Categoria: Desporto

ENTREVISTA DOS LEITORES A PEDRO SOUSA

 

 

Quando o assunto é o jornalismo desportivo, particularmente em termos radiofónicos, Pedro Sousa é um dos nomes que mais facilmente associamos: sobretudo pelos seus relatos na Rádio Renascença, onde também edita o programa Bola Branca. Além disso, também pelas narrações de partidas de futebol internacional na Sport TV e ainda por ser a voz dos comentários do novo Pro Evolution Soccer, um dos mais famosos simuladores de futebol. Nove leitores do FUTEBOLÊS aproveitaram a oportunidade para entrevistar um dos mais conceituados jornalistas português.

DUAS DÉCADAS ATRÁS DOS MICROFONES
PATRÍCIA RODRIGUES: Qual foi, ao longo de todos estes anos como jornalista, o momento que mais o marcou?
PEDRO SOUSA: Há vários, mas escolho os jogos Portugal-Inglaterra de 2000, 2004 e 2006. Pela emoção, carga dramática e bom futebol. Foi puro entretenimento e um "gozo" brutal poder relatar esses jogos.

JORGE COSTA: Alguma vez se sentiu desiludido com a sua profissão? Ou, pelo contrário, pensa que fez a escolha certa?
PEDRO SOUSA: Dúvidas todos temos em certos momentos das nossas vidas. Devemos questionar-nos sempre, mas costumo dizer que faço o que gosto e ainda me pagam por cima.

DIOGO SOUSA: Tem a noção de que muito do público que a Rádio Renascença tem neste momento (quer na audiência de Bola Branca, quer nos relatos) se deve a si?
PEDRO SOUSA: A Rádio e particularmente a informação desportiva na Rádio Renascença, na Bola Branca e nos relatos, é o resultado de um trabalho de equipa, porque, tal como numa equipa de futebol, ninguém ganha jogos sozinho e, muitos menos, mal acompanhado.

RICARDO SILVA: Qual foi o jogo "mais triste" que relatou?
PEDRO SOUSA: Consigo abstrair-me com grande facilidade dessa componente, embora reconheça que no final do jogo Portugal-Grécia de 2004, tenha dado comigo a pensar como foi possível ter desperdiçado aquela oportunidade, que, provavelmente, não surgirá tão cedo outra vez.

RICARDO SILVA: Qual a situação mais caricata que viveu no relato de um jogo?
PEDRO SOUSA: Um dos primeiros relatos, ou simulacro de relato, foi um Mirense-Torreense, da Segunda Divisão, disputado em Porto de Mós. Fiz o relato encavalitado numa árvore.

RICARDO DIAS: No relato, o relator não pode correr o risco de ferir susceptibilidades. Alguma vez sentiu dificuldades para encontrar os termos adequados para descrever o que via?
PEDRO SOUSA: Muitas vezes isso acontece. E tão mais difícil ainda, porque muitos ouvintes estão a ver pela televisão e a ouvir pela rádio. E também tenho a noção que algumas vezes passei uma linha que eu próprio defini. Quando assim acontece, se por algum motivo feri susceptibilidades, o único caminho é pedir desculpa.

ANTÓNIO SILVA: Existe actualmente algum relator com quem se identifique ou pretenda seguir?
PEDRO SOUSA: Sem falsa modéstia, os melhores estão na Rádio Renascença, na linha de grandes nomes como Ribeiro Cristóvão e Romeu Correia, entre outros.

MUNDOS DIFERENTES: RÁDIO E TELEVISÃO, ONTEM E HOJE

DIOGO SOUSA: Sabendo que a rádio nao tem o destaque que tinha, por exemplo, nas décadas de 60 e 70 (por culpa da "chegada" da televisão) como vê a nova forma de fazer relatos desde aí? Sente que tiveram de adquirir novos "tiques" para captar a atenção do público?
PEDRO SOUSA: Saber viver com a concorrência, seja ela directa ou televisiva, é um dos grandes desafios da rádio. Não sinto que tenhamos adquirido "tiques" ou truques. Na rádio somos os olhos dos ouvintes, pelo que, saber contar e descrever o que estamos a assistir, é uma das grandes diferenças deste meio mágico.

ANTÓNIO SILVA: Quais as principais diferenças que encontra entre o relato radiofónico e a narração televisiva?
PEDRO SOUSA: A principal diferença, não sendo a única, é que na rádio somos os olhos das pessoas, enquanto na televisão o telespectador tem acesso ao mesmo conteúdo. Quero com isto dizer que na televisão devemos ser menos palavrosos e afastar evidências no nosso vocabulário.

PATRÍCIA RODRIGUES: Tem uma forma aberta de relatar, as expressões que habitualmente são instintivas ou é algo trabalhado?
PEDRO SOUSA: Por vezes são instintivas, mas, como é bom de perceber, os melhores improvisos são os que preparamos. Para quem está a começar sugiro que não abuse do instinto, porque pode correr mal.

DIOGO SOUSA: Sente que os relatos futebolísticos estão apenas restritos a homens? Se uma mulher aparecesse neste momento a fazer um relato, como pensa que seria aceite?
PEDRO SOUSA: Não consigo ver as coisas dessa forma. A diferença, para melhor, homem ou mulher, deve estar na competência, independentemente do sexo. Agora, reconheço que até este momento tem sido um meio difícil para as mulheres, mas não tenho dúvidas, que a surgir, seria bem aceite.

(CONTINUA)

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A AVALANCHA DA REVOLTA

Cinco golos, uma exibição consistente e a confirmação de que o campeão está na luta. Somos Porto! repetiram os jogadores na véspera da partida. O plantel unira-se, todos juntos para dar a volta às adversidades e mostar a sua revolta pelos castigos aplicados a dois dos seus membros. Afectados no seu brio. Depois do desaire em Matosinhos, o jogo com o Sp.Braga tinha a vitória como único cenário para os portistas. Uma derrota deixaria os dragões com onze pontos de atraso. A resposta foi forte. Avassaladora, até. O FC Porto foi eficaz, goleador, quebrou a esperança do Sp.Braga em deixar a corrida ao título a dois.

Há muito eram esperados, mas a confirmação dos castigos a Hulk e Sapunaru bateram com estrondo nos portistas. O plantel juntou-se, revoltado, mostrou-se mais forte do que nunca e prometeu luta até final, sempre na procura da vitória, sempre fazendo jus ao nome que defendem. Um jogo decisivo, na recepção ao Sp.Braga, para ficarem desfeitas as dúvidas sobre quem parte para o último terço do campeonato na corrida ao título. Ambiente de jogo grande, expectativa elevada, alta voltagem, bracarenses na esperança de recuperarem a liderança ao Benfica, portistas atrás do tempo perdido. Onze dragões feridos no seu orgulho, apoiados por um estádio repleto de esperança e indignação, ingredientes contrários, é certo, mas motivadores para a garra da equipa.

O FC Porto começou com ritmo alto, jogando no território bracarense com posse de bola. Num Sp.Braga mais móvel do que habitual no ataque, sem o goleador Meyong e com três jogadores rápidos e versáteis, Alan, Mossoró e Paulo César, a ideia de Domingos passava por aproveitar os espaços que os portistas fossem dando, imprimindo velocidade nas faixas laterais. Numa primeira incursão, Mossoró, de regresso após castigo, embrulhou-se e caiu na área em luta com Álvaro Pereira. Olegário Benquerença entendeu ser simulação, puniu o bracarense com um cartão amarelo. O lance é muito duvidoso, contudo. Depois, foi a vez de Alan rematar perto do poste da baliza de Helton. Jogados quinze minutos, havia equlíbrio. Era o esperado, aliás.

Os portistas sentiram a sua serenidade em perigo, procuraram retribuir no lado contrário e obrigar a defesa bracarense a trabalho. A resposta foi rápida e letal. Helton bateu o pontapé de baliza, a bola foi para Varela, o extremo correu e cruzou para a entrada da pequena área. A pedir um desvio. Os defesas do Sp.Braga preocuparam-se em guardar Falcao, deixaram espaço livre para a progressão de Raul Meireles, vindo de trás, como uma flecha: fez a segunda parte do serviço, encostou para a baliza de Eduardo. Foi o culminar da libertação da raiva que atormentava os portistas. Seguiu-se uma tentativa de reacção da equipa bracarense. O Sp.Braga conseguiu ter bola, embora sem nunca criar verdadeiro perigo para Helton.

O XEQUE-MATE AOS TRINTA E SEIS MINUTOS

Depois, bem, depois Álvaro Pereira decidiu abrilhantar o jogo, dar-lhe um toque de classe para tranquilizar a equipa. El Palito pegou na bola, a uns bons trinta e cinco metros da baliza, rematou forte e colocado para o segundo golo. Surgido a dez minutos do intervalo, momento certo para desmoralizar os bracarenses e complicar a sua tarefa de mudar o rumo do jogo. Jogada seguinte, novo golo. O terceiro. Se o de Álvaro Pereira teve talento individual, neste sobressaiu a força do colectivo: abertura para Varela, cruzamento largo, golo de Falcao perante Eduardo. O campeão puxou dos galões, encostou o Sp.Braga às cordas. Nunca os bracarenses haviam sofrido tantos golos num só jogo. Domingos baixava a cabeça. O FC Porto transformara-se num vendaval ofensivo.

Com três golos de avanço e com jogos importantes pela frente, os portistas baixaram o ritmo. Tinham o jogo na mão. Para o ganhar bastava gerir. Ao intervalo, Domingos emendou a mão, lançou Meyong, a referência de área, e prescindiu de Hugo Viana. O Sp.Braga que tanto tempo tem estado no topo, sempre na luta, que é um novo candidato a campeão, apagara-se no Dragão. Queria reagir, era tarde. Mossoró voltaria a cair na área, derrubado por Raúl Meireles, Olegário errou ao não marcar falta - nem mostrou amarelo, poupando o médio pela segunda vez. Mas este era o jogo do FC Porto. Mesmo em contenção, chegou ao quarto. Falcao elevou-se a Paulão, cabeceou para dentro da baliza de Eduardo. Olegário Benquerença entrara numa panóplia de erros, seguiu-se uma expulsão perdoada a Rafael Bastos.

A equipa bracarense apenas sofrera oito golos até jogar no Dragão. Frente ao FC Porto perdeu essa sua imagem de marca, ruiu pela base, foi impotente para impedir o engordar natural do resultado. A partir do terceiro golo pouco mais haveria a fazer. Animicamente, a equipa caíra. Por entre olés e o êxtase do público, Belluschi fez o quinto golo. O golpe de misericórdia num Sp.Braga que há muito encolhera os ombros, um novo buraco numa barreira que parecia intransponível. O resultado pesava, o FC Porto iria ganhar, mas ainda havia a honra bracarense em jogo. Já nos descontos, Alan marcou para o Sp.Braga. De nada vale no resultado. Resta esperar pela reacção dos guerreiros que perderam a batalha. Não a guerra.

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COMENTÁRIO

Lukasz Fabianski seria, à partida, o suplente de Almunia. Em vésperas de jogar no Dragão, o guarrda-redes titular lesionou-se e o polaco saltou para ocupar a vaga. Não estaria à espera, contudo, de uma noite tão negra. Para além de não ter sido o escudo que a equipa precisava, apesar de ainda ter feito um par de boas defesas, falhou em dois momentos fundamentais. O FC Porto agradeceu as benesses, cumpriu a sua parte, festejou e ganhou. Depois de onze minutos intensos, ofensivos, com duas ameaças de Rúben Micael e Hulk, uma espécie de D. Sebastião do Porto, pelo meio, os portistas marcaram. Um golo fortuito, a primeira prenda de Fabianski para o Dragão: Varela cruzou largo, demasiado adiantado para os colegas, demasiado fácil para neutralizar e o o guarda-redes lançou-se à bola. Foi atabalhoado, deu golo.

Em desvantagem, mesmo com uma equipa retalhada, o Arsenal conseguiu circular a bola junto da área de Helton, criou oportunidades para um empate que o guarda-redes brasileiro negou, aproveitou um recuo portista. Oito minutos depois de marcar, foi a vez de o FC Porto agradecer o presente de Fabianski. A bola sobrevoou toda a área, ninguém a afastou, chegou a Sol Campbell: sozinho, sem que ninguém ousasse chegar-lhe perto, atirou para a baliza de Helton. Como foi possível deixar aquele gigante isolado a dois metros da linha de golo? O jogo estava equilibrado, o resultado certo, o apito de Martin Hansson foi quebrando o ritmo. O FC Porto concedeu demasiado espaço de acção ao Arsenal, viu os Helton travar um cabeceamento forte de Bendtner. Respondeu Rúben Micael, foi a oportunidade de redenção para Fabianski.

A defesa do guarda-redes do Arsenal, ainda antes do intervalo, serviu para atenuar um pouco a imagem dasastrada que ficara do primeiro golo. Porém, estava escrito que Fabianski haveria de ser o vilão. Cinquenta e um minutos: Falcao é lançado em profundidade, corre com o veterano Campbell, pouca frescura, obriga o central, entre múltiplas hesitações, a atrasar a bola para o seu guarda-redes. Lukasz Fabianski, ingénuo, segura a bola com as mãos. Livre para o FC Porto. Rúben Micael recebe a bola do guarda-redes adversário, coloca-a no chão, dá para Falcao fazer o segundo golo. Olhos postos em Martin Hansson, tudo legal, tudo certo, vantagem azul, ataque de nervos de Arsène Wenger. Daí até final, excepção feita ao último esforço dos gunners, o FC Porto controlou a partida, foi firme e consistente na forma como geriu a partida.

Apesar disso, o resultado não é totalmente satisfatório. Ganhou, é certo, mas sofreu golos. Na Liga dos Campeões, onde as contas finais dependem imenso dos resultados alcançados fora de casa, poderá ser um factor importante. Seja como for, o FC Porto mostrou que tem condições para estar presente nos quartos-de-final da competição. Tudo se decidirá, a 9 de Março, no Emirates Stadium. Aí, por certo, o Arsenal já contará com jogadores importantes como Almunia, Gallas, Arshavin ou Eduardo que, por lesão, falharam a partida no Porto. Para os dragões é imperativo que não concedam tanto espaço ao Arsenal. Está, portanto, tudo em aberto. A primeira batalha ante os gunners foi vencida. Com um contributo de Fabianski.

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A luz ao fundo do túnel, por fim. Foram anunciadas, hoje, as consequências dos incidentes ocorridos no final do Benfica-FC Porto, a 20 de Dezembro: Hulk foi castigado com quatro meses de suspensão, Sapunaru com seis meses e o Benfica multado em mil e quinhentos euros por actuação provocatória dos stewards. Ora, esta acção dos elementos da empresa de segurança contratada pelo clube encarnado foi, nas palavras de Ricardo Costa, presidente da Comissão Disciplinar da Liga, uma atenuante que permitiu reduzir as penas a aplicar aos jogadores do FC Porto - a moldura penal variava entre seis meses e três anos, mas, devido a esta situação, foi reduzida para metade. Conforme adiantou Ricardo Costa, o Benfica é penalizado por não ter sido mantida a ordem no caminho para os balneários.

Com suporte nas provas testemunhais recolhidas, o relatório dos delegados do jogo, da equipa de arbitragem e das forças policiais, ouvidos na fase de instrução do processo, a Comissão Disciplinar aplicou os castigos, dentro da moldura penal, que lhe pareceram justificados pelos indícios recolhidos. Não há, por isso, qualquer discussão relativamente a esse tema: o inquérito foi instaurado, as testemunhas ouvidas, lidos os relatórios e foram tomadas estas decisões penalizadoras. Levanta-se, contudo, um problema: o atraso para serem conhecidas as sanções a aplicar. Segundo um cronograma anexado ao acórdão da Comissão Disciplinar, o processo foi entregue ao seu instrutor no dia 23 de Dezembro. Os castigos conhecidos a 19 de Fevereiro.

Num processo tão importante quanto esta, para o clube, mas, acima de tudo, para os futebolistas profissionais indicados, a decisão tem que ser tomada e conhecida o quanto antes. Suspensos preventivamente até ao final do inquérito, os jogadores ficaram impedidos de dar o seu contributo à equipa - algo previsto nos regulamentos, o maior problema de toda a questão. O tempo passou, a fase de instrução manteve-se, tardaram em ser conhecidas as decisões. Apenas hoje a Comissão Disciplinar as anunciou. Diz Ricardo Costa que se tratou de uma decisão célere. Não foi, obviamente. Dois meses, com doze jogos pelo meio, é demasiado tempo para deliberar castigar quem quer que seja. A justiça desportiva, à semelhança do sucedido após o Sp.Braga-Benfica, foi pouco lesta na sua acção.

O tempo em que esteve suspenso, sem saber o resultado da averiguação disciplinar, corresponde a metade do castigo aplicado a Hulk. É fundamental, a bem da credibilização do futebol, que a justiça seja rápida a agir. Os jogadores, profissionais de futebol, não poderiam ter estado tanto tempo neste impasse. Este caso do túnel é, indiscutivelmente, o expoente máximo de uma época marcada por inúmera polémica. E poderá não estar terminado, já que o FC Porto tem, ainda, a possibilidade de recorrer para o Conselho de Justiça da Federação Portuguesa de Futebol, na esperança de ver mudada a sanção aos seus atletas - sobretudo a Hulk, uma vez que Sapunaru foi emprestado, até final da temporada, ao Rapid de Bucareste.

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ANÁLISE

Jornada de empatas, oportunidade agarrada pelos líderes para se destacarem da concorrência mais próxima: o Benfica mantém o primeiro lugar, um ponto e um jogo a mais, o Sp.Braga mantém o sonho do título intacto, continua a alimentá-lo de pontos, de vitórias e de solidez. A vigésima jornada, a próxima, será escaldante. O Benfica tem o seu jogo com o União de Leiria ganho, jogou-o antecipadamente. As atenções estarão, por isso, complementamente centradas no Dragão, num Sp.Braga e FC Porto de enorme importância. Os bracarenses podem ser líderes isolados, o campeão ficará demasiado longe do título. Ou, por outro lado, o FC Porto poderá recuperar... e deixar o Benfica no trono.


Sem ponta de deslumbramento, vivendo à sombra de um golo precoce à luz do dia, o Benfica venceu o Belenenses. Nem outra coisa seria de esperar, aliás, neste duelo, um derby, de extremos, entre primeiro e último classificados. O golo marcado por Óscar Cardozo, a papel químico do obtido frente ao União de Leiria, num cabeceamento fácil junto à baliza, jogando nas costas da defesa contrária, fez com que o Benfica arrumasse rapidamente a questão e se servisse da eficácia do paraguaio como uma almofada. Acomodou-se à vantagem. O Belenenses deu uma imagem bem positiva, deixou indicações para um futuro melhor, mostrou poder largar o último lugar. Se no futebol há vitórias morais, para a equipa de Toni, esta foi uma.


Portas abertas, enchente nas bancadas, confiança em alta para manter bem acesa a chama bracarense. Acossados pela vitória do Benfica, com um adversário complicado pela frente, o Marítimo, era necessário que os jogadores dessem uma resposta inequívoca. Têm valor, disso já ninguém duvida, mas no futebol é imperativo que a mente acompanhe tudo aquilo que o corpo quer fazer. Não basta dizer que é candidato, precisa de o mostrar no campo. É isso que o Sp.Braga faz. A exibição ante os maritimistas não foi um regalo para a vista, foi capaz para desatar dois nós: Meyong desbloqueou o nulo, um golaço de Djalma fez regressar tudo ao início, Luís Aguiar deu a vitória - num lance antecedido de irregularidade. De raiva.

A vitória, um único caminho para recuperar a rota do título, proibição de errar. Num derby antigo, na casa do Leixões, agora motivado pela chegada de Fernando Castro Santos, sabia-se que os dragões não teriam tarefa facilitada. Como se no relvado se apresentasse um aviso gigante: perigo de queda. Os leixonenses fizeram por se mostrar, não só ao campeão mas também ao novo treinador, aproveitaram uma entrada em falso do FC Porto. À medida que os portistas se tornaram mais incisivos, embora muito perdulários e nada eficientes na finalização, o Leixões endureceu o seu jogo. Conseguiu prolongar o nulo, teve mérito no demérito azul. Sobram, ainda, queixas de Bruno Paixão: não marcou uma grande penalidade sobre Rúben Micael.

Uma equipa grande em queda livre, um Sporting em recaída depois da retoma, de novo em graves problemas, na busca de quebrar um ciclo horrível de quatro derrotas. Uma deslocação tradicionalmente difícil a Paços de Ferreira, frente a uma equipa tranquila e moralizada. Como reagiriam os leões depois de terem deitado tudo a perder? Com uma exibição fraca, sem dinâmica, sem a velocidade que se impunha. O Paços de Ferreira apostou na solidez, pouco fez para chegar à baliza de Rui Patrício. O jogo foi demasiado mau. Teve emoção no final, quando Matías Fernández, por duas vezes, não conseguiu colocar a bola na baliza pacense. Foi tarde. O nulo fica-lhes bem, assenta na perfeição, perante tamanha falta de futebol bem jogado.

Pela segunda jornada consecutiva, o Sporting corria o risco de ser passado pela União de Leiria. Objectivo falhado. Das duas vezes, já que os leirienses empataram com o Vitória de Setúbal - sexto jogo seguido dos sadinos sem perder, quinto empate desde a vitória com o Marítimo. O Rio Ave poderia ter igualado os leões, mas também não o conseguiu - a um, na Madeira, ante o Nacional. Jornada de empates, vai mais um: em Coimbra, a um, entre Académica e Olhanense. E outro, no encerramento da jornada, para começar na Figueira da Foz como começara em Paços de Ferreira: sem golos. Entre Naval e Vitória de Guimarães. Distanciamento do Benfica e do Sp.Braga no topo, mais um ponto a separar o Belenenses da salvação.

 

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HÁ MAR E MAR, HÁ IR E... EMPATAR

 

Ponto prévio: o FC Porto atrasou-se na luta pelo título. No Mar, os dragões patinaram frente a um Leixões, no pós-José Mota e na estreia de Fernando Castro Santos, mudado para bem melhor. Há, portanto, mérito do adversário na forma como iniciou o jogo, como foi prolongando o nulo e, após ter quebrado fisicamente, enervou os portistas e compôs a sua defesa. Não é bonito, é claro que não, nem muito menos é futebol, mas é a estratégia utilizada quando nenhuma outra resta. Aos leixonenses, a precisar de pontos para sair urgentemente dos últimos lugares, este empate sabe a vitória. Ante o campeão, um grande e um rival da cidade que se tem dado bem nestes confrontos. Aos portistas, são nove pontos que separam o Benfica, embora o líder tenha um jogo a mais. Ainda conseguirão escalar para o topo?

O empate do FC Porto ante o Leixões explica-se em vários factores. O primeiro deles é bem claro, prende-se com a acção da equipa azul que entrou mal no jogo, não conseguiu assumir a sua superioridade, voltou a viver velhos problemas na ligação para o ataque e faltou-lhe velocidade e imaginação para romper a defensiva leixonense. Por isso, foi dando espaço para que o Leixões procurasse a sua sorte. Jogo duro, sem espaço a brilhantismos, mais físico do que técnico e, acima de tudo, prático para chegar aos pontos: é esta a filosofia de Castro Santos, no regresso ao futebol português, para colocar os matosinhenses numa posição estável na tabela. O FC Porto, há que dizê-lo, nunca se soube adaptar às condições bélicas impostas. Houve, depois, outro problema nos dragões: a eficácia. Ou a falta dela.

O exemplo mais gritante da displicência que invadiu os portistas nesta visita a Matosinhos foi dado por Silvestre Varela. Ficou com a bola nos pés, isolado e com tudo para marcar, correu em direcção à baliza do Leixões. O extremo poderia ter rematado para a baliza, mas pretendeu contornar o guarda-redes e não teve sucesso. Há mérito na forma como Diego saiu rapidamente da baliza e reduziu o espaço, sem dúvida, mas Varela tinha tudo para fazer melhor. Antes disso, Belluschi acertara em cheio na trave. O FC Porto melhorara. Mas, lá está, faltou a eficácia. Os leixonenses fizeram do seu jogo uma batalha agressiva e disputada, os dragões não tiveram capacidade para derrotar a muralha. O último factor: uma grande penalidade que Bruno Paixão deixou passar em claro. Tudo junto dá um empate amargo.

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TEXTO ORIGINAL

 

Com um ar sobranceiro de desinteresse, sem colocar os melhores nos seus lugares, em pézinhos de lã, o FC Porto está na final da Taça da Liga. Longe de ser brilhante, promovendo rotatividade do plantel, algo que mostra bem que o investimento dos dragões nesta competição é baixo. A lógica dos portistas, relativamente à Taça da Liga, é bem clara: importa ganhar, obviamente, mas se o objectivo for falhado não virá mal nenhum ao mundo por isso, afinal trata-se de uma competição que apenas surge após o campeonato e a Taça de Portugal. O exemplo mais gritante dessa espécie de ***cote à mais recente competição nacional foi dado na época passada, em Alvalade, quando o FC Porto se apresentou sem nenhum dos habituais titulares - acabou derrotado por 4-1. Esta época, o pensamento foi o mesmo, o rumo diferente.

O sorteio, nas meias-finais, colocou o FC Porto frente à Académica, no Dragão. Os portistas, para além de jogarem em casa, evitaram também ter de defrontrar um grande. Superiores, favoritos a estar na primeira final em três anos. Mesmo assim, rotatividade na equipa. É essa a linha que tem sido seguida e há que mantê-la. Foi, aliás, um novo teste às alternativas que Jesualdo Ferreira tem para Helton, Fucile, Rolando, Rubén Micael, Varela e Falcao. Com Nuno, Miguel Lopes, Nuno André Coelho, Guarín, Valeri e Orlando Sá, uma equipa montada em 4x4x2, o esquema secundário, para defrontar uma Académica na busca de um sonho e moralizada pela vitória, para o campeonato, ante o Sporting, em Alvalade. A primeira parte resultou num jogo morno, equilibrado, dividido em algum ascendente a fases.

A Académica começara melhor, o FC Porto reequilibrara. Para a segunda parte era preciso mais ritmo. Jesualdo Ferreira percebeu que a equipa evidenciava dificuldades para conseguir ligar o seu jogo e construir lances de ataque, regressou ao 4x3x3. Com a mudança táctica, o FC Porto ganhou profundidade e aumentou a intensidade. Todavia, também a Académica dispôs de mais espaço para se mostrar: futebol escorreito, sem complexos, na procura da vitória, lutando de igual com o campeão. O nulo, contudo, continuava sem solução. Até que apareceu Mariano González (80'). Teve espaço, rematou forte, fez um grande golo. Justo ou não, o argentino é assim: amado e odiado, herói e vilão, agora excepcional e incrivelmente trapalhão logo após. Algarve, 20 de Março, novo capítulo de uma saga imortal: Benfica-FC Porto.

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ANÁLISE

Agora líder, a ideia do Benfica, ao antecipar o jogo da vigésima jornada, passa por carregar os ombros dos rivais e manter-se leve como uma pluma. Querer fazer algo demasiadamente pressionado, em geral, dá mau resultado. Na prática, contudo, o resultado não foi totalmente bom: se é verdade que essa margem que o Benfica conquistou, graças ao triunfo com o União de Leiria, lhe vale o primeiro lugar, em Setúbal, ante o Vitória, deu a ideia de que os maiores pressionados eram mesmo os encarnados. Sp.Braga e FC Porto aproveitaram e estão mais perto. Os bracarenses conseguiram uma vitória memorável no Restelo (1-3), os portistas passaram a Naval. O Sporting, depois da recuperação, entrou novamente numa fase de grande atribulação.
 
A águia encontrou turbulência no seu vôo. Em Setúbal, para o Vitória, era uma questão de brio: os 8-1 da primeira volta, a demolição total de uma equipa sadina na Luz, estava ainda bem presente. Este Benfica não está tão avassalador como então, nem o Vitória tão débil, mas são bem evidentes as desigualdades existentes entre ambos. Por esta altura, os encarnados jogam um futebol consistente, os sadinos têm a garra de Manuel Fernandes. Em Setúbal, porém, os benfiquistas tropeçaram. Faltou inspiração, sobretudo. O Vitória tem mérito na forma como reduziu o espaço de acção do Benfica, impedindo que a qualidade individual sobressaísse. Foi feliz, também, sobretudo da forma como empatou - um lance incrível de David Luiz. E no final: Cardozo teve o golo nos pés, numa grande penalidade, a vitória ficou na barra.


Uns guerreiros que suportam tudo. Queriam testar a resistência do Sp.Braga? O Restelo foi, então, um grande teste à capacidade minhota: primeiro jogo do campeonato sem Vandinho e Mossoró, pressionados por olharem para cima e, agora, terem o Benfica à frente. Os encarnados têm mais um jogo, mas empataram no Bonfim. Ao Sp.Braga, Domingos já o tinha dito, o escorregão dos encarnados era mais um estímulo. As dificuldades, contudo, aumentaram: uma grande penalidade e uma expulsão, de Moisés, aos quinze minutos. Eduardo agigantou-se, atirou as pretensões do Belenenses para bem longe dali. Mais: foi o mote para uma vitória categórica, repleta de cinismo e com uma eficácia quase total. As grandes equipas crescem assim. Está aí, bem à vista, a prova cabal de força vinda dos bracarenses.

No Dragão, no jogo da Taça de Portugal, o FC Porto atingiu o pico exibicional desta temporada: subjugou o Sporting, teve domínio total do jogo, deu pouco espaço de manobra aos leões e juntou-lhe os golos. Na recepção à Naval, ninguém esperaria que os portistas voltassem a jogar futebol de alto nível. Aliás, o próprio adversário, uma equipa que joga habitualmente fechada e faz da coesão defensiva a sua maior arma, não o permitiria. Frente aos figueirenses, era necessário um jogo paciente e prático. Tomás Costa abriu o marcador, deu tranquilidade ao FC Porto, encaminhou a vitória, obrigou a Naval a arriscar algo. Os dragões ganharam 3-0. Com todo o mérito. Falcao, um finalizador letal, fez o golo da praxe. Varela colocou a cereja no topo do bolo, já em cima do final. O dragão está em recuperação da chama.

Pela terceira vez consecutiva, o leão bateu com estrondo. O adeus há muito anunciado ao título confirmou-se em Braga, na ronda anterior. Pelo meio, até este jogo com a Académica, o Sporting acabou derrotado, no Dragão, para a Taça, por números gordos. Importava, por isso, no regresso a Alvalade ultrapassar essas duas derrotas, recuperar a série vitoriosa e fazer tréguas na relação atribulada com os adeptos. Jogou sob brasas. No terceiro minuto, num erro de Rui Patrício que ecoou nas bancadas, os estudantes colocaram-se em vantagem. O Sporting conseguiu chegar ao empate, criou oportunidades para passar para a frente, levou a Académica a recuar para o seu último reduto. Instalou-se no ataque. Perdida de bola, contra-ataque supersónico, novo golo da equipa de Villas Boas. Mais do que isso: outra machadada no Sporting.

Abriu-se a possibilidade, para o União de Leiria, beneficiando da derrota do Sporting, de ultrapassar os leões e subir ao quarto lugar, mas os leirienses saíram derrotados, por 1-0, dos Barreiros (o Marítimo está, agora, a somente um ponto da equipa de Lito Vidigal). Na luta pelos lugares europeus, o Vitória de Guimarães atrasou-se, perdendo, em casa, com o Paços de Ferreira, que, ao invés, consegue um suplemento de confiança para a luta pela manutenção - os vimaranenses levam três jogos sem vencer. O Leixões mantém-se nos lugares de descida, após ter sido vencido em Vila do Conde, por 2-0, com dois golpes de génio de Bruno Gama (um jogo que culminou no abandono de José Mota dos leixonenses). O Olhanense conseguiu vencer o Nacional, por 1-0, conquistado três pontos preciosos.

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A DEGOLA DOS INOCENTES

Em Braga, o Sporting perdeu definitivamente o com***o do campeonato. Tinha, no Dragão, uma oportunidade de ouro para ultrapassar um adversário directo e marcar posição na Taça de Portugal, procurando ficar com algo de palpável nesta temporada. Para o FC Porto, um título para defender, uma diferença sobre os leões para atenuar no número de provas conquistadas. Jogo dividido, à partida. Sim, ninguém esperava que fosse uma verdadeira degola dos inocentes. Como foi. Resultado histórico: cinco para o FC Porto, dois para o Sporting. Loucura no Dragão, vergonha de corar dos sportinguistas. O dragão queimou o leão.

FC Porto-Sporting, clássico do futebol português, da Taça de Portugal, uma espécie de final antecipada e transferida do Jamor para o Dragão. Início de um mês louco, recheado de futebol, decisivo para as duas equipas: os leões estão arredados da luta pelo campeonato e viram atenções para as taças, ao passo que os dragões pretendem guardar um título conquistado na época anterior. Um clássico é sempre um clássico, ninguém se quer sentir vergado por um adversário directo. O FC Porto teve uma entrada a todo o gás: ganhou superioridade no meio-campo, tomou conta da bola, conseguiu criar lances de perigo para a baliza de Rui Patrício. Dezoito minutos, depois de o anunciar, chegou ao golo. O Sporting, esse, ainda não tinha entrado verdadeiramente em campo.

O FC Porto marcou. E fê-lo com justiça, perante a superioridade inicial que demonstrou. A vantagem, contudo, durou somente quatro minutos: Izmailov disparou um míssil, Beto não teve armas para o travar, o Sporting empatou. E despertou. Com o golo e com a mutação entre Izmailov e Miguel Veloso, da esquerda para a direita, da direita para a esquerda, claramente onde cada um deles obtém maior rendimento, a equipa leonina conseguiu equilibrar o jogo. Até aparecer uma nova oportunidade. Um novo golo. Eficácia invejável, não? Minuto trinta e quatro: Falcao ganhou a bola, disparou de fora de área, Patrício deixou que lhe fugisse, o dragão voltou a colocar-se na frente. Automaticamente, o FC Porto reassumiu a superioridade que evidenciara até ao empate. Izmailov apenas mexeu.

O EXTÂSE DE UNS É A VERGONHA DE OUTROS

Carlos Carvalhal percebeu que algo na sua equipa não estava bem. Era necessário aumentar a capacidade ofensiva, procurar equilibrar a balança no meio, trocou Adrien Silva por Matías Fernandéz. Imperativo que a equipa conseguisse ligar melhor o seu jogo, construindo futebol atacante e procurando descompensar a defesa do FC Porto. Na teoria, a ideia era essa. Na prática, contudo, antes de qualquer reacção que o Sporting mostrasse, os portistas aumentaram a vantagem: Rúben Micael desenhou o projecto e Falcao deu cor a um quadro azul, azulão, uma vantagem inequívoca. A substituição tinha sido feita há pouco, o FC Porto voltou a atirar o leão ao tapete sem dó. Se não foi o knock-out ao intervalo, quase. Futebol dinâmico e quatro golos. Que mais se lhes pede?

Restava, para a segunda parte, que o Sporting reagisse. Teria forçosamente de entrar pressionante, aguerrido, na busca de um golo que relançasse o resultado. A ideia, mais uma vez, só podia ser essa. Mais uma vez, o FC Porto não deu espaço para que tivesse efeito. Três minutos da segunda parte, golo de Varela, um leão cada vez mais combalido, um dragão imperial. Agora, sim, as dúvidas estavam desfeitas: o Sporting não tinha recursos para ainda discutir a eliminatória. Bateram os dez minutos da segunda parte, Mariano González resolveu fazer um daqueles golos de bandeira, puro espectáculo, visto e revisto. O mal-amado, patinho feio da equipa, levou o Dragão ao extâse. Cinco-a-um?! Carlos Carvalhal baixou a cabeça, absoluta desilusão. O público no clímax, olés ao rival.

Uma pergunta pertinente nesta crónica: que é feito da agressividade do leão? Desapareceu, simplesmente? Esta equipa, convenhamos, não tem nada de Sporting. Falta garra. Os leões estiveram demasiado mal, recuperaram com Carlos Carvalhal, pensou-se que seria a retoma total, mas não foi: as vitórias serviram apenas para atenuar a má imagem da primeira metade de temporada, esta equipa mantém todas as deficiências de outrora. Perdera em Braga, mesmo não sendo inferior, o título; cai, agora, da Taça de Portugal vergado a uma derrota humilhante na casa de um dos maiores rivais. O FC Porto aproveitou, alcançou uma vitória que injecta moral para uma fase decisiva da época. Voltando ao jogo: Liedson, em cima dos noventa, reduziu a derrota. Cinco-a-dois, ponto final.

Categoria: Desporto

Texto original no blogue FUTEBOLÊS, clicando aqui!

 

 

Sem desarmar, colados como íman, inseparáveis. Sp.Braga e Benfica, desde a décima segunda jornada, estão em igualdade pontual no topo da tabela. Companhia indesejável, já se sabe, que qualquer um deles gostaria de ver para trás. O cadeirão de líder é grande, sim, mas torna-se desconfortável quando ocupado por outros. Atrás, na perseguição ao atraso para o pentacampeonato, continua o FC Porto. Os portistas estão bem cientes da proibição de perder pontos nesta fase para a corrida a três. Sim, três: para o Sporting já era complicado recuperar a desvantagem, agora, depois de ser derrotado em Braga, é... missão impossível!

Para se ser melhor não basta ter um jogo mais belo, é necessário ser mais consistente. Não adianta apenas colocar magia quando falta coesão, as individualidades raramente se sobrepõem ao colectivo. Este Sp.Braga funciona assim. Funciona como uma grande equipa, como quem sabe o que quer e tem uma estratégia bem delineada. Os testes sucedem-se, as vitórias também, mantém-se a humildade e a recusa de assumir a candidatura ao que quer que seja. O pensamento passa por cada jogo. Neste, com o Sporting, a exibição não foi um regalo para a vista, nada disso, mas foi consistente, sólida e teve a pontinha de felicidade necessária. Guerreiros cada vez mais na luta, leões abatidos num tiro de Paulo César.

Sem dar qualquer passo em falso, perseguição que não finda. O Benfica mantém-se colado ao topo, olhos postos no primeiro lugar, convicção de que o título é bem possível. Um futebol solidificado, superior e que deixa o adversário reduzido à sua área, impedindo que tenha bola. Não é sufocante como no início, é dominador e senhorial do território e das zonas de batalha. No tira-teimas, o quarto jogo da época com o Vitória de Guimarães, sobressaiu Carlos Martins. Fez dois golos espectaculares, tiros de canhão num castelo que ruiu. Um verdadeiro diabo à solta. O Benfica ganhou com justiça, foi melhor, não deu chances à reacção vimaranense. Nem quando Martins inverteu o papel de herói, foi vilão e deixou a equipa com menos um.

Ainda agora chegou mas já tem o comando do futebol da equipa: Rúben Micael, segundo jogo pelos dragões, estreia no campeonato, foi o centro do jogo do FC Porto, a partir de onde se desenrolou o futebol portista. O médio madeirense integrou-se bem, parece que já joga com estes companheiros há muito. Frente ao Nacional, na Choupana, num terreno complicado, as dificuldades quedaram-se pela meia-hora de jogo: penalty para o FC Porto, expulsão de Alex Bruno, golo de Varela. Com menos um jogador, o Nacional revelou-se incapaz de tentar reagir e, durante a hora que ainda faltava, os portistas tomaram conta do jogo. Varela marcou mais um, Falcao também acrescentou dois golos à lista. O dragão deu um ar de graça.

A União de Leiria, desde que Lito Vidigal assumiu o comando, tem escalado a tabela.
Actualmente, após a vitória sobre o Olhanense, por 2-0, os leirienses chegaram ao quinto lugar, com apenas um ponto de atraso para o Sporting, têm a manutenção quase assegurada e poderão ambicionar uma classificação mais aliciante. O Paços de Ferreira, com uma reviravolta sobre a Académica (2-1), conseguiu também pontos importantes que lhe permitem algum desafogo. Nos lugares de descida, o Belenenses mantém-se em último (perdeu, com a Naval, por 1-0) e o Leixões voltou a cair para o penúltimo posto (foi derrotado pelo Marítimo, 1-2), trocando com o Vitória de Setúbal, que empatou (2-2) com o Rio Ave.

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