CRÓNICA
Portugal está apurado para o Mundial 2010. Não foi um caminho fácil de percorrer, bem longe disso. Os portugueses tiveram inúmeros obstáculos, caíram, passaram por momentos complicados mas a esperança, defendeu que as contas só se poderão fazer no final. Talvez fosse o único a pensar assim. A África do Sul chegou a ser uma miragem. O apuramento foi sofrido mas sempre num plano ascendente que permitiu chegar ao playoff. A Bósnia era o último obstáculo. Missão cumprida, com dificuldade mas também com justiça. O equipamento está sujo das quedas. O sucesso chegou.
Ambiente louco, louco, louco. Um público frenético, com toda a confiança do planeta, convicto para empurrar a sua nação rumo à glória. Um verdadeiro inferno. Portugal já sabia o que o esperava, a recepcção fora um exemplo e importava que os jogadores não acusassem a pressão. Carlos Queiroz manteve o esquema e a equipa que venceu o jogo da primeira mão. Apenas com uma excepção: Deco ressentiu-se de uma lesão e ficou no banco. Sem Ronaldo, logo à partida, Portugal ficou também sem o seu jogador mais criativo. Do outro lado, a aposta era bem declarada: futebol directo para Dzeko e Ibisevic. A Bósnia assumiu, desde o primeiro minuto, a iniciativa do jogo mas bem longe do sufoco prometido. Tinha maior tempo de posse de bola, sim, até porque havia um resultado negativo para inverter, mas nunca sendo intimidatório.
Se a aposta declarada dos bósnios no jogo aéreo não tinha o resultado esperado - por boa acção de Pepe e os dois centrais, Bruno Alves e Ricardo Carvalho - também o futebol português estava demasiado desorganizado e conseguir ligação. Enfim, um jogo com pouca velocidade e quase sem lances de perigo para qualquer uma das balizas. Um futebol bem mais conveniente para Portugal, que mantinha a bola afastada da área. O minuto vinte e cinco poderia ter sido um ponto final nas dúvidas, uma espécie de carimbo no passaporte para África do Sul: Raul Meireles teve uma oportunidade de ouro para marcar mas Hasagic agigantou-se. Nada mudou, após isso. A Bósnia manteve-se com mais iniciativa, jogando essencialmente pela direita do seu ataque, mas sem nunca deixar os portugueses com reais motivos de preocupação. Apenas alguns sustos. A primeira parte foi assim, com pouco interesse.
TODOS JUNTOS RUMO À ÁFRICA DO SUL