Sem meios-termos, olhando em jeito de balanço ao que se jogou no campeonato nacional, sai a primeira pergunta: o Benfica foi um justo campeão? É uma tendência dizer-se que sim, que o Benfica tem muito mérito no título que conquistou, suou para isso, foi melhor do que os adversários e mereceu os festejos. Pedro Azevedo, editor de Desporto da Rádio Renascença, não hesita. A resposta é pronta, pragmática e suportada na frieza dos números: "O Benfica teve o melhor ataque, melhor defesa (a par do Sp.Braga), foi a equipa que agradou mais em termos exibicionais, a mais espectacular, com mais vitórias, menos derrotas, melhor futebol e mais regularidade. Tudo isto somado dá um justo vencedor, indiscutivelmente", afirma. O investimento encarnado deu total retorno: "Teve um plantel muito bem apetrechado sob o ponto de vista técnico, com jogadores em grande nível exibicional e também com grande regularidade".
Apesar do seu reconhecido talento, o Benfica foi obrigado a esperar pelo derradeiro jogo para festejar. Por obra alheia. O Sp.Braga, uma surpreendente equipa que se intrometeu na luta pelo título, correndo pela História, adiou a coroação benfiquista. Os bracarenses foram guerreiros na verdadeira acepção da palavra, nunca baixaram a guarda. Para Pedro Azevedo, contudo, ainda não se pode juntar o Sp.Braga ao grupo de top nacional: "Um grande não nasce de um dia para o outro. Nasce após muitos e muitos anos de consistência: de resultados e de força social. O Sp.Braga terá de crescer em número de adeptos, de sócios efectivos, em orçamento, em apoios, em sponsors. Só dentro de alguns anos é que podemos dizer se temos efectivamente um quarto grande no futebol português", afirma. "O Sp.Braga ainda não tem força social - basta recordar que, para encher o estádio, teve que abrir as portas e fora, quando conseguiu grandes assistências, teve que oferecer bilhetes".
O SUCESSO DE JORGE JESUS E DOMINGOS PACIÊNCIA
Jorge Jesus é um treinador de amor e ódio. Idolatrado pelos benfiquistas que vêem nele um obreiro do título e o criador de uma equipa forte como há muito não tinham na Luz. Os adversários, claro, apontam defeitos: é arrogante, é egocêntrico, é espalhafatoso. "Goste-se ou não se goste de Jorge Jesus, daquele seu estilo, daquela sua linguagem, é um treinador de sucesso, porque pegou num Benfica que há cinco anos não ganhava o campeonato e levou-o ao título. Tem grande mérito nisso", afirma Pedro Azevedo, ressalvando ainda a conquista da Taça da Liga. Para o jornalista da Rádio Renascença, o treinador encarnado, culminando uma subida a pulso com a conquista do título nacional, revelou-se "um excelente gestor de recursos humanos". "Di María, Saviola, Javi García e Óscar Cardozo são jogadores que, de facto, se exibiram a um nível muito elevado; a adaptação de Fábio Coentrão também foi um sucesso; Maxi Pereira sempre foi regular", exemplifica.
O que dizer, então, de Domingos Paciência? O jovem treinador do Sp.Braga ultrapassou o seu exame final, depois de ter estado em bom plano na Académica, demonstrando ter inúmeras capacidades como técnico e um horizonte risonho pela frente. O Sp.Braga foi uma etapa plenamente cumprida. "Já não há palavras para qualificar um trabalho de altíssima qualiade de Domingos Paciência, é um treinador quem, degrau a degrau, vai mostrando ter grande futuro. Soube lidar com um grupo que não tem comparação em termos de orçamento com os chamados grandes, soube segurar a pressão, teve um discurso prático, dizendo que atacava o título quando o devia ter feito. Por isso, acho que foi, também, um bom condutor do projecto do Sp.Braga, o projecto possível, mas que se revelou numa época absolutamente excepcional, histórica e, desconfio, irrepetível", diz Pedro Azevedo.
FC PORTO: UM TETRACAMPEÃO SEM ESTATUTO
O FC Porto partiu como tetracampeão. Na linha da frente. Acabou, contudo, em terceiro, suplantado pelo Benfica no título e pelo Sp.Braga no acesso à Liga dos Campeões. Em relação à época anterior, há apenas uma diferença de dois pontos. Pode o mérito dos rivais explicar o falhanço? "Eu acho que os campeonatos só são comparáveis dentro do próprio campeonato: confrontos directos, diferença de pontos, exibições e resultados que se verificam nos jogos decisivos. Cada campeonato, sua história. O FC Porto, efectivamente, soma em 2009-10 o seu pior registo dos últimos trinta anos, apenas comparável ao de 2002 (também terceiro) e ao de 1982 (quando Pinto da Costa tomou conta do clube). Só estes números dizem que a época é francamente negativa e temos que somar uma saída humilhante da Liga dos Campeões e uma derrota categórica na Taça da Liga", relembra. Muito mais se esperaria dos dragões.
Pedro Azevedo tem uma opinião curiosa sobre o plantel azul: "Ao contrário do que foi dito, o FC Porto não ficou muito descapitalizado em termos qualitativos. Basta recordar que saíram três jogadores muito importantes - Lucho, Lisandro e Cissokho -, mas entraram três reforços e meio muito bons", refere. "Alguns dos reforços não resultaram, mas isso acontece em todas as equipas e esses que não resultaram não são responsáveis por nada, porque praticamente não jogaram", firma. O problema residiu, segundo Pedro Azevedo, na táctica: "Pessoalmente, acho que aquilo que falhou foi a falta de afinação táctica, ou seja, o FC Porto deste ano jogou com o sistema do ano passado. Com jogadores diferentes, estilos de jogo diferentes. O FC Porto teria de jogar no esquema que utilizou nestes últimos dez jogos", argumenta. Os verdadeiros reforços do FC Porto são fáceis de adivinhar: Álvaro Pereira, Radamel Falcao e Silvestre Varela.
"Álvaro Pereira foi uma das grandes revelações, foi o jogador mais utilizado do FC Porto com mais de quatro mil minutos e sempre numa bitola idêntica; Falcao conseguiu ser o melhor marcador desde a era Jardel e, inclusivamente, não fossem dois ou três golos mal anulados, mas são circunstâncias do jogo das quais hoje ninguém se pode lamentar - é apenas um dado estatístico - até seria o melhor marcador do campeonato; Varela, relacionando o preço e a qualidade, tratou-se de uma grande compra", explana. Falta a meia-aquisição. É Belluschi: "Estou convencido, por aquilo que fez nesta ponta final, que, depois deste ano de adaptação, será uma confirmação". Há, ainda, a questão de Hulk. Jogador influente, indiscutível na equipa, esteve dois meses de fora: "Ainda que também não seja uma desculpa decisiva, a ausência de Hulk, um jogador de grande peso, contribuiu para que este FC Porto tivesse sido muito diferente, para pior, em relação à última época".
SPORTING: UM FRACASSO COM VÁRIAS CAUSAS E UM ALERTA
O que nasce torto, tarde ou nunca se endireita. É uma máxima popular, conhecida, referida vezes sem conta. Pode, por exemplo, sintetizar a época do Sporting: os problemas sentidos durante a pré-temporada foram um prenúncio para o que aconteceria ao longo de todo o campeonato, culminando num quarto lugar a anos-luz, traduzido em vinte e oito pontos, do primeiro lugar. Para explicar o insucesso leonino, Pedro Azevedo encontra vários motivos. Começando, justamente, pela preparação da temporada: "A equipa não se reforçou bem. Paulo Bento construiu um plantel, na minha opinião, muito curto: confiou em demasia nas pedras que tinha e não exigiu, provavelmente por falta de recursos financeiros, um plantel mais vasto, com mais alternativas para todas as posições. Seguiu-se a mudança técnica, logo houve instabilidade", adianta. Essa insegurança não se sentiu, porém, só no plantel. Alargou-se à estrutura directiva.
Agora estabilizado com Costinha, o actual homem-forte do futebol do Sporting, os leões tiveram, durante a época, outros dois directores na chefia dos destinos da equipa profissional. "Houve mudanças de chefe de departamento do futebol e problemas internos que até passaram por alguma animosidade dentro do próprio balneário. Tudo isto, mais a irregularidade que o Sporting uma vez mais teve nesta temporada, dá uma época muito negativa, com uma larga distância em relação às equipas da frente. Eu diria inadmissível, levando em conta o orçamento e a dimensão do clube", atira de pronto para classificar a caminhada sportinguista. E concluir com um alerta: "O Sporting esteve mal, acabou mal e já começou mal a próxima época, porque Paulo Sérgio [o novo treinador] sabe que não foi a primeira opção, essa era André Villas Boas. Saber que foi segunda escolha é uma sensação muito má".
O PERFUME DE DI MARÍA
Posto isto, pede-se, como pergunta da praxe, o nome do melhor jogador do campeonato. "É injusto falar apenas de um", diz, hesitante, Pedro Azevedo. Mas há um, sim: "Ao ter que eleger um jogador, elegeria Di María. Pelo virtuosismo, pela capacidade de desequilibrar, pelas paixões que desperta nas bancadas e pelo espectáculo. É um jogador raro, tem velocidade, técnica, excelente drible, excelente visão, remate fácil e é muito bom nas assistências. Dá gosto ver jogar. Não é por acaso que Maradona, de forma indiscutível, o coloca nos vinte e três e, presumo, nos onze: é um jogador que vai ser titular, pela Argentina, no Campeonato do Mundo. Ser titular na selecção argentina jogando no campeonato português prova, de facto, ser um fora de série. Di María é a grande figura do campeonato", avalia Pedro Azevedo, elogioso para Angelito.
OS MELHORES: TOTAL DOMÍNIO VERMELHO
Depois da figura maior, o melhor em cada posição. "O guarda-redes do campeonato é Eduardo. É bom recordar que, além de o Sp.Braga ser, com o Benfica, a defesa menos batida, na fase de qualificação para o Mundial, Eduardo sofreu apenas dois golos. Não sei como é que é possível ter passado seis anos na equipa B do Sp.Braga sem que tenha sido chamado para guarda-redes titular", interroga-se Pedro Azevedo, ressalvando o valor daquele que foi um dos principais suportes da sensacional caminhada do Sp.Braga e será o número um da selecção portuguesa na África do Sul. Progredindo no terreno, deixando a baliza, há a defesa. E David Luiz: "Só uma vez é que a FIFA teve a infeliz ideia de eleger um defesa como melhor jogador do Mundo, acho que foi uma ideia muito má, mas David Luiz é um dos melhores jogadores deste campeonato, muito melhor do que Luisão. Dunga [seleccionador brasileiro] francamente a dormir", atira.
Do defesa saltamos para o goleador. Óscar Cardozo e Radamel Falcao travaram, ao longo de todo o campeonato, um duelo à parte, intenso e vibrante na corrida pelo prémio de melhor marcador. Tacuara levou a melhor em cima da meta, confirmando o prémio na partida do título. Pedro Azevedo também lhe dá preferência: "Ainda que toda a gente elogie Falcao - foi uma revelação: sem adaptação, sem férias, um ano e meio seguido a jogar -, mas, para mim, Cardozo está acima. É, de facto, um jogador que eu gosto muito, porque tem grande porte atlético, tem um pé esquerdo fabuloso, tem um remate fulminante. É o goleador do campeonato, foi o número um nos golos. Falcao é um jogador diferente, é menos posicional", argumenta, mostrando também admiração por aquilo que El Tigre conseguiu na sua primeira época em Portugal.
Se Cardozo é o artilheiro, o ponta-de-lança que vive de golos, Di María, o eleito de Pedro Azevedo para destaque do campeonato, é o avançado. Não o que marca golos, o que inferniza as defesas: "Di María como avançado, pela versatilidade, brilhantismo, fintas, exuberência, qualidade e slalons inesquecíveis". O jovem argentino foi um jogador que encheu as medidas aos adeptos portugueses. Na eleição para melhor médio, o voto de Pedro Azevedo vai para Aimar. El Mago não teve uma presença assídua, foi gerido por Jorge Jesus devido à sua condição física, mas revelou-se fundamental em momentos decisivos. "É um jogador que particularmente gosto muito e trata a bola de uma forma que, muitas vezes, merece o preço do bilhete", conclui o jornalista da Rádio Renascença. Para Pedro Azevedo, estes foram os melhores da Liga.
A TAÇA SERVE PARA CONSOLAR O ESPÍRITO, DRAGÃO?
O FC Porto conquistou a Taça de Portugal. Poder-se-á dizer, sem ser descabido ou pouco respeitar para o adversário, que cumpriu a sua missão. Os dragões seriam sempre favoritos, contavam com altas probabilidades de arrecadarem o seu segundo troféu da temporada, juntando a Taça à Supertaça ganha em Agosto, procurarem atenuar a má campanha realizada no campeonato nacional. O FC Porto falhou a conquista do título título de campeão consecutivo e, por isso, falhou. Ganhar a Taça de Portugal seria a única escapatória. Jogando com o Desportivo de Chaves, uma equipa caída em desgraça, procurando um sonho para por momentos esquecer a descida de divisão, os dragões foram mais fortes, venceram. Pela margem mínima, contudo, passando ao lado de uma goleada. Demérito próprio e mérito de um Chaves que nunca se rendeu.
Páre, escute e olhe. Foi o que Helton fez. O guarda-redes brasileiro, uma surpresa superiorizando-se a Beto, saiu da baliza, hesitou, ficou a meio caminho, deixou-se antecipar. Edu, o jovem transmontano que foi herói na Figueira da Foz, repentinamente atirado para a ribalta, chegou primeiro do que o guardião, desviou a bola e levou-a no caminho da baliza. Esteve perto, perto, perto de ser feliz. Seria a coroação da história de fadas do Desportivo de Chaves, o melhor esquecimento para a depressão de ter caído de novo na II Divisão, a glória depois de deixar o futebol profissional e no meio de um mar de dificuldades que faz os flavienses verem o fim cada vez mais próximo. Foi a primeira grande oportunidade de golo da final da Taça. Serviu para demonstrar que o Chaves estava no Jamor para ser actor principal, não viver na sombra do FC Porto, fazer de tudo para contrariar as teorias e sair triunfante. Usando as suas armas.
Uma chance assim, próspera para fazer História ao estar presente na final da mítica Taça de Portugal, não pode ser facilmente deitada para trás das costas. O Desportivo de Chaves não tinha o que perder, restava acreditar, sonhar, expandir o seu futebol. O FC Porto é, em todos os sentidos, mais forte e mais capaz, ninguém o coloca em questão, mas o futebol é uma caixinha de surpresas, é um mundo diferente onde tudo pode acontecer. Jogando com respeito, sem abusar da altivez de quem realmente é superior, o FC Porto percebeu-o. O lance de Edu, aos oito minutos, era a prova que faltava para deixar bem claro que não haveria festa antecipada dos portistas. Para o conseguir, o FC Porto teria, primeiro, de trabalhar para isso. Respondeu a Edu com Falcao. No fundo, tratava-se de colocar o Chaves atrás, sem dar azo a investidas flavienses, mostrando superioridade. O FC Porto acelerou, fez tremer o rival, marcou.
UMA VANTAGEM NATURAL
A diferença entre equipas tão distantes esteve, afinal, no aproveitamento. E, até, na felicidade como chegaram às balizas adversárias. O sonho do Chaves, transportado por Edu, esbarrou no poste. O FC Porto ouviu o alarme, pressionou, obrigou os flavienses a errar e colocou-se em vantagem: Guarín rematou, a bola saiu enrolada, pouco tensa, mas passou por debaixo de Rui Rego e entrou juntinho ao poste. Dois erros, primeiro do lateral Eduardo e depois do guarda-redes, custaram caro aos flavienses. Os dragões sorriram, confirmaram o favoritismo, somaram umas décimas à abissal percentagem de favoritismo que o seu estatuto, o de equipa de topo nacional, lhe conferia. Em vantagem, o FC Porto sente-se bem: pode circular a bola, chamar o adversário, obrigá-lo a correr e apostar forte na velocidade para ser bem-sucedido. Hulk furou a defesa, criou, teve golos nos pés. Falhou a concretização para ter um dia memorável.
O golo de Fredy Guarín abalou o Desportivo de Chaves. Foi uma interrupção abrupta e precoce do sonho, fazendo os jogadores despertarem para a realidade, obrigando-os a ter de buscar força nas profundezas da sua alma. As oportunidades para o FC Porto sucederam-se, escorreram em catadupa, apareceram com extrema facilidade. Com Hulk transformado num diabo, levando a equipa, explodindo nos limites do fora-de-jogo, aproveitando a arriscada estratégia do Desportivo de Chaves ao jogar com uma defesa em linha. Numa dessas fugas, com a bola como um íman nos pés, o Incrível esteve a um palmo de aumentar a vantagem, mas Rui Rego opôs-se bem. Foi uma espécie de redenção do guarda-redes. À segunda, veio um golo. Com toda a naturalidade. Hulk escapou, a enésima vez isolado, foi altruísta e deu a Falcao a alegria de marcar. Um toque e já está.
DE UMA GOLEADA ANUNCIADA A UMA VITÓRIA TANGENCIAL
Vinte minutos jogados. O FC Porto com dois golos de vantagem e uma mão sobre a Taça de Portugal, o Chaves incapaz e impotente para lutar contra o destino e as evidentes assimetrias que o separam do topo. O pensamento generalizado foi o de que nada mais tiraria o triunfo ao FC Porto. Era legítimo. Nem os dragões pareceram interessados em desligar-se tão cedo do jogo. Pelo contrário: procuraram mais golos, mantiveram o domínio absoluto, anunciaram um novo tento. Hulk, sempre ele em destaque, somou oportunidades desperdiçadas. Foi displicente, não aproveitou a licença para matar que conseguira. Pelo meio das perdidas, Raúl Meireles foi abalroado na área por Danilo, Pedro Proença não entendeu falta. O Desportivo de Chaves não se encolheu, tentou reagir e jogar bem sempre que possível para chegar à frente. Conseguiu um golo, por Siaka Bamba, ainda festejou, mas o lance foi bem anulado por mão na bola.
O que poderia, então, mudar ao intervalo? Muito pouco. O início da segunda parte confirmou-o: Hulk cobrou um livre, Miguel Lopes desviou subtilmente, a bola embateu no travessão da baliza de Rui Rego. Mantinha-se a toada de mais, muito mais FC Porto. O jogo, contudo, perdera interesse, qualidade e vivacidade. Entrara num registo monótono, molengão, de passar do tempo sem que nada se alterasse. O FC Porto parecia ter o triunfo assegurado, o Chaves pouco mais daria. O tempo correu, o público tentou animar, cantou e festejou, embelezou a final da Taça de Portugal. Do relvado, porém, pouco havia para destacar. Aquele típico registo de final de época abateu-se sobre o Jamor. Hulk, numa das suas investidas, lá tentou abanar o jogo, alargar a vantagem do FC Porto; deu para Falcao e o lance perdeu-se. Era o tempo de Manuel Tulipa, crente numa gracinha, mudar. Para mostrar que ainda era possível acreditar.
Diop dera tudo o que tinha. Estava extenuado, sem mais forças para ajudar a sua equipa, precisava de ser substituído. E também o Desportivo de Chaves necessitava de sangue novo, alguém capaz de fazer tremer a defensiva do FC Porto. Entrou Clemente, um avançado com bons pormenores. Num daqueles lances atípicos, sem que se perceba muito bem o que passa pelos jogadores, o Chaves chegou ao golo. Foi um prémio querer flaviense. Mas, verdade seja dita, caiu do céu aos trambolhões. Rolando e Bruno Alves desentenderam-se, Helton voltou a não ser assertivo, Clemente foi mais astuto, utilizou a mão para ganhar a bola, passou despercebido e rematou para o fundo da baliza azul. O Chaves, antes entregue, acreditou num brilharete. Aumentaram os nervos, Ricardo Rocha e Bruno Alves foram expulsos. A monotonia foi chutada para canto. O FC Porto, sem necessidade, ansiou pelo final. Faltava pouco. E veio a festa azul!
ANÁLISE
Os festejos do Benfica estão oo aquecimento. Após a vitória sobre o Olhanense, os benfiquistas desejaram um desaire do Sp.Braga, frente à Naval, para poderem, então, declarar-se como novos campeões nacionais. Os bracarenses, contudo, estão empenhados em levar a luta até ao fim, são guerreiros na verdadeira acepção da palavra, não encolhem os ombros e dão-se por vencidos. Há que lutar. Sempre, até que não mais seja possível. O papel do Sp.Braga foi cumprido na íntegra. Na próxima jornada, sem depender de deslizes alheios, o Benfica pode carimbar o seu trigésimo segundo título de campeão nacional. No Dragão. O clássico será vivido com papéis invertidos relativamente a épocas anteriores. Estará a ferro e fogo. Até porque o FC Porto acendeu a revolta em Setúbal e não terá Radamel Falcao para discutir com Cardozo. Nem Jesualdo.
Pode uma equipa que luta para não descer, vive com o fantasma dos últimos lugares a apoquentar, resistir a um duplo hara-kiri se jogar perante um rival forte, com uma tremenda confiança que lhe invade a alma e contagia o universo a ela ligado e está um passo de se sagrar campeão nacional? Não, claro que não. O Olhanense não resistiu a duas asneiras brutais de Delson. Em apenas nove minutos, o médio brasileiro cometeu uma grande penalidade tonta e acertou feio em Di María. Resultado: o Benfica marcou aos dois minutos, aliou a vantagem no marcador à númerica aos nove. Os algarvios ficaram por aí. O Benfica aproveitou as benesses, ainda nem tinha tido tempo para assentar o seu jogo, ganhou desde logo a tranquilidade que procurava. Marcou por Di María, mais dois de Cardozo e fechou através de Aimar. O terceiro golo, metade feito por aquele passe de letra de Angelito, é uma obra que merece honras...
Tracção atrás na Naval, equipa construída para conceder poucos espaços ao Sp.Braga, arrastar o nulo, deixar o jogo numa intensidade baixa e procurar sair para o ataque, através da velocidade de Fábio Júnior, elemento importante na pequena surpresa com o Benfica, e Michel Simplício. Respondeu o Sp.Braga com circulação de bola, futebol ligado, incisivo, coeso em todos os sectores, equipa rematadora. Entre dois golaços de Luis Aguiar, um aos vinte e cinco e outro aos oitenta e cinco minutos, passou uma hora de jogo. Nessa hora, iniciada com um livre superiomente colocado no ângulo da baliza de Peiser e um chapéu ao guarda-redes da Naval, o Sp.Braga construiu uma vitória sólida, justa e gorda por quatro golos. Não precisou de ser intensa, foi consistente e geriu o jogo de acordo com as suas pretensões. Os figueirenses não criaram uma verdadeira oportunidade para marcar. Desistir é palavra proibida em Braga.
Se Jesualdo Ferreira tivesse uma bola de cristal à disposição, acompanhando as saídas de Fucile e Raúl Meireles, pouparia Radamel Falcao para o jogo com o Benfica. O FC Porto tinha o jogo perfeitamente controlado, ganho, o Vitória de Setúbal estava inconsequente e sem forças para anular a vantagem de três golos portistas. A vitória azul não iria fugir. O jogo fluía sereno, com poucos motivos de interesse, com golos de Guarín e Belluschi para abalar a monotonia e se juntarem a três de bola parada: Falcao e Maicon haviam marcado para o FC Porto, Henrique reduziu e deu uma fugaz esperança aos sadinos. Nada mais havia para contar. Chegou o minuto oitenta. A temperatura subiu ao extremo. Falcao foi apertado por Ricardo Silva e Bruno Ribeiro, lutou para se soltar e atingiu o adversário com a mão. Viu o amarelo. E falha o clássico com o Benfica. Novos golos de Henrique e Falcao, magoado e triste, ficaram em segundo plano.
Não há nada em jogo: o Sporting terminará em quarto lugar, nem mais nem menos, é o objectivo que os dirigentes leoninos traçaram após terem percebido que o pesadelo inicial já havia deixado a sua irreparável marca na temporada leonina. O Sporting terminará sem nada conquistado. No campeonato, sem possibilidade de ser mais ambicioso, limita-se a cumprir os seus jogos, esperando rapidamente pelo final da época, abrindo horizontes e preparando correctamente o que se avizinha para que os erros não se repitam. É natural, por isso, que os jogos dos leões tenham pouca história. Em Leiria, ante uma União ainda esperançada em chegar ao quinto lugar, Liedson marcou, adiantou o Sporting, traduziu o ascendente no marcador. Não chegou, porém, para resolver. Foi gritante a ineficácia leonina. Cássio, cada vez mais uma figura nos leirienses, empatou no início da segunda parte. O empate prolongou-se. Até ao apito final.
O Belenenses desceu de divisião. Foi a confirmação de uma morte há muito anunciada, um ciclo negro só com duas vitórias pelo meio, uma época para séria reflexão de um histórico, um dos cinco campeões, do futebol nacional. A derrota ante o Vitória de Guimarães, por 2-0, carimbou matematicamente a descida às trevas. Também o Leixões está às portas da despromoção: os leixonenses perderam, em casa, ante a Académica (1-3), mantendo os quatro pontos de atraso para o primeiro lugar de salvação - a equipa de André Villas Boas assegurou a permanência, assim como o Rio Ave, após o nulo com o Marítimo. Caso perca ante o Olhanense, num duelo de verdadeiros aflitos, o Leixões desce ao segundo escalão do futebol português. Na luta pela Europa, o empate caseiro do Nacional com o Paços de Ferreira (1-1), poderá ter entregue definitivamente o quinto lugar ao Vitória de Guimarães - tem três pontos de vantagem.
ANÁLISE
Os festejos do Benfica estão oo aquecimento. Após a vitória sobre o Olhanense, os benfiquistas desejaram um desaire do Sp.Braga, frente à Naval, para poderem, então, declarar-se como novos campeões nacionais. Os bracarenses, contudo, estão empenhados em levar a luta até ao fim, são guerreiros na verdadeira acepção da palavra, não encolhem os ombros e dão-se por vencidos. Há que lutar. Sempre, até que não mais seja possível. O papel do Sp.Braga foi cumprido na íntegra. Na próxima jornada, sem depender de deslizes alheios, o Benfica pode carimbar o seu trigésimo segundo título de campeão nacional. No Dragão. O clássico será vivido com papéis invertidos relativamente a épocas anteriores. Estará a ferro e fogo. Até porque o FC Porto acendeu a revolta em Setúbal e não terá Radamel Falcao para discutir com Cardozo. Nem Jesualdo.
Pode uma equipa que luta para não descer, vive com o fantasma dos últimos lugares a apoquentar, resistir a um duplo hara-kiri se jogar perante um rival forte, com uma tremenda confiança que lhe invade a alma e contagia o universo a ela ligado e está um passo de se sagrar campeão nacional? Não, claro que não. O Olhanense não resistiu a duas asneiras brutais de Delson. Em apenas nove minutos, o médio brasileiro cometeu uma grande penalidade tonta e acertou feio em Di María. Resultado: o Benfica marcou aos dois minutos, aliou a vantagem no marcador à númerica aos nove. Os algarvios ficaram por aí. O Benfica aproveitou as benesses, ainda nem tinha tido tempo para assentar o seu jogo, ganhou desde logo a tranquilidade que procurava. Marcou por Di María, mais dois de Cardozo e fechou através de Aimar. O terceiro golo, metade feito por aquele passe de letra de Angelito, é uma obra que merece honras...
Tracção atrás na Naval, equipa construída para conceder poucos espaços ao Sp.Braga, arrastar o nulo, deixar o jogo numa intensidade baixa e procurar sair para o ataque, através da velocidade de Fábio Júnior, elemento importante na pequena surpresa com o Benfica, e Michel Simplício. Respondeu o Sp.Braga com circulação de bola, futebol ligado, incisivo, coeso em todos os sectores, equipa rematadora. Entre dois golaços de Luis Aguiar, um aos vinte e cinco e outro aos oitenta e cinco minutos, passou uma hora de jogo. Nessa hora, iniciada com um livre superiomente colocado no ângulo da baliza de Peiser e um chapéu ao guarda-redes da Naval, o Sp.Braga construiu uma vitória sólida, justa e gorda por quatro golos. Não precisou de ser intensa, foi consistente e geriu o jogo de acordo com as suas pretensões. Os figueirenses não criaram uma verdadeira oportunidade para marcar. Desistir é palavra proibida em Braga.
Se Jesualdo Ferreira tivesse uma bola de cristal à disposição, acompanhando as saídas de Fucile e Raúl Meireles, pouparia Radamel Falcao para o jogo com o Benfica. O FC Porto tinha o jogo perfeitamente controlado, ganho, o Vitória de Setúbal estava inconsequente e sem forças para anular a vantagem de três golos portistas. A vitória azul não iria fugir. O jogo fluía sereno, com poucos motivos de interesse, com golos de Guarín e Belluschi para abalar a monotonia e se juntarem a três de bola parada: Falcao e Maicon haviam marcado para o FC Porto, Henrique reduziu e deu uma fugaz esperança aos sadinos. Nada mais havia para contar. Chegou o minuto oitenta. A temperatura subiu ao extremo. Falcao foi apertado por Ricardo Silva e Bruno Ribeiro, lutou para se soltar e atingiu o adversário com a mão. Viu o amarelo. E falha o clássico com o Benfica. Novos golos de Henrique e Falcao, magoado e triste, ficaram em segundo plano.
Não há nada em jogo: o Sporting terminará em quarto lugar, nem mais nem menos, é o objectivo que os dirigentes leoninos traçaram após terem percebido que o pesadelo inicial já havia deixado a sua irreparável marca na temporada leonina. O Sporting terminará sem nada conquistado. No campeonato, sem possibilidade de ser mais ambicioso, limita-se a cumprir os seus jogos, esperando rapidamente pelo final da época, abrindo horizontes e preparando correctamente o que se avizinha para que os erros não se repitam. É natural, por isso, que os jogos dos leões tenham pouca história. Em Leiria, ante uma União ainda esperançada em chegar ao quinto lugar, Liedson marcou, adiantou o Sporting, traduziu o ascendente no marcador. Não chegou, porém, para resolver. Foi gritante a ineficácia leonina. Cássio, cada vez mais uma figura nos leirienses, empatou no início da segunda parte. O empate prolongou-se. Até ao apito final.
O Belenenses desceu de divisião. Foi a confirmação de uma morte há muito anunciada, um ciclo negro só com duas vitórias pelo meio, uma época para séria reflexão de um histórico, um dos cinco campeões, do futebol nacional. A derrota ante o Vitória de Guimarães, por 2-0, carimbou matematicamente a descida às trevas. Também o Leixões está às portas da despromoção: os leixonenses perderam, em casa, ante a Académica (1-3), mantendo os quatro pontos de atraso para o primeiro lugar de salvação - a equipa de André Villas Boas assegurou a permanência, assim como o Rio Ave, após o nulo com o Marítimo. Caso perca ante o Olhanense, num duelo de verdadeiros aflitos, o Leixões desce ao segundo escalão do futebol português. Na luta pela Europa, o empate caseiro do Nacional com o Paços de Ferreira (1-1), poderá ter entregue definitivamente o quinto lugar ao Vitória de Guimarães - tem três pontos de vantagem.
Pega na bola, leva-a no pé esquerdo, parte para cima do adversário. Faz fintas sucessivas, troca os olhos a quem o segue, explode para a linha de fundo. É possante, veloz, tem grande capacidade para continuar com a bola controlada. Parece intocável, mais forte do que tudo, capaz de derrubar qualquer muralha que lhe apareça à frente, ganha poderes que só estão reservados a predestinados. Dá bom resultado. Mas, infortúnio, também pode chegar à linha de fundo e cruzar mal. O lance perde-se, o ataque não tem frutos, a baliza não ficou em perigo, o guarda-redes respira de alívio. Nesse momento, Hulk volta a ser Givanildo Vieira de Souza. Deixa os atributos que fazem dele um jogador acima da média, cai na realidade: é um homem sujeito ao erro, nem tudo lhe sai bem, por vezes pode não resultar. Por mais que tente, não dá. Entra numa panóplia errante.
A analogia é sempre a mesma. Imaginemos um barco. Em pleno naufrágio. Onze remadores que se vêem cada vez mais numa situação aflitiva, o tempo passa e não conseguem sair do sítio, a tempestade, o grande adversário, leva vantagem. É preciso agir. Como em tudo, há sempre quem se destaque. Há um remador forte, capaz de incentivar os outros, que sozinho tem atributos que escapam aos dez restantes. Tenta a sua sorte, faz de tudo para mudar a situação, não dá o seu lugar, quer mostrar que é capaz. Todos o sabem, ele precisa de o mostrar a si próprio. Mas, vá lá, quem é que sozinho consegue sempre, em todas as circustâncias, fazer a força de onze? Ninguém. Nem o remador nem o jogador de futebol. São tantos, tantos, tantos os que o querem. Seria melhor unir as forças de onze.
Esse é um defeito que se aplica a Hulk. O brasileiro tem um inegável talento genuíno, é capaz de decidir jogos, mas falta-lhe cabecinha. Precisa de perceber que não pode querer resolver sempre, o apelido não permite a Givanildo segurar a equipa nos ombros, torna-se mais fácil de travar quando pretende enfrentar os onze adversários sem apoio. É um jogador com uma qualidade imensa, sim, mas precisa dos colegas. Tal como o remador. Se assim não for, não conseguirá passar à primeira. Nem à segunda, nem à terceira. Irá tentar, tentar, tentar, enfim, provar que consegue. Começa a ficar com um nervosinho interior, vai aumentando à medida que o rival é mais forte, torna-se inconsequente. O público não gosta, reclama, passa a bola!. Ele mantém-se confiante: há-de conseguir por mais que custe.
Ora, leitor, este não é um problema associado a ene jogadores que vão passando pelos melhores relvados? Têm talento, mas não o canalizam para a equipa, antes mostram que consegue fazer tudo bem sozinhos. Resulta nalgumas situações. O público curva-se, agradece a oportunidade. É um regalo para a vista. Noutras não. Perdem-se as oportunidades, os possíveis golos, uma eventual vitória. Tudo causado pela teimosia. Hulk já foi anjo e diabo para os portistas. Destroça os adversários, deixa-os pelo caminho, remata com uma potência descomunal para dentro da baliza. Golo, vitória, glória. Títulos. É anjo o Hulk. Noutras parece que nada o travará, mas não passa pelos defesas, o guarda-redes agiganta-se, perde as ocasiões e reclama. Entra numa ânsia de marcar. É diabo o Givanildo.
Hulk começou a temporada como sendo o principal jogador do FC Porto. Hulk-dependência, disse-se que afectava a equipa portista. A pré-temporada deixara indicações de que este seria o ano da sua explosão definitiva. Começou mal, porém. Em Paços de Ferreira apareceu o Hulk individualista, envolvendo-se em picardias constantes, parado por faltas dos adversários, a melhor forma de o travar quando está inspirado, expulso no primeiro jogo. Não pensou na equipa, na falta que poderia fazer, ficou arredado dois jogos. Apareceu mais calmo, ponderado, percebendo que são estas as leis do jogo. Quis justificar os elogios iniciais. Até ao jogo da Luz, com o Benfica. Foi bem anulado nas quatro linhas, não conseguiu soltar-se da teia e deixar o relvado triunfante. Perdeu-se no túnel.
As consequências dos incidentes no final do jogo com o Benfica já são bem sabidos, leitor. Hulk falhou dezoito jogos em Portugal. Pelo meio, apareceu ante o Arsenal. No Dragão e em Londres. Entrou decidido a provar que a paragem não o afectara, que mantinha as qualidades intactas, que tinha sido uma baixa de vulto para o FC Porto. Não conseguiu. Acusou a falta de ritmo, a vontade de querer fazer tudo. Obviamente. Que se poderia esperar de um jogador sem jogo há dois meses? Entre trapalhadas jurídicas, Hulk terminou o castigo. Jesualdo Ferreira utilizou-o à primeira oportunidade. Sinal claro da sua importância na equipa. Jogou no Restelo ao seu melhor nível: duas assistências e um golo de bandeira, devorador de uma defesa tenrinha. Foi uma libertação de raiva pela pausa.
Poderia o campeonato do FC Porto ter sido diferente se Hulk não tivesse entrado no túnel da Luz com os nervos à flor da pele? É uma pergunta incontornável, tão incontornável como olhar para David Seaman, nos tempos do Arsenal, e não reparar no bigode que o imortalizou. Ou Freddie Mercury. A resposta permanece no segredo dos deuses. Ninguém a pode dar, portanto. O melhor Hulk é uma peça fulcral. Não é, contudo, sempre assertivo. Por isso, nunca se saberá o que poderia ter acontecido se o brasileiro tivesse jogado a maior parte do campeonato. Mas é inegável que Hulk, o melhor, a versão genuína em que Givanildo Vieira de Souza se transforma, fez imensa falta a este FC Porto. E ao futebol português. Afinal, os melhores jogadores estão cá para isso. Se foi por isso que a época azul falhou? Não!...
ANÁLISE
O Benfica ganhou ao Sp.Braga, aumentou a vantagem para seis pontos, há dezoito em disputa até final. O mesmo é dizer, portanto, que os benfiquistas têm tudo para voltarem, cinco anos depois, a chegar ao trono de campeão nacional. Só uma ponta final desastrada, aliada a seis jogos triunfantes e históricos do Sp.Braga, poderá inverter a situação. É imperial, contudo, que o Benfica não interiorize que tem desde já o título assegurado. Aí, sim, poderá dar-se mal. E o que dizer desta equipa bracarense? Está na sua melhor época de sempre, tem muito mérito no que conseguiu até agora, fez jus ao seu estatuto diante do Benfica, provou ter qualidade. No entanto, o FC Porto, ao vencer no Restelo, conseguiu encurtar a distância para cinco pontos. É o que separa os dragões do segundo lugar.
Foi o jogo do título? Talvez, mas só os seis encontros que faltam darão a resposta. Dizer que o campeonato ficará decidido à vigésima quarta jornada será sempre arriscado. No entanto, ao vencer o Sp.Braga, o Benfica deu um passo fundamental. Dispõe de uma boa margem, é a equipa mais completa, possui argumentos que faltam aos minhotos, apostou as fichas todas para ser feliz nesta temporada enquanto o Sp.Braga está a superar-se a si próprio. Irão lutar até final, disso ninguém duvide. O Benfica está mais confortável e tem o caminho do título aberto, sim, mas terá que manter a mesma intensidade para chegar à glória. Jogo lutado, limites da adrenalina, vontade de qualquer um deles sair fortalecido. Um golo de um herói revisitado: Luisão. A fazer lembrar 2005, quando decidiu um jogo... do título, contra o Sporting, na Luz - Clique para ler a crónica do jogo
Hulk é um jogador portentoso. Tem técnica, explosão, potência. Capacidades inatas para um futuro auspicioso. Falta-lhe, contudo, ser mais racional, controlar os nervos, jogar em prol da equipa e não decidir ser ele contra o Mundo. Nesse duelo desigual, geralmente, perde. Como acontece com todos os que pretendem fazê-lo. Quando consegue anular esses defeitos, salientando as virtudes, Hulk torna-se temível, ganha poderes que lhe permitem carregar a equipa, aniquila os adversários. Por estes dias, pelo processo disciplinar que o envolveu, Givanildo de Souza é um homem revoltado. Quer-se recompor, mostrar que está vivo, que fez uma enorme falta. É aí que aparece Hulk. No Restelo, o brasileiro foi fundamental para a vitória do FC Porto: assistiu Rolando no primeiro golo - em posição irregular -, fez um golaço e cruzou para Falcao fechar as contas.
O Sporting é imprevisível. Oscila em demasia, consegue atingir patamares de grande qualidade, deita tudo a perder num ápice, volta a entrar numa curva descendente. É mau para qualquer equipa, grande ainda mais. Os leões estão no seu momento mais vivo, com boas exibições e vitórias, uma retoma com os adeptos mas que nada trará para o museu do clube. O jogo com o Atlético de Madrid, a eliminação da Liga Europa, poderia ser um abalo. Foi mesmo. O Sporting voltou à sua fase má, tristonha, sem consistência. O Marítimo fez um bom jogo, com os olhos postos na baliza de Rui Patrício, ganhou com justiça. Por um golo, num 3-2 ditado pelos minutos finais, mas que poderia ter sido mais amplo. A derrota do Sporting deixa estampada a falta de soluções. Sem João Moutinho, sem Miguel Veloso e sem Izmailov, o Sporting parou a retoma. Pior do que isso: reviveu o passado.
A emancipação de um trio de aflitos. Leixões, Vitória de Setúbal e Olhanense são equipas que terão de lutar até final para alcançarem a permanência. Nesta jornada todas venceram. Os leixonenses alcançaram a primeira vitória desde a chegada de Fernando Castro Santos, bateram a Naval por 1-0, mas nem por isso reduziram diferenças para a primeira posição que lhes garante sossego. Há dois culpados: o Vitória bateu, em casa, o Nacional (2-1, vida complicada para os insulares na luta pela Europa), confirmando uma subida substancial na segunda metade da temporada, somando, aqui e ali, pontos importantes para a concretização do objectivo; o Olhanense, trinta e seis anos depois, voltou a triunfar fora em jogos do principal campeonato português: venceu o Rio Ave, ainda sem confirmar a permanência mas tranquilo, por concludentes 5-1. Juntamente com os sadinos, mantém cinco pontos de avanço para o Leixões.
Dos últimos quatro classificados, só o Belenenses foi derrotado. Mas, convenhamos, defrontava o FC Porto e era, por isso, quem tinha tarefa mais complicada. A derrota deixa o campeão nacional de 1945-46 com a corda na garganta, sem horizontes cor-de-rosa, antes cada vez mais invadidos pela penúria de cair no segundo escalão do futebol português. São nove os pontos de atraso, ou seja, metade dos que há para discutir. Embora tenha ganho, também o Leixões, pelos triunfos dos rivais, se mantém numa posição delicada. No acesso aos lugares europeus, nomeadamente o quinto, última posição para entrar na Liga Europa, o Vitória de Guimarães (com uma vitória, 1-0, sobre a Académica salvaguardou a sua posição, ao passo que os estudantes reentraram, quando se esperava que alcançassem a manutenção rapidamente, no lote de equipas ainda em perigo de descida), acossado pelo União de Leiria - venceu, em casa, o Paços de Ferreira (2-1).
O BENFICA SABE JOGAR E GANHAR!
Uma final é uma final. Diz-se que não são para jogar, mas para ganhar. Podem ser, por vezes, noventa minutos inesperados, isolados de tudo o resto, onde tudo é possível de acontecer. No entanto, é impossível dissociar do que tem sido a temporada de ambas as equipas. O FC Porto vive um dos seus mais complicados períodos da última década, o Benfica está em verdadeiro estado de graça que se prolonga a cada jogo. Os encarnados seriam favoritos, são quem melhor se tem apresentado em termos exibicionais e até emocionais. É fundamental controlar os sentimentos, não deixar que toldem a razão e sejam eles a decidir o que fazer. Este FC Porto, contudo, não o consegue: quer mudar, faltam-lhe forças e discernimento. O Benfica é melhor, indiscutivelmente. E provou-o.
Desde que foi derrotado pelo Sporting, em Alvalade, o FC Porto nunca mais se encontrou. Foi o segundo verdadeiro abalo que sofreu na época, o segundo jogo onde não puxou dos galões de um campeão, depois de ter ficado combalido pela derrota ante o Benfica deitou tudo a perder com os leões. Em momentos que estava bem, até com maior favoritismo para vencer, acabou derrotado de forma concludente. Passou, então, a imperar entre os portistas uma espécie de Lei de Murphy: se alguma coisa pode dar para o torto, tudo virá por acréscimo, pequenos pormenores serão fatais. Antes do jogo com o Benfica, muito mais do que uma Taça da Liga em disputa, sobretudo para os azuis, ansiosos por mostrar que a euforia do velho inimigo pode ser quebrada, Jesualdo Ferreira ficou sem Varela. E já sabia que não tinha Mariano.
Marcar um golo cedo numa final é meio caminho andado para conseguir um jogo tranquilo e colocar uma mão sobre o troféu. O Benfica está motivado, vive um permanente estado de graça, tem tudo para quebrar o ciclo sem vitórias no campeonato e conseguir recuperar o estatuto de outrora na Europa. No FC Porto há uma vontade de querer fazer melhor, de terminar a época com brio, de ganhar as taças que ainda tem em jogo. O futebol, contudo, necessita de uma mente forte e de grande auto-estima. Neste momento, os dragões, por mais que queiram mudar o seu destino, não têm essa faculdade. O Benfica marcou cedo. Aos nove minutos. Rúben Amorim rematou de longe, rasteiro e seco, a bola foi ter com Nuno Espírito Santo, o guarda-redes deu um frango descomunal. Jesualdo encolheu os ombros: que fazer perante este destino?
BOA REACÇÃO... MAS ATACADA POR UM GOLO
Apesar das adversidades, o FC Porto reagiu bem. Já havia pertencido aos dragões a primeira oportunidade, num lance em que Quim negou as intenções de Cristian Rodríguez, mas o golo poderia ter terminado precocemente com a ambição portista em contrariar o Benfica. Os portistas, porém, tiveram capacidade para reequlibrar o jogo, conseguir jogar no meio-campo encarnado e fazerem circular a bola nas proximidades da baliza contrária. Aos vinte e três minutos, com carambolas entre Falcao e Fábio Coentrão, Quim foi obrigado a uma defesa felina. No entanto, pouco mais se viu dos dragões. Escasseavam ocasiões de golo iminente. Foi, sobretudo, a partir da meia-hora que o Benfica quis demonstrar que o seu tento não caíra do céu aos trambolhões. E chegou ao segundo golo num momento-chave: antes do descanso.
Mesmo sendo um guarda-redes experiente, o erro crasso no primeiro golo do Benfica deixou marcas profundas em Nuno. Tremeu, mostrou-se nervoso, não teve recursos para impedir que essa sua inquietação passasse para os seus colegas. Os jogadores encarnados perceberam-no. Nos últimos instantes da primeira parte, o Benfica dispôs de uma falta a cerca de trinta e cinco metros da baliza. Carlos Martins tem um pontapé potente, gosta de tentar a sua sorte, aumentou a confiança em ser feliz. E foi. Rematou forte, uma folha-seca, para o lado de Nuno, a bola entrou juntinho ao poste esquerdo da baliza portista. O golo da tranquilidade assegurado pelo Benfica, mais uma facada nas aspirações do FC Porto em tentar vencer. Aumentou a tensão entre os dragões, acentuou-se a luta desigual contra o rumo natural dos acontecimentos.
UM RUMO NATURAL QUE NÃO SE IMPEDE
E a lógica deste jogo ditava que o Benfica iria ganhar. Simplesmente porque é mais forte. Tem alternativas válidas, Jorge Jesus dá-se ao luxo de deixar Javi García, Ramires, Saviola e Cardozo de fora sem que a equipa sinta qualquer quebra. Os processos estão bem interiorizados, saem com enorme facilidade, o Benfica respira confiança. Ao invés, o FC Porto é uma equipa triste, lutadora mas impotente, sem soluções que dêem sangue novo à equipa e obriguem o adversário a repensar a estratégia. A perder por dois golos ao intervalo, Jesualdo Ferreira lançou Fucile, para procurar estancar as investidas ofensivas de Fábio Coentrão que haviam atormentado Miguel Lopes, e Valeri, em substituição de Rúben Micael, na procura de maior criatividade ao meio-campo azul. Foi inconsequente. O FC Porto não mais criou perigo para Quim.
Uma equipa desesperadamente à procura de sair para o ataque, jogando com o coração, pouco discernida e envolvendo-se em picardias constantes. Foi assim que o FC Porto se apresentou no Algarve. Não foi a primeira vez na temporada, é certo. O Benfica jogou com o tempo e com a ansiedade do adversário, não deu azo a que os dragões tentassem crescer na busca de um golo capaz de relançar o resultado. Há muito mérito nisso. Ciente de que tinha o jogo controlado, Jorge Jesus foi lançando as peças fundamentais que poupara: começou com Saviola, passou por Ramires e terminou com Cardozo. O Benfica terminou o jogo próximo da sua equipa-base, portanto. E fechou com chave de ouro, numa das poucas oportunidades da segunda parte: passa e repassa, Rúben Amorim picou a bola sobre Nuno, o poste encaminhou-a para o pé de Cardozo. Três-zero, resultado abrilhantado.
TEXTO ORIGINAL NO BLOGUE FUTEBOLÊS
O ARSENAL: TIROS DE CANHÃO EM JESUALDO?
COMENTÁRIO
Não restam dúvidas: foi o FC Porto temerário, atemorizado, com poucas forças para lutar, até contra a fortuna. Foi goleado, demolido, por cinco-zero. Caiu sem glória. Como um inexperiente trapezista que se atreve a subir para uma corda bamba, sem o chão à vista, o FC Porto tremeu sempre que o Arsenal se aproximou da sua baliza. Não foi capaz de retirar espaço aos gunners, deixou que utilizassem a sua melhor arma: aquele passa e repassa fácil, simples e extremamente eficaz. Com a bola nos pés, poucas equipas jogam tão bem quanto este Arsenal. Os portistas sabiam, por isso, que não poderiam falhar. Mas entraram demasiado receosos, incomodados pela ansiedade. Pagaram-no caro. Saem pela porta dos fundos da Liga dos Campeões. E dizer que Helton foi o melhor jogador azul?
Há dias em que o melhor é nem sair de casa. A exibição de Fucile em Londres é um exemplo horrível, incrível como um jogador pode ficar de tal forma ligado a uma derrota. O lateral uruguaio, admirado pela sua garra, símbolo da abnegação que os adeptos querem ver espelhada na equipa, ficou ligado a quatro dos cinco golos do Arsenal: involuntariamente colocou a bola nos pés de Bendtner e Eboué, nos primeiro e no terceiro golos, para além de uma falha colossal, verdadeiramente inaceitável, quando entregou a bola a Arshavin, que faria o passe para o segundo golo de Niklas Bendtner, e cometeu uma grande penalidade que culminou no último tento dos gunners. O último golpe num dragão há muito desaparecido, há muito com a bandeira enrolada, há muito com os braços em baixo.
Não se pretende com isto dizer que a culpa da derrota ante o Arsenal recai somente em Fucile. Fica ligado aos golos, contudo não é o único que deve ser crucificado. Esta equipa do FC Porto, convenhamos, não tem características para assumir o seu futebol. Os gunners não tinham Fabrègas, o cérebro de Arsène Wenger, mas ninguém se lembrou do espanhol. Nasri e Arshavin, dois jovens, talentos puros, diverte-se a jogar e levam toda a equipa atrás de si. Abriram brechas na defesa azul, apoiaram-se em Bendtner, um avançado letal, fadado para marcar a portugueses. O jogo sintetiza a época do FC Porto: passiva, sem agressividade, na expectativa, impotente para impedir o andamento do adversário. A equipa entrou numa verdadeira panóplia de erros, ruiu, deixou que o Arsenal jogasse a bel-prazer.
Se na primeira parte nunca os portistas incomodaram Almunia, não tendo capacidade para construir lances de futebol atacante, há que dizer que, após o descanso, surgiram com outra alma. Com dois golos de desvantagem, longe de ser impossível de recuperar, um tento bastaria para empatar a eliminatória, Jesualdo Ferreira prescindiu de Nuno André Coelho, a surpresa, central utilizado a trinco, sem qualquer rotinas nessa posição, para lançar Cristian Rodríguez. A equipa portista melhorou, equilibrou o jogo, aproximou-se do golo. Teve oportunidades. Estava na melhor fase do jogo, mas voltou a errar. Fatal. Nasri entrou na área, bola no pé, como um íman, fintas sucessivas, encarou com três jogadores portistas, driblou e rematou para o terceiro golo. Finito. Tudo resolvido. Passividade total. Demasiado fácil.
Onze dragões de cabeça baixa, sem um líder dentro de campo, verdadeiramente à deriva e servindo de cobaia para um Arsenal empenhado em engordar o resultado. A história do jogo estava escrita, restava aos portistas terminarem com dignidade. Haveria de ser igualado o resultado de Setembro de 2008, quatro golos sem resposta, remate de Eboué, "assistido" por Fucile, após um canto favorável ao FC Porto. Simbólico do desnorte completo dos portistas, esperando pelo final do jogo, esperando não serem ainda mais dizimados pelos canhões britânicos. Em cima dos noventa, Fucile, entrado num pesadelo sem fim, cometeu grande penalidade e deu a Bendtner a oportunidade de firmar o seu hat-trick. O dragão encolheu-se, caiu com estrondo. O Arsenal é bom, sim, mas nada justifica tamanha humilhação europeia.
Diria a razão que o campeonato já estava perdido, que era necessário apostar noutras frentes. O coração, contudo, mantinha a esperança. Uma réstia, um fio, mas ainda lá continuava. Não há equipa invencíveis, todos podem escorregar, por vezes onde menos se espera, o Benfica e o Sp.Braga poderiam perder pontos e o FC Porto chegar ao primeiro lugar. Ao seu sítio nos últimos quatro anos, incontestavelmente. A fé ainda se mantinha. Jesualdo Ferreira foi racional: com o aproximar do jogo com o Arsenal, da segunda mão dos oitavos-de-final da Liga dos Campeões, fez descansar Raúl Meireles, Rolando e Fucile, titularíssimos nos portistas e utilizados, a meio da semana, em jogos das suas selecções - Varela também não esteve no onze inicial. Amplamente favorito, ante o Olhanense, o FC Porto quebrou. De novo.
Um dos principais problemas deste FC Porto está no facto de dar espaço de manobra ao adversário. Não entra com agressividade, empurrando o adversário a partir do apito inicial, procurando o golo rápido, algo que era seu apanágio. Jogando no Dragão, sobretudo, é impensável que os dragões dêem avanço ao opositor. Fizeram-no com o Olhanense. Tal como já haviam feito com Belenenses e Paços de Ferreira. Adormecidos, envoltos no ritmo contrário, com um futebol em banho-maria, pouco discernimento e capacidade de simplificar. Em casa dos grandes, qualquer adversário de menor envergadura joga fechado, de forma pragmática, um empate sabe a vitória. Este FC Porto, no entanto, ao invés de ser incisivo, revela-se apático. Só desperta quando se vê em apuros. Fá-lo demasiado tarde, obviamente.
Estar a perder por dois golos, em casa, aos dezasseis minutos é algo impensável para uma equipa que ainda pretende manter-se na luta pelo título. O Olhanense joga um futebol vistoso para uma equipa que luta para não descer, não se fecha em esquemas tácticos ultra-defensivos, por vezes paga por isso, é certo, mas favorece o futebol. No Dragão, fez exactamente o mesmo: encarou o FC Porto com coragem, pressionou uma defesa intermitente, com Maicon sob brasas, fez dois golos de rajada, um bis de Djalmir, deixou os dragões ainda mais perdidos na sua ansiedade. Convenhamos: com hipóteses reduzidas de chegar ao pentacampeonato, vendo a Liga dos Campeões da próxima temporada longe, a perder por dois-zero com o Olhanense, que resposta poderia dar o FC Porto?
Há que dizê-lo: os dragões tiveram garra e fizeram de tudo para chegar ao golo. Essa era, contudo, a postura que deveriam ter adoptado desde que entraram no relvado, não correndo atrás do prejuízo. O FC Porto teve oportunidades, acertou por duas vezes nos ferros da baliza de Ventura, mas jogou mais com o coração do que com a cabeça, teve alma e não lucidez. Conseguiu chegar ao golo, a dez minutos do fim, num desvio de Falcao. Aumentou a fé de como ainda era possível inverter o rumo do jogo. Se é verdade que este dragão demonstra muitas fragilidades técnicas para quem quer ser campeão, tem jogadores completamente perdidos na manobra da equipa, também o é que não vira a cara à luta. Por isso conseguiu, in extremis, empatar. Por Guarín. O dragão pagou caro o avanço dado.