« Página Anterior  |  resultados 21-30 de 109  |  Página Seguinte »
Categoria: Desporto

Texto original no blogue FUTEBOLÊS

 

Nove pontos de atraso para o primeiro lugar, oito para o segundo. Vinte e sete em disputa no total até ao fim do campeonato. O FC Porto, inabituado a ter de fazer contas para ultrapassar os rivais há quatro temporadas consecutivas, dominador da última vintena e meia de anos, está numa posição delicada. Há vinte e um anos que não se encontrava tão atrasado para o topo. Por aí se vê a época atípica que os portistas têm tido. A regularidade e eficácia das últimas épocas, que lhes permitiu saírem por cima nos momentos fundamentais, parece perdida. Essa é uma das razões mais claras da quebra do FC Porto, orfão de um pensador, um jogador de fino recorte que comande a equipa e seja capaz de ser decisivo a qualquer momento. Um criador. Esse papel pertence, agora, a Rúben Micael. Apenas recém-chegado.

Época após época, Jesualdo Ferreira tem sido obrigado a reconsrtruir o plantel. E, imperativamente, fazê-lo ganhar o campeonato, lutar pelas outras provas internas e ter uma boa presença na Liga dos Campeões. Sem excepção, é esse o panorama azul. Em consequência disso, os inícios de temporada costumam ser feitos a meio-gás, ainda sem muita eficiência, mas, à medida que os maquinismos vão sendo interiorizados e os novos jogadores se integram na manobra colectiva, o FC Porto inicia a sua cavalgada rumo ao título. Em momentos de aperto, onde é mais importante o controlo emocional do que o futebol evidenciado, os dragões costumavam ser imperiais. Tinham capacidade para ultrapassar as adversidades e usá-las para unir o seu plantel em torno de um propósito: ganhar.

Não sendo propriamente brilhante, o FC Porto foi tetracampeão com todo o mérito. É melhor, reconhecidamente. Esta temporada, contudo, tem havido demasiada irregularidade. Não que, comparativamente com o ano anterior, tenha uma larga diferença pontual. Pelo contrário, são apenas dois pontos. No entanto, faltam a esta equipa o traquejo e a serenidade que valiam vitórias, deixavam os rivais para trás e, no final, faziam toda a diferença. Desta feita, não tem sido assim: nos dois duelos em casa dos grandes, na Luz e em Alvalade, a equipa perdeu a identidade, foi uma sombra de si própria, acusou a pressão de poder encurtar distâncias para o topo e, até, de ter algum favoritismo para a vitória. Perdeu ambos, sem contestação, sem que tenha colocado em causa o triunfo adversário. Foram os piores momentos do dragão.

Há, no FC Porto, uma irregularidade exibicional que dificilmente se explica. A mesma equipa que tão mal esteve nos clássicos em Lisboa, venceu com categoria o Atlético, no Vicente Calderón, e foi avassaladora perante o Sp.Braga, lutando para ser primeiro classificado de forma isolada, na semana que antecedeu a visita desastrosa ao Sporting. A ideia mais visível que fica é que o FC Porto, mesmo acertando com Falcao, Varela e Álvaro Pereria, não conseguiu encontrar um jogador com características semelhantes - nunca se pediria uma cópia - às de Lucho González. A princípio, seria Belluschi, mas o médio argentino, apesar de se ter evidenciado por vezes, tem a tendência para se esconder do jogo. Não o assume. O maestro dos portistas tem sido, desde que foi chegou na reabertura do mercado, Rúben Micael. E a equipa melhorou.

Acresce, ainda, que Raúl Meireles tem tido uma época cinzenta, pouco assertiva, com várias intermitências. Sem jogadores ao seu melhor nível no meio-campo, o FC Porto perde toda a sua capacidade de construção, não fazendo chegar a bola ao ataque, demonstrando dificuldades para lidar com adversários que joguem fechados sobre a sua defesa ou, como aconteceu nos clássicos, tenha superioridade numérica nessa zona cirúrgica. Os portistas têm feito campeonatos sempre em crescendo, acabando invariavelmente por cima, não estão habituados a ter de recuperar terreno. Essa é mais uma novidade. Fundamental: nos últimos quatro anos, nunca o FC Porto teve uma concorrência tão forte, que o obrigue a jogar nos píncaros, sem ceder qualquer espaço. Esta época, contudo, há Benfica e Sp.Braga.

Voltemos ao início: há vinte e sete pontos em disputa, o FC Porto tem nove de atraso para o Benfica. Ainda há possibilidades, sim, mas é improvável que os portistas consigam chegar ao pentacampeonato, pois terão, obrigatoriamente, de vencer todos os seus jogos e esperar que os encarnados escorreguem, pelo menos, três vezes. Convenhamos: mesmo recebendo Sporting, Sp.Braga e, na penúltima jornada, jogando no Dragão, a equipa benfiquista não tem mostrado sinais de quebra ou de poder a entrar num ciclo de resultados negativos, que, nesta temporada, têm escasseado. Para além do Benfica, há ainda a distância de oito pontos para o Sp.Braga. E para a pré-eliminatória da Liga dos Campoeões - presença contínua desde 2003. Aos portistas resta acreditar. Jogo a jogo, com um olho no campo adversário.

Categoria: Desporto

O REGRESSO DO SENHOR LEÃO

Senhor leão, por favor. O Sporting temerário, errático e desnorteado ficou para trás. O momento, agora, é outro. A partida com o Everton já o anunciara, o clássico com o FC Porto confirmou: os leões jogam como ainda ninguém vira nesta temporada. Pode custar a crer, é verdade que sim, mas a vitória sobre os dragões não deixa dúvidas: consistência, entreajuda, redução de espaços, golos em momentos marcantes. Três tiros num dragão impotente, uma equipa que nunca se conseguiu encontrar, mergulhada num mar de indecisões e de más opções. O título é, agora, uma possibilidade cada vez mais remota. É a razão que o diz. Mantém-se a crença de que ainda há hipótese. Os papéis do jogo não estarão trocados? Não, claro que não. Acreditem!

Um clássico entre dois gigantes fora do seu sítio. Chegados a esta fase da época, com dez jogos pela frente, FC Porto e Sporting costumam ocupar os primeiros lugares do campeonato. Nas últimas épocas tem sido assim, sempre. Desta vez, contudo, é diferente: o FC Porto não chega com a via aberta para ser campeão, o Sporting está afundado numa temporada de pesadelo. Vida ou morte. É assim, sem meios termos ou contemplações, que os dragões, em terceiro, procurando manter as distâncias para Benfica e Sp.Braga, na esperança de continuar na perseguição e obrigar os rivais directos a um tropeção, encaram o clássico. Um deslize ser-lhes-á fatal. E o Sporting? Para que conta, então, este jogo? Sobretudo para a honra da equipa: é necessário recuperar o quarto lugar. Esse é o objectivo actual dos leões.

Está nos livros, em qualquer um deles onde o assunto seja futebol, que marcar cedo é meio caminho andado para se ser bem sucedido. A equipa tranquiliza-se, ganha confiança para enfrentar o jogo, passa a pressão para o lado do adversário. E precisa de estar preparado para a reacção, para que não tenha sido um esforço em vão, só interessa se o golo puder ser rentabilizado. O Sporting fez tudo isso: entrou em força, pressionante, marcou cedo, assumiu o controlo do jogo e preparou-se para qualquer eventualidade. Pode-se dizer, resumindo tudo isso, que deu continuação à exibição perfeita ante o Everton. Já se sabia que ganhara confiança com esse triunfo europeu, o golo de Yannick, aos seis minutos, confirmou que este Sporting sofreu uma alteração profunda. Não se explica, são coisas do futebol.

ELES ESTÃO EM QUINTO?

Alguém que tivesse caído agora no futebol português e estivesse atento ao jogo de Alvalade, diria que morava ali uma equipa de grande potencial. Aquele Sporting não poderia, em momento algum, ser um quinto classificado: os leões instalaram-se no relvado, superiorizaram-se no meio-campo, impediram que os portistas, com Rúben Micael e Raúl Meireles, tivessem bola no pé. Tiveram, logo a seguir ao golo, uma nova oportunidade para marcar: Liedson entrou na área, rematou forte, Helton negou-lhe a vontade. O FC Porto ainda não se encontrara, estava perdido no domínio do Sporting. Ninguém se lembrou do leãozinho frágil e desorientado que esteve sete jogos sem vencer. O jogo com o Everton foi a pedra de toque, agora estava ali um leão forte, confiante e bem centrado no objectivo de ganhar.

À medida que Varela foi ganhando espaço, os portistas conseguiram equilibrar o jogo. Passaram a ter mais bola, rondaram a área de Rui Patrício e criaram algum perigo para a defesa leonina. Não foi, porém, uma resposta incisiva, incessante pelo golo, uma vez que nunca os dragões conseguiram criar uma oportunidade de golo iminente. O intervalo aproximava-se, Jesualdo Ferreira teria de mudar algo, a equipa necessitava de se tornar mais agressiva e ganhar ofensividade. O Sporting não deixou, agiu antes que o FC Porto apostasse qualquer coisa, fez um segundo golo, por Izmailov, antes do descanso. Os leões juntaram à consistência e união do seu futebol, uma matreirice das grandes equipas, um atributo desaparecido, foram mortais nos momentos-chave. Tão diferentes que eles estão.

PERFEIÇÃO QUE MATOU O DRAGÃO

Sem perceber muito bem como, o FC Porto deixou a primeira parte com dois golos de atraso. Um sofrido no início, outro no final. Por entre um apagão generalizado, numa equipa incapaz de dominar a força revoltosa do leão, descaracterizada e impotente, faltou também felicidade na forma como foram consentidos os golos. Mas não se ficou por aqui. O intervalo foi uma pausa, serviu para o Sporting recuperar o fôlego, para voltar com toda a energia. Era a hora de desferir o golpe final no adversário. Foram precisos dois minutos, somente: Izmailov rematou ao poste, a defesa azul foi passiva, Miguel Veloso encheu-se de fé e acertou bem no coração do dragão. Três-zero, reacção do FC Porto deitada por terra, mérito total do Sporting. Não tinha sido isso que acontecera, com os papéis invertidos, no jogo do Dragão?

Recapitulemos, então, para que não fiquem dúvidas: o Sporting marcou um golo no início do jogo, outro antes do intervalo, fez o terceiro nos momentos iniciais da segunda parte. Pode-se dizer que atirou as responsabilidades para o lado do FC Porto, impediu uma reacção forte para alcançar o empate rapidamente nos segundos quarenta e cinco minutos e, por fim, acabou com o jogo numa altura em que Jesualdo Ferreira já trocara Raúl Meireles por Belluschi com o intuito de aumentar a capacidade de criar futebol ofensivo na sua equipa. A exibição leonina foi perfeita, abrilhantada por um portentoso jogo de Yannick, um prolongamento à altura do exibido na quinta-feira, uma mostra de que o futebol não tem lógica que resista. O campeão tombou, sem forças, entre erros em catadupa, tudo lhe saiu mal. Terá sido o fim?

Categoria: Desporto

ENTREVISTA DOS LEITORES A PEDRO SOUSA

 

 

Quando o assunto é o jornalismo desportivo, particularmente em termos radiofónicos, Pedro Sousa é um dos nomes que mais facilmente associamos: sobretudo pelos seus relatos na Rádio Renascença, onde também edita o programa Bola Branca. Além disso, também pelas narrações de partidas de futebol internacional na Sport TV e ainda por ser a voz dos comentários do novo Pro Evolution Soccer, um dos mais famosos simuladores de futebol. Nove leitores do FUTEBOLÊS aproveitaram a oportunidade para entrevistar um dos mais conceituados jornalistas português.

DUAS DÉCADAS ATRÁS DOS MICROFONES
PATRÍCIA RODRIGUES: Qual foi, ao longo de todos estes anos como jornalista, o momento que mais o marcou?
PEDRO SOUSA: Há vários, mas escolho os jogos Portugal-Inglaterra de 2000, 2004 e 2006. Pela emoção, carga dramática e bom futebol. Foi puro entretenimento e um "gozo" brutal poder relatar esses jogos.

JORGE COSTA: Alguma vez se sentiu desiludido com a sua profissão? Ou, pelo contrário, pensa que fez a escolha certa?
PEDRO SOUSA: Dúvidas todos temos em certos momentos das nossas vidas. Devemos questionar-nos sempre, mas costumo dizer que faço o que gosto e ainda me pagam por cima.

DIOGO SOUSA: Tem a noção de que muito do público que a Rádio Renascença tem neste momento (quer na audiência de Bola Branca, quer nos relatos) se deve a si?
PEDRO SOUSA: A Rádio e particularmente a informação desportiva na Rádio Renascença, na Bola Branca e nos relatos, é o resultado de um trabalho de equipa, porque, tal como numa equipa de futebol, ninguém ganha jogos sozinho e, muitos menos, mal acompanhado.

RICARDO SILVA: Qual foi o jogo "mais triste" que relatou?
PEDRO SOUSA: Consigo abstrair-me com grande facilidade dessa componente, embora reconheça que no final do jogo Portugal-Grécia de 2004, tenha dado comigo a pensar como foi possível ter desperdiçado aquela oportunidade, que, provavelmente, não surgirá tão cedo outra vez.

RICARDO SILVA: Qual a situação mais caricata que viveu no relato de um jogo?
PEDRO SOUSA: Um dos primeiros relatos, ou simulacro de relato, foi um Mirense-Torreense, da Segunda Divisão, disputado em Porto de Mós. Fiz o relato encavalitado numa árvore.

RICARDO DIAS: No relato, o relator não pode correr o risco de ferir susceptibilidades. Alguma vez sentiu dificuldades para encontrar os termos adequados para descrever o que via?
PEDRO SOUSA: Muitas vezes isso acontece. E tão mais difícil ainda, porque muitos ouvintes estão a ver pela televisão e a ouvir pela rádio. E também tenho a noção que algumas vezes passei uma linha que eu próprio defini. Quando assim acontece, se por algum motivo feri susceptibilidades, o único caminho é pedir desculpa.

ANTÓNIO SILVA: Existe actualmente algum relator com quem se identifique ou pretenda seguir?
PEDRO SOUSA: Sem falsa modéstia, os melhores estão na Rádio Renascença, na linha de grandes nomes como Ribeiro Cristóvão e Romeu Correia, entre outros.

MUNDOS DIFERENTES: RÁDIO E TELEVISÃO, ONTEM E HOJE

DIOGO SOUSA: Sabendo que a rádio nao tem o destaque que tinha, por exemplo, nas décadas de 60 e 70 (por culpa da "chegada" da televisão) como vê a nova forma de fazer relatos desde aí? Sente que tiveram de adquirir novos "tiques" para captar a atenção do público?
PEDRO SOUSA: Saber viver com a concorrência, seja ela directa ou televisiva, é um dos grandes desafios da rádio. Não sinto que tenhamos adquirido "tiques" ou truques. Na rádio somos os olhos dos ouvintes, pelo que, saber contar e descrever o que estamos a assistir, é uma das grandes diferenças deste meio mágico.

ANTÓNIO SILVA: Quais as principais diferenças que encontra entre o relato radiofónico e a narração televisiva?
PEDRO SOUSA: A principal diferença, não sendo a única, é que na rádio somos os olhos das pessoas, enquanto na televisão o telespectador tem acesso ao mesmo conteúdo. Quero com isto dizer que na televisão devemos ser menos palavrosos e afastar evidências no nosso vocabulário.

PATRÍCIA RODRIGUES: Tem uma forma aberta de relatar, as expressões que habitualmente são instintivas ou é algo trabalhado?
PEDRO SOUSA: Por vezes são instintivas, mas, como é bom de perceber, os melhores improvisos são os que preparamos. Para quem está a começar sugiro que não abuse do instinto, porque pode correr mal.

DIOGO SOUSA: Sente que os relatos futebolísticos estão apenas restritos a homens? Se uma mulher aparecesse neste momento a fazer um relato, como pensa que seria aceite?
PEDRO SOUSA: Não consigo ver as coisas dessa forma. A diferença, para melhor, homem ou mulher, deve estar na competência, independentemente do sexo. Agora, reconheço que até este momento tem sido um meio difícil para as mulheres, mas não tenho dúvidas, que a surgir, seria bem aceite.

(CONTINUA)

D

Categoria: Desporto

A AVALANCHA DA REVOLTA

Cinco golos, uma exibição consistente e a confirmação de que o campeão está na luta. Somos Porto! repetiram os jogadores na véspera da partida. O plantel unira-se, todos juntos para dar a volta às adversidades e mostar a sua revolta pelos castigos aplicados a dois dos seus membros. Afectados no seu brio. Depois do desaire em Matosinhos, o jogo com o Sp.Braga tinha a vitória como único cenário para os portistas. Uma derrota deixaria os dragões com onze pontos de atraso. A resposta foi forte. Avassaladora, até. O FC Porto foi eficaz, goleador, quebrou a esperança do Sp.Braga em deixar a corrida ao título a dois.

Há muito eram esperados, mas a confirmação dos castigos a Hulk e Sapunaru bateram com estrondo nos portistas. O plantel juntou-se, revoltado, mostrou-se mais forte do que nunca e prometeu luta até final, sempre na procura da vitória, sempre fazendo jus ao nome que defendem. Um jogo decisivo, na recepção ao Sp.Braga, para ficarem desfeitas as dúvidas sobre quem parte para o último terço do campeonato na corrida ao título. Ambiente de jogo grande, expectativa elevada, alta voltagem, bracarenses na esperança de recuperarem a liderança ao Benfica, portistas atrás do tempo perdido. Onze dragões feridos no seu orgulho, apoiados por um estádio repleto de esperança e indignação, ingredientes contrários, é certo, mas motivadores para a garra da equipa.

O FC Porto começou com ritmo alto, jogando no território bracarense com posse de bola. Num Sp.Braga mais móvel do que habitual no ataque, sem o goleador Meyong e com três jogadores rápidos e versáteis, Alan, Mossoró e Paulo César, a ideia de Domingos passava por aproveitar os espaços que os portistas fossem dando, imprimindo velocidade nas faixas laterais. Numa primeira incursão, Mossoró, de regresso após castigo, embrulhou-se e caiu na área em luta com Álvaro Pereira. Olegário Benquerença entendeu ser simulação, puniu o bracarense com um cartão amarelo. O lance é muito duvidoso, contudo. Depois, foi a vez de Alan rematar perto do poste da baliza de Helton. Jogados quinze minutos, havia equlíbrio. Era o esperado, aliás.

Os portistas sentiram a sua serenidade em perigo, procuraram retribuir no lado contrário e obrigar a defesa bracarense a trabalho. A resposta foi rápida e letal. Helton bateu o pontapé de baliza, a bola foi para Varela, o extremo correu e cruzou para a entrada da pequena área. A pedir um desvio. Os defesas do Sp.Braga preocuparam-se em guardar Falcao, deixaram espaço livre para a progressão de Raul Meireles, vindo de trás, como uma flecha: fez a segunda parte do serviço, encostou para a baliza de Eduardo. Foi o culminar da libertação da raiva que atormentava os portistas. Seguiu-se uma tentativa de reacção da equipa bracarense. O Sp.Braga conseguiu ter bola, embora sem nunca criar verdadeiro perigo para Helton.

O XEQUE-MATE AOS TRINTA E SEIS MINUTOS

Depois, bem, depois Álvaro Pereira decidiu abrilhantar o jogo, dar-lhe um toque de classe para tranquilizar a equipa. El Palito pegou na bola, a uns bons trinta e cinco metros da baliza, rematou forte e colocado para o segundo golo. Surgido a dez minutos do intervalo, momento certo para desmoralizar os bracarenses e complicar a sua tarefa de mudar o rumo do jogo. Jogada seguinte, novo golo. O terceiro. Se o de Álvaro Pereira teve talento individual, neste sobressaiu a força do colectivo: abertura para Varela, cruzamento largo, golo de Falcao perante Eduardo. O campeão puxou dos galões, encostou o Sp.Braga às cordas. Nunca os bracarenses haviam sofrido tantos golos num só jogo. Domingos baixava a cabeça. O FC Porto transformara-se num vendaval ofensivo.

Com três golos de avanço e com jogos importantes pela frente, os portistas baixaram o ritmo. Tinham o jogo na mão. Para o ganhar bastava gerir. Ao intervalo, Domingos emendou a mão, lançou Meyong, a referência de área, e prescindiu de Hugo Viana. O Sp.Braga que tanto tempo tem estado no topo, sempre na luta, que é um novo candidato a campeão, apagara-se no Dragão. Queria reagir, era tarde. Mossoró voltaria a cair na área, derrubado por Raúl Meireles, Olegário errou ao não marcar falta - nem mostrou amarelo, poupando o médio pela segunda vez. Mas este era o jogo do FC Porto. Mesmo em contenção, chegou ao quarto. Falcao elevou-se a Paulão, cabeceou para dentro da baliza de Eduardo. Olegário Benquerença entrara numa panóplia de erros, seguiu-se uma expulsão perdoada a Rafael Bastos.

A equipa bracarense apenas sofrera oito golos até jogar no Dragão. Frente ao FC Porto perdeu essa sua imagem de marca, ruiu pela base, foi impotente para impedir o engordar natural do resultado. A partir do terceiro golo pouco mais haveria a fazer. Animicamente, a equipa caíra. Por entre olés e o êxtase do público, Belluschi fez o quinto golo. O golpe de misericórdia num Sp.Braga que há muito encolhera os ombros, um novo buraco numa barreira que parecia intransponível. O resultado pesava, o FC Porto iria ganhar, mas ainda havia a honra bracarense em jogo. Já nos descontos, Alan marcou para o Sp.Braga. De nada vale no resultado. Resta esperar pela reacção dos guerreiros que perderam a batalha. Não a guerra.

Categoria: Desporto

COMENTÁRIO

Lukasz Fabianski seria, à partida, o suplente de Almunia. Em vésperas de jogar no Dragão, o guarrda-redes titular lesionou-se e o polaco saltou para ocupar a vaga. Não estaria à espera, contudo, de uma noite tão negra. Para além de não ter sido o escudo que a equipa precisava, apesar de ainda ter feito um par de boas defesas, falhou em dois momentos fundamentais. O FC Porto agradeceu as benesses, cumpriu a sua parte, festejou e ganhou. Depois de onze minutos intensos, ofensivos, com duas ameaças de Rúben Micael e Hulk, uma espécie de D. Sebastião do Porto, pelo meio, os portistas marcaram. Um golo fortuito, a primeira prenda de Fabianski para o Dragão: Varela cruzou largo, demasiado adiantado para os colegas, demasiado fácil para neutralizar e o o guarda-redes lançou-se à bola. Foi atabalhoado, deu golo.

Em desvantagem, mesmo com uma equipa retalhada, o Arsenal conseguiu circular a bola junto da área de Helton, criou oportunidades para um empate que o guarda-redes brasileiro negou, aproveitou um recuo portista. Oito minutos depois de marcar, foi a vez de o FC Porto agradecer o presente de Fabianski. A bola sobrevoou toda a área, ninguém a afastou, chegou a Sol Campbell: sozinho, sem que ninguém ousasse chegar-lhe perto, atirou para a baliza de Helton. Como foi possível deixar aquele gigante isolado a dois metros da linha de golo? O jogo estava equilibrado, o resultado certo, o apito de Martin Hansson foi quebrando o ritmo. O FC Porto concedeu demasiado espaço de acção ao Arsenal, viu os Helton travar um cabeceamento forte de Bendtner. Respondeu Rúben Micael, foi a oportunidade de redenção para Fabianski.

A defesa do guarda-redes do Arsenal, ainda antes do intervalo, serviu para atenuar um pouco a imagem dasastrada que ficara do primeiro golo. Porém, estava escrito que Fabianski haveria de ser o vilão. Cinquenta e um minutos: Falcao é lançado em profundidade, corre com o veterano Campbell, pouca frescura, obriga o central, entre múltiplas hesitações, a atrasar a bola para o seu guarda-redes. Lukasz Fabianski, ingénuo, segura a bola com as mãos. Livre para o FC Porto. Rúben Micael recebe a bola do guarda-redes adversário, coloca-a no chão, dá para Falcao fazer o segundo golo. Olhos postos em Martin Hansson, tudo legal, tudo certo, vantagem azul, ataque de nervos de Arsène Wenger. Daí até final, excepção feita ao último esforço dos gunners, o FC Porto controlou a partida, foi firme e consistente na forma como geriu a partida.

Apesar disso, o resultado não é totalmente satisfatório. Ganhou, é certo, mas sofreu golos. Na Liga dos Campeões, onde as contas finais dependem imenso dos resultados alcançados fora de casa, poderá ser um factor importante. Seja como for, o FC Porto mostrou que tem condições para estar presente nos quartos-de-final da competição. Tudo se decidirá, a 9 de Março, no Emirates Stadium. Aí, por certo, o Arsenal já contará com jogadores importantes como Almunia, Gallas, Arshavin ou Eduardo que, por lesão, falharam a partida no Porto. Para os dragões é imperativo que não concedam tanto espaço ao Arsenal. Está, portanto, tudo em aberto. A primeira batalha ante os gunners foi vencida. Com um contributo de Fabianski.

Categoria: Desporto

A luz ao fundo do túnel, por fim. Foram anunciadas, hoje, as consequências dos incidentes ocorridos no final do Benfica-FC Porto, a 20 de Dezembro: Hulk foi castigado com quatro meses de suspensão, Sapunaru com seis meses e o Benfica multado em mil e quinhentos euros por actuação provocatória dos stewards. Ora, esta acção dos elementos da empresa de segurança contratada pelo clube encarnado foi, nas palavras de Ricardo Costa, presidente da Comissão Disciplinar da Liga, uma atenuante que permitiu reduzir as penas a aplicar aos jogadores do FC Porto - a moldura penal variava entre seis meses e três anos, mas, devido a esta situação, foi reduzida para metade. Conforme adiantou Ricardo Costa, o Benfica é penalizado por não ter sido mantida a ordem no caminho para os balneários.

Com suporte nas provas testemunhais recolhidas, o relatório dos delegados do jogo, da equipa de arbitragem e das forças policiais, ouvidos na fase de instrução do processo, a Comissão Disciplinar aplicou os castigos, dentro da moldura penal, que lhe pareceram justificados pelos indícios recolhidos. Não há, por isso, qualquer discussão relativamente a esse tema: o inquérito foi instaurado, as testemunhas ouvidas, lidos os relatórios e foram tomadas estas decisões penalizadoras. Levanta-se, contudo, um problema: o atraso para serem conhecidas as sanções a aplicar. Segundo um cronograma anexado ao acórdão da Comissão Disciplinar, o processo foi entregue ao seu instrutor no dia 23 de Dezembro. Os castigos conhecidos a 19 de Fevereiro.

Num processo tão importante quanto esta, para o clube, mas, acima de tudo, para os futebolistas profissionais indicados, a decisão tem que ser tomada e conhecida o quanto antes. Suspensos preventivamente até ao final do inquérito, os jogadores ficaram impedidos de dar o seu contributo à equipa - algo previsto nos regulamentos, o maior problema de toda a questão. O tempo passou, a fase de instrução manteve-se, tardaram em ser conhecidas as decisões. Apenas hoje a Comissão Disciplinar as anunciou. Diz Ricardo Costa que se tratou de uma decisão célere. Não foi, obviamente. Dois meses, com doze jogos pelo meio, é demasiado tempo para deliberar castigar quem quer que seja. A justiça desportiva, à semelhança do sucedido após o Sp.Braga-Benfica, foi pouco lesta na sua acção.

O tempo em que esteve suspenso, sem saber o resultado da averiguação disciplinar, corresponde a metade do castigo aplicado a Hulk. É fundamental, a bem da credibilização do futebol, que a justiça seja rápida a agir. Os jogadores, profissionais de futebol, não poderiam ter estado tanto tempo neste impasse. Este caso do túnel é, indiscutivelmente, o expoente máximo de uma época marcada por inúmera polémica. E poderá não estar terminado, já que o FC Porto tem, ainda, a possibilidade de recorrer para o Conselho de Justiça da Federação Portuguesa de Futebol, na esperança de ver mudada a sanção aos seus atletas - sobretudo a Hulk, uma vez que Sapunaru foi emprestado, até final da temporada, ao Rapid de Bucareste.

Categoria: Desporto

ANÁLISE

Jornada de empatas, oportunidade agarrada pelos líderes para se destacarem da concorrência mais próxima: o Benfica mantém o primeiro lugar, um ponto e um jogo a mais, o Sp.Braga mantém o sonho do título intacto, continua a alimentá-lo de pontos, de vitórias e de solidez. A vigésima jornada, a próxima, será escaldante. O Benfica tem o seu jogo com o União de Leiria ganho, jogou-o antecipadamente. As atenções estarão, por isso, complementamente centradas no Dragão, num Sp.Braga e FC Porto de enorme importância. Os bracarenses podem ser líderes isolados, o campeão ficará demasiado longe do título. Ou, por outro lado, o FC Porto poderá recuperar... e deixar o Benfica no trono.


Sem ponta de deslumbramento, vivendo à sombra de um golo precoce à luz do dia, o Benfica venceu o Belenenses. Nem outra coisa seria de esperar, aliás, neste duelo, um derby, de extremos, entre primeiro e último classificados. O golo marcado por Óscar Cardozo, a papel químico do obtido frente ao União de Leiria, num cabeceamento fácil junto à baliza, jogando nas costas da defesa contrária, fez com que o Benfica arrumasse rapidamente a questão e se servisse da eficácia do paraguaio como uma almofada. Acomodou-se à vantagem. O Belenenses deu uma imagem bem positiva, deixou indicações para um futuro melhor, mostrou poder largar o último lugar. Se no futebol há vitórias morais, para a equipa de Toni, esta foi uma.


Portas abertas, enchente nas bancadas, confiança em alta para manter bem acesa a chama bracarense. Acossados pela vitória do Benfica, com um adversário complicado pela frente, o Marítimo, era necessário que os jogadores dessem uma resposta inequívoca. Têm valor, disso já ninguém duvida, mas no futebol é imperativo que a mente acompanhe tudo aquilo que o corpo quer fazer. Não basta dizer que é candidato, precisa de o mostrar no campo. É isso que o Sp.Braga faz. A exibição ante os maritimistas não foi um regalo para a vista, foi capaz para desatar dois nós: Meyong desbloqueou o nulo, um golaço de Djalma fez regressar tudo ao início, Luís Aguiar deu a vitória - num lance antecedido de irregularidade. De raiva.

A vitória, um único caminho para recuperar a rota do título, proibição de errar. Num derby antigo, na casa do Leixões, agora motivado pela chegada de Fernando Castro Santos, sabia-se que os dragões não teriam tarefa facilitada. Como se no relvado se apresentasse um aviso gigante: perigo de queda. Os leixonenses fizeram por se mostrar, não só ao campeão mas também ao novo treinador, aproveitaram uma entrada em falso do FC Porto. À medida que os portistas se tornaram mais incisivos, embora muito perdulários e nada eficientes na finalização, o Leixões endureceu o seu jogo. Conseguiu prolongar o nulo, teve mérito no demérito azul. Sobram, ainda, queixas de Bruno Paixão: não marcou uma grande penalidade sobre Rúben Micael.

Uma equipa grande em queda livre, um Sporting em recaída depois da retoma, de novo em graves problemas, na busca de quebrar um ciclo horrível de quatro derrotas. Uma deslocação tradicionalmente difícil a Paços de Ferreira, frente a uma equipa tranquila e moralizada. Como reagiriam os leões depois de terem deitado tudo a perder? Com uma exibição fraca, sem dinâmica, sem a velocidade que se impunha. O Paços de Ferreira apostou na solidez, pouco fez para chegar à baliza de Rui Patrício. O jogo foi demasiado mau. Teve emoção no final, quando Matías Fernández, por duas vezes, não conseguiu colocar a bola na baliza pacense. Foi tarde. O nulo fica-lhes bem, assenta na perfeição, perante tamanha falta de futebol bem jogado.

Pela segunda jornada consecutiva, o Sporting corria o risco de ser passado pela União de Leiria. Objectivo falhado. Das duas vezes, já que os leirienses empataram com o Vitória de Setúbal - sexto jogo seguido dos sadinos sem perder, quinto empate desde a vitória com o Marítimo. O Rio Ave poderia ter igualado os leões, mas também não o conseguiu - a um, na Madeira, ante o Nacional. Jornada de empates, vai mais um: em Coimbra, a um, entre Académica e Olhanense. E outro, no encerramento da jornada, para começar na Figueira da Foz como começara em Paços de Ferreira: sem golos. Entre Naval e Vitória de Guimarães. Distanciamento do Benfica e do Sp.Braga no topo, mais um ponto a separar o Belenenses da salvação.

 

Categoria: Desporto

HÁ MAR E MAR, HÁ IR E... EMPATAR

 

Ponto prévio: o FC Porto atrasou-se na luta pelo título. No Mar, os dragões patinaram frente a um Leixões, no pós-José Mota e na estreia de Fernando Castro Santos, mudado para bem melhor. Há, portanto, mérito do adversário na forma como iniciou o jogo, como foi prolongando o nulo e, após ter quebrado fisicamente, enervou os portistas e compôs a sua defesa. Não é bonito, é claro que não, nem muito menos é futebol, mas é a estratégia utilizada quando nenhuma outra resta. Aos leixonenses, a precisar de pontos para sair urgentemente dos últimos lugares, este empate sabe a vitória. Ante o campeão, um grande e um rival da cidade que se tem dado bem nestes confrontos. Aos portistas, são nove pontos que separam o Benfica, embora o líder tenha um jogo a mais. Ainda conseguirão escalar para o topo?

O empate do FC Porto ante o Leixões explica-se em vários factores. O primeiro deles é bem claro, prende-se com a acção da equipa azul que entrou mal no jogo, não conseguiu assumir a sua superioridade, voltou a viver velhos problemas na ligação para o ataque e faltou-lhe velocidade e imaginação para romper a defensiva leixonense. Por isso, foi dando espaço para que o Leixões procurasse a sua sorte. Jogo duro, sem espaço a brilhantismos, mais físico do que técnico e, acima de tudo, prático para chegar aos pontos: é esta a filosofia de Castro Santos, no regresso ao futebol português, para colocar os matosinhenses numa posição estável na tabela. O FC Porto, há que dizê-lo, nunca se soube adaptar às condições bélicas impostas. Houve, depois, outro problema nos dragões: a eficácia. Ou a falta dela.

O exemplo mais gritante da displicência que invadiu os portistas nesta visita a Matosinhos foi dado por Silvestre Varela. Ficou com a bola nos pés, isolado e com tudo para marcar, correu em direcção à baliza do Leixões. O extremo poderia ter rematado para a baliza, mas pretendeu contornar o guarda-redes e não teve sucesso. Há mérito na forma como Diego saiu rapidamente da baliza e reduziu o espaço, sem dúvida, mas Varela tinha tudo para fazer melhor. Antes disso, Belluschi acertara em cheio na trave. O FC Porto melhorara. Mas, lá está, faltou a eficácia. Os leixonenses fizeram do seu jogo uma batalha agressiva e disputada, os dragões não tiveram capacidade para derrotar a muralha. O último factor: uma grande penalidade que Bruno Paixão deixou passar em claro. Tudo junto dá um empate amargo.

Categoria: Desporto

TEXTO ORIGINAL

 

Com um ar sobranceiro de desinteresse, sem colocar os melhores nos seus lugares, em pézinhos de lã, o FC Porto está na final da Taça da Liga. Longe de ser brilhante, promovendo rotatividade do plantel, algo que mostra bem que o investimento dos dragões nesta competição é baixo. A lógica dos portistas, relativamente à Taça da Liga, é bem clara: importa ganhar, obviamente, mas se o objectivo for falhado não virá mal nenhum ao mundo por isso, afinal trata-se de uma competição que apenas surge após o campeonato e a Taça de Portugal. O exemplo mais gritante dessa espécie de ***cote à mais recente competição nacional foi dado na época passada, em Alvalade, quando o FC Porto se apresentou sem nenhum dos habituais titulares - acabou derrotado por 4-1. Esta época, o pensamento foi o mesmo, o rumo diferente.

O sorteio, nas meias-finais, colocou o FC Porto frente à Académica, no Dragão. Os portistas, para além de jogarem em casa, evitaram também ter de defrontrar um grande. Superiores, favoritos a estar na primeira final em três anos. Mesmo assim, rotatividade na equipa. É essa a linha que tem sido seguida e há que mantê-la. Foi, aliás, um novo teste às alternativas que Jesualdo Ferreira tem para Helton, Fucile, Rolando, Rubén Micael, Varela e Falcao. Com Nuno, Miguel Lopes, Nuno André Coelho, Guarín, Valeri e Orlando Sá, uma equipa montada em 4x4x2, o esquema secundário, para defrontar uma Académica na busca de um sonho e moralizada pela vitória, para o campeonato, ante o Sporting, em Alvalade. A primeira parte resultou num jogo morno, equilibrado, dividido em algum ascendente a fases.

A Académica começara melhor, o FC Porto reequilibrara. Para a segunda parte era preciso mais ritmo. Jesualdo Ferreira percebeu que a equipa evidenciava dificuldades para conseguir ligar o seu jogo e construir lances de ataque, regressou ao 4x3x3. Com a mudança táctica, o FC Porto ganhou profundidade e aumentou a intensidade. Todavia, também a Académica dispôs de mais espaço para se mostrar: futebol escorreito, sem complexos, na procura da vitória, lutando de igual com o campeão. O nulo, contudo, continuava sem solução. Até que apareceu Mariano González (80'). Teve espaço, rematou forte, fez um grande golo. Justo ou não, o argentino é assim: amado e odiado, herói e vilão, agora excepcional e incrivelmente trapalhão logo após. Algarve, 20 de Março, novo capítulo de uma saga imortal: Benfica-FC Porto.

Categoria: Desporto

 

ANÁLISE

Agora líder, a ideia do Benfica, ao antecipar o jogo da vigésima jornada, passa por carregar os ombros dos rivais e manter-se leve como uma pluma. Querer fazer algo demasiadamente pressionado, em geral, dá mau resultado. Na prática, contudo, o resultado não foi totalmente bom: se é verdade que essa margem que o Benfica conquistou, graças ao triunfo com o União de Leiria, lhe vale o primeiro lugar, em Setúbal, ante o Vitória, deu a ideia de que os maiores pressionados eram mesmo os encarnados. Sp.Braga e FC Porto aproveitaram e estão mais perto. Os bracarenses conseguiram uma vitória memorável no Restelo (1-3), os portistas passaram a Naval. O Sporting, depois da recuperação, entrou novamente numa fase de grande atribulação.
 
A águia encontrou turbulência no seu vôo. Em Setúbal, para o Vitória, era uma questão de brio: os 8-1 da primeira volta, a demolição total de uma equipa sadina na Luz, estava ainda bem presente. Este Benfica não está tão avassalador como então, nem o Vitória tão débil, mas são bem evidentes as desigualdades existentes entre ambos. Por esta altura, os encarnados jogam um futebol consistente, os sadinos têm a garra de Manuel Fernandes. Em Setúbal, porém, os benfiquistas tropeçaram. Faltou inspiração, sobretudo. O Vitória tem mérito na forma como reduziu o espaço de acção do Benfica, impedindo que a qualidade individual sobressaísse. Foi feliz, também, sobretudo da forma como empatou - um lance incrível de David Luiz. E no final: Cardozo teve o golo nos pés, numa grande penalidade, a vitória ficou na barra.


Uns guerreiros que suportam tudo. Queriam testar a resistência do Sp.Braga? O Restelo foi, então, um grande teste à capacidade minhota: primeiro jogo do campeonato sem Vandinho e Mossoró, pressionados por olharem para cima e, agora, terem o Benfica à frente. Os encarnados têm mais um jogo, mas empataram no Bonfim. Ao Sp.Braga, Domingos já o tinha dito, o escorregão dos encarnados era mais um estímulo. As dificuldades, contudo, aumentaram: uma grande penalidade e uma expulsão, de Moisés, aos quinze minutos. Eduardo agigantou-se, atirou as pretensões do Belenenses para bem longe dali. Mais: foi o mote para uma vitória categórica, repleta de cinismo e com uma eficácia quase total. As grandes equipas crescem assim. Está aí, bem à vista, a prova cabal de força vinda dos bracarenses.

No Dragão, no jogo da Taça de Portugal, o FC Porto atingiu o pico exibicional desta temporada: subjugou o Sporting, teve domínio total do jogo, deu pouco espaço de manobra aos leões e juntou-lhe os golos. Na recepção à Naval, ninguém esperaria que os portistas voltassem a jogar futebol de alto nível. Aliás, o próprio adversário, uma equipa que joga habitualmente fechada e faz da coesão defensiva a sua maior arma, não o permitiria. Frente aos figueirenses, era necessário um jogo paciente e prático. Tomás Costa abriu o marcador, deu tranquilidade ao FC Porto, encaminhou a vitória, obrigou a Naval a arriscar algo. Os dragões ganharam 3-0. Com todo o mérito. Falcao, um finalizador letal, fez o golo da praxe. Varela colocou a cereja no topo do bolo, já em cima do final. O dragão está em recuperação da chama.

Pela terceira vez consecutiva, o leão bateu com estrondo. O adeus há muito anunciado ao título confirmou-se em Braga, na ronda anterior. Pelo meio, até este jogo com a Académica, o Sporting acabou derrotado, no Dragão, para a Taça, por números gordos. Importava, por isso, no regresso a Alvalade ultrapassar essas duas derrotas, recuperar a série vitoriosa e fazer tréguas na relação atribulada com os adeptos. Jogou sob brasas. No terceiro minuto, num erro de Rui Patrício que ecoou nas bancadas, os estudantes colocaram-se em vantagem. O Sporting conseguiu chegar ao empate, criou oportunidades para passar para a frente, levou a Académica a recuar para o seu último reduto. Instalou-se no ataque. Perdida de bola, contra-ataque supersónico, novo golo da equipa de Villas Boas. Mais do que isso: outra machadada no Sporting.

Abriu-se a possibilidade, para o União de Leiria, beneficiando da derrota do Sporting, de ultrapassar os leões e subir ao quarto lugar, mas os leirienses saíram derrotados, por 1-0, dos Barreiros (o Marítimo está, agora, a somente um ponto da equipa de Lito Vidigal). Na luta pelos lugares europeus, o Vitória de Guimarães atrasou-se, perdendo, em casa, com o Paços de Ferreira, que, ao invés, consegue um suplemento de confiança para a luta pela manutenção - os vimaranenses levam três jogos sem vencer. O Leixões mantém-se nos lugares de descida, após ter sido vencido em Vila do Conde, por 2-0, com dois golpes de génio de Bruno Gama (um jogo que culminou no abandono de José Mota dos leixonenses). O Olhanense conseguiu vencer o Nacional, por 1-0, conquistado três pontos preciosos.

« Página Anterior  |  resultados 21-30 de 109  |  Página Seguinte »
Pesquisar
Pesquisar
Arquivo
Categorias
Publicidade
Segue-nosFacebook  Twitter  Blogger