salazar. Para bom entendedor meia palavra basta, era o clube do regime. Se alguma duvida ainda houvesse, Mário Coluna, desfez essa dúvida. Com muito orgulho, Coluna confidenciou que foi convidado pessoalmente por Salazar para cortar a fita de inauguração da Ponte Salazar (agora 25 de Abril) em 1966, uma das obras mais proeminentes do Estado Novo, pois tratava-se à data da 5ª maior ponte suspensa do mundo. Estiveram igualmente presentes na inauguração os três grandes pilares do regime: Américo Tomas, António Salazar e o Cardeal Manuel Cerejeira. Esta entrevista de Coluna é uma confirmação para todos nós, que o Benfica era o Clube do Regime o que lhe permitiu durante décadas consolidar a sua supremacia no Futebol Português.
Entre 1933 e 1974 o Benfica conquistou à custa do apoio do regime, que inclusive até jogadores desviava, tais como Eusébio, desviado do Sporting, jogadores do FC Porto que se evidenciavam eram logo desviados para os mouros, e treinadores como Béla Guttmann que foi campeão em 1959 no Porto, e que foi desviado também, e que deu ao Benfica as duas únicas taças dos campeões europeus que possuem. Bela Guttmann foi recebido por Américo Tomás (Presidente da República) e Oliveira Salazar (presidente do Conselho de Ministros) e feito comendador, tal como os jogadores do Benfica. Quando foi despedido do Benfica, Béla Guttmann disse que "Nem daqui a cem anos uma equipa portuguesa será bicampeã europeia e o Benfica sem mim jamais ganhará uma Taça dos Campeões". Esta é uma maldição que muitos benfiquistas já tentaram quebrar com idas ao bruxo e visitas ao jazigo do famoso treinador. Reza a história que bem perto do cemitério judeu onde Guttmann está sepultado. Na véspera da final com o Milan (1-0, por Rijkaard), Eusébio foi ao túmulo rezar pelo técnico e pedir aos deuses que desfizessem a maldição. Em vão.
Quanto ao Porto a maldição não pegou, pois só os fortes resistem, os fracos desistem. Fomos 2 vezes campeões europeus.
Durante o Estado Novo os mouros obtiveram a maioria absoluta do seu palmarés.
Conquistaram 1 Campeonato de Portugal em 1934/35, e 20 Campeonatos Portugueses em 1935/36, 1936/37, 1937/38, 1941/42, 1942/43, 1944/45, 1949/50, 1954/55, 1956/57, 1959/60, 1960/61, 1962/63, 1963/64, 1964/65, 1966/67, 1967/68, 1968/69, 1970/71, 1971/72 e 1972/73, além das inúmeras taças de Portugal.
Com a chancela da Beltrão Livreiros um extraordinário trabalho de investigação de António da Luz que é mais um contributo para a biografia autêntica de Salazar.
Tudo se desvenda ao longo de mais de 300 páginas interessantíssimas: a discrição como Salazar guardou durante quase 50 anos a sua adesão ao SLB. As suas paixões futebolísticas descritas de forma pormenorizada, os episódios íntimos de fanatismo e determinação em perseguir todos os inimigos do Glorioso e num só capítulo toda a verdade sobre a transferência de Eusébio do Sporting de Lourenço Marques para o Sport Lisboa e Benfica com a protecção da PIDE conforme é comprovado pelos documentos nunca descobertos e revelados até hoje que fazem parte do arquivo da PIDE/DGS e do arquivo Salazar bem como toda a história detalhada como Eusébio foi impedido de se transferir para Itália por Salazar e pela Pide.
PVP - 20€. Desconto para sócios do Benfica - 15%
Ano 2010, século XXI, Portugal, estado laico e democrático?!?
FUTEBOL
Sócrates dixit:
"Vou torcer, vocês sabem que vou torcer. Vou torcer pelo Benfica, claro. Espero que o Benfica ganhe porque sou do Benfica, claro está", afirmou Sócrates, "Todos sabem a minha preferência. Enfim, acho que ninguém do Porto me levará a mal se disser que este ano espero que seja o ano do Benfica. Acho que seria justo que assim fosse, há tantos anos que não é o ano do Benfica. Mas, enfim, esta é a opinião de um benfiquista".
FÁTIMA
Sócrates dixit:
"Transmiti ao Papa o que parece ser o sentimento nacional de que os portugueses gostariam de ver este Papa muito brevemente em Portugal",
"O anterior Papa visitou-nos várias vezes e com certeza esse espírito de ligação a Fátima e a Portugal haverá também neste Papa".
FADO
O nosso fado (destino) está traçado … défice, bancarrota ... e aperta o cinto... Zé Povo!
Pois é Futebol, Fátima e Fado são novamente utilizados por um governo para entreter o povo, e fazer esquecer a vergonha que é o nosso país, que de laico e democrático pouco ou nada tem.
Estaremos a voltar ao tempo do outro senhor?
Entretido que está o povo com a vinda do Papa e com a vitória do fifica ... o Governo prepara-se e lança o pacote de medidas de austeridade!