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Onze guerreiros em força, onze leões procurando reerguer-se após terem batido no tapete. A vitória como objectivo comum. Há, porém, muito mais do que três pontos em jogo: os guerreiros querem provar sem espaço a dúvidas que têm capacidade para lutar com qualquer adversário, os leões necessitam de recuperar o estatuto superior que deixava os outros com poucas hipóteses de sobrevivência. Um coliseu, a casa dos lutadores, composto por aqueles que anseiam saber com quem realmente podem contar e desejosos de assistir ao golpe de misericórdia nas aspirações do felino, eliminando-o do confronto e reduzindo o número de adversários. É assim, com um passo de cada vez, nenhum em falso, que as surpresas poderão acontecer. Não é fácil contrariar a lógica que favorece os mais fortes.
Em casa, mandam os que lá estão. Se os residentes liderarem o campeonato, ainda mais força ganha essa ideia. Sem complexos, os bracarenses chamaram a si o favoritismo, depois do pleno de triunfos grandes na primeira volta, cada vez mais solidificados no topo. Carlos Carvalhal, todavia, alertou para as qualidades dos seus: sete vitórias consecutivas, registo puramente triunfador após a paragem, clara subida de rendimento e, portanto, uma palavra a dizer. O início do jogo deu-lhe razão: o Sporting entrou com vontade de leão, pressionante, encurtando espaço ao Sp.Braga, remetendo-o ao seu meio-campo, jogando mais junto da área adversária. A estratégia baralhou os minhotos, inabituados a serem empurrados na sua própria fortaleza. Aos poucos, a pressão alta do Sporting foi diminuindo.
O Sp.Braga soube esperar, conseguiu soltar-se do ímpeto inicial e aliar alguma posse de bola para procurar explorar as transições rápidas que tanta mossa fazem. Chegou ao golo, batida a meia-hora de jogo. Na primeira real ocasião de que dispôs para o fazer, antes havia sido o outro Sporting mais incisivo, embora, de igual forma, também não criando problemas de maior para Eduardo. O Sp.Braga foi feliz. Paulo César passou sobre Miguel Veloso, iludiu João Pereira, contou com um desvio em Tonel, enganou Rui Patrício. Em vantagem, tudo seria diferente. A equipa estabilizou, assentou o seu jogo, entregou-se à magia de Mossoró, explorou as faixas laterais do terreno na velocidade. É aí que eles são temíveis. O golo podia ser um knock-out no Sporting, toalha no chão, entregando o controlo absoluto ao Sp.Braga.
As verdadeiras lutas, contudo, não são assim tão fáceis de resolver. Nem esta foi. O leão rugiu, obrigado a correr atrás do prejuízo, nunca poderia virar a cara à luta. Houve mais espaço, claras melhorias, com o marcador a favor, de uns bracarenses que não tinham começado bem. Os guerreiros, fiéis à sua máxima de nunca se desunirem, não deram chances para que a reacção leonina tivesse efeitos práticos. Protegeram bem o seu forte, é sua imagem de marca. Houve necessidade de endurecer a disputa, maior agressividade nos confrontos, atitudes de grande garra de qualquer um deles. Um final emocionante: uns nunca perdendo a esperança de como era possível algo mais, outros com enorme coesão para segurarem o que já haviam conquistado. Luta de gladiadores, vitória dos guerreiros de Braga. Mais uma.
A possibilidade de contratar novos jogadores, devido à produtividade obtida até então pelos grandes, faria mais sentido para o Sporting. Por isso mesmo, os leões, depois de terem gasto pouco no Verão, fizeram um esforço financeiro para dar maior qualidade à equipa. Chegaram João Pereira e Sinama Pongolle: o primeiro já está mais do que integrado na equipa, havendo mesmo quem o aponte como um dos maiores responsável melhoria do Sporting; o avançado pouco se mostrou ainda, atormentado desde logo por uma lesão. Agora é a vez de chegar Pedro Mendes - o Glasgow Rangers já confirmou o acordo com o Sporting. Em sentido contrário, Caicedo abandonou o clube, tal como Angulo há muito havia feito - ainda André Marques, cedido aos gregos do Iraklis. Está fácil de perceber quão falhadas foram as contratações de Agosto.
A primeira metade da temporada serviu, também, para deixar a nu algumas fragilidades da equipa do FC Porto. Essencialmente na construção de jogo. Não houve quem assumisse o futebol portista, quem o comandasse. Faltou um substituto para Lucho González, algo que Belluschi não conseguiu de forma convincente. O mercado, embora Pinto da Costa sempre afirmasse que o plantel dava todas as garantias de sucesso, tornou-se imprescindível. Acertada a contratação de Rúben Micael, será no jovem médio madeirense que estará a batuta da equipa. Para além do médio, chega também um novo avançado: Kléber, ex-Cruzeiro, namoro antigo, em troca com Ernesto Farías - um jogador que viveu na sombra, sem espaço no onze-tipo, mas autor de golos decisivos. Sebastian Prediger, erro de casting, saiu para o Boca Juniors.
Com um rendimento bem superior a outras épocas, colocado acima dos rivais directos, perdendo apenas para o Sp.Braga no topo, o Benfica pretendeu também reforçar o plantel. Não que exista algum desiquílbrio, quantitativo ou qualitativo, mas é necessário precaver qualquer indisponibilidade e, por outro lado, aumentar a competitividade interna. Alan Kardec, Éder Luís e Airton, três brasileiros, entraram no plantel encarnado. Sem espaço de manobra, com perspectivas irreais de serem chamados, tal como acontecera com Urretaviscaya de saída para o Peñarol, Jorge Ribeiro ficou com Guimarães no destino, Shaffer foi colocado no Banfield (Argentina) e Balboa, experiência verdadeiramente fracassada, rumou ao Cartagena (segunda divisão espanhola). Franco Jara, avançado argentino, é ainda uma hipótese para chegar à Luz.
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O futebol português vive uma das piores fases do seu passado recente. Se é facto que, até ao momento e comparativamente com a temporada anterior, não apareceram casos de irregularidades no pagamento de salários em nenhuma equipa, ressurgiram, de súbito, inúmeras suspeições envolvendo a face oculta do futebol. Esquecendo a parte do espectáculo, essencial, capaz de arrastar multidões em massa por uma única paixão: o jogo. Olhamos para a Europa, os jogadores são os protagonistas, há magia, encanto de ir ao estádio ver duas equipas cordialmente na busca da vitória. Com garra, com querer. E em Portugal? Quem são os protagonistas do futebol português, leitor? Tentativa de resposta: não os jogadores.
A discussão e a polémica fazem parte da essência do jogo. Existem erros, falhanços, oportunidades perdidas de tocar o céu, por vezes uma vida inteira de desgraças. Outros, pelo contrário, alcançam a glória com facilidade, tudo lhes corre bem, são bem sucedidos no que fazem. É a lei do futebol: uns ficarão felizes, outros frustrados por não terem alcançado o objectivo. O espectador, desligado de clubismos, quer ver os seus ídolos em campo, ter um tempo bem passado, noventa minutos que passam como se fossem cinco, um espectáculo que lhe agrade. Actualmente, não é necessário sair de casa. Basta colocar a televisão no canal certo. Vê os melhores jogadores, o encanto dos outros futebóis. Outros, pois.
O futebol português, para os verdadeiros amantes do desporto no seu estado mais simples, fica relegado para outro plano. Porquê? É simples: em Portugal, os jogadores não são os protagonistas, até o próprio futebol fica atrás das rivalidades que extravazam a esfera desportiva. Não há competição, há guerras. Não há adversários, há inimigos. Não há espectáculo, há a ânsia de ganhar para mostrar ao rival que se é superior. Por isso, os túneis ganham destaque, iniciam-se lutas verbais para hostilizar tudo e todos, a suspeição instala-se, o fantasma da corrupção regressa bem forte, os clubes esquecem o jogo dentro do relvado. O futebol português, a cada dia, torna-se menos interessante. Deixa de ser futebol. Para onde caminhamos?
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Defender uma baliza não está ao alcance de todos. Um bom guarda-redes, para além do dom natural, tem que saber manter a concentração total durante os noventa minutos, sem um segundinho que seja para admirar o ambiente que o rodeia. É imperativo que possua uma coragem do tamanho dos Himalaias, sem temer mazelas ou arranhões. Há mesmo quem diga que todos os guarda-redes precisam de um bocadinho de loucura. René Higuita é um nome que figurará para sempre nos melhores momentos do futebol mundial. Não que tenha sido um jogador de grande dimensão. Mas porque teve um momento delicioso, de pura loucura.
Com um visual ao jeito de um Demis Roussos, com cabelo e barba longos, se bem que não tão efusivo como o mítico Carlos Valderrama, Higuita não representava a forma mais sensata e formal de defender uma baliza: era por demais arrojado, jogava fora da sua área, tentava fintar os adversários. Colocava os adeptos da sua equipa com o coração nas mãos, em jogadas de cortar a respiração. Ganhou a alcunha de El Loco e é fácil perceber porquê. Foi em Setembro de 1995 que espantou o mundo do futebol num jogo amigável entre a sua Colômbia e a Inglaterra. Aí nasceu a defesa de escorpião, digna de qualquer compêndio.
Esse lance, passado no estádio de Wembley, foi qualquer coisa de extraordinário. Ninguém sabe o que se terá passado pela cabeça do guarda-redes colombiano, sem calhar nem ele próprio. A bola rematada pelo médio Jamie Redknapp, no seu jogo de estreia pelos ingleses, foi mais ou menos para o meio da baliza. Higuita estava bem colocado, no caminho da bola, o lance não geraria grande perigo. Seria uma defesa fácil, portanto. Para Higuita não, ele não era assim tão simples. Gostava de arriscar, jogar nos limites. Qualquer um teria levantado os braços e defendido.
Higuita não era qualquer um. Lá do alto da sua loucura e ousadia, deixou a bola passar-lhe por cima. Foi totalmente inesperado. Quando estava mesmo em cima da linha de golo, lançou o corpo para a frente, defendendo-a com os dois pés num salto fantástico. Num salto de escorpião, como lhe convencionaram chamar. O seu corpo ficou quase como uma ponte invertida. Os adeptos levantaram-se e aplaudiram aquele instante mágico que um colombiano desconhecido tinha alcançado. Higuita agradeceu, sereno, como se fosse algo que fizesse todos os dias.
O salto de escorpião será para sempre recordado como a mais espectacular defesa alguma vez feita por um guarda-redes. Foi irreverente e inesperada, à semelhança de Higuita. Se calhar foi por essa razão que não se tornou num jogador de categoria mundial, por ser um verdadeiro louco na forma como se comportava em campo. Só um louco, um homem sem medo de ultrapassar todos os limites seria capaz de nos proporcionar momentos assim. Hoje, com quarenta anos, despede-se da competição. Obrigado por essa tua loucura, René!
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Vamos ver, jogo a jogo, procurando sempre a vitória, não querendo sair do conforto do primeiro lugar. A mensagem, mudando uma palavra aqui, abrindo os horizontes depois, nunca colocando a fasquia demasiado alta sob risco de o estrondo da queda ser maior, é passada pelo Sp.Braga. Nas mentes bracarenses, nos jogadores, em Domingos, em Salvador, nos adeptos, não há quem não pense: podemos ser campeões!. Ninguém o quer assumir, já se disse porquê. Por um lado, fazem bem: o carro minhoto é bom, regular, mas desconhece-se se terá motor que aguente o ritmo até final. Contudo, já que se fala em carros, quem se lembraria que Jenson Button poderia ser campeão mundial de Fórmula Um? Se o próprio piloto tivesse uma auto-estima insuperável, havia um crente.
Em qualquer competição, é saudável que apareçam novas equipas capazes de lutar pelos objectivos mais ambiciosos. Não devem ser sempre os mesmos a sorrir, é preciso que se apresentem candidatos sem receio de serem felizes. Ninguém lhes pede que mudem o planeta, apenas que contribuam para aumentar o interesse que algo desperta em nós. Há dominadores em tudo, senhores quase indestrutíveis, que não dão hipóteses a quem quiser fazer-lhes frente. Por isso, por parecerem intocáveis, os adversários desmoralizam. Há alguns anos, quem mais esperaríamos ver sorrir no final de um Tour de France, senão Lance Armstrong? Ou quem punha em causa o reinado de Michael Schumacher?
Deixando o aparte e voltando ao futebol português. Aqui, leitor, vive-se uma situação semelhante: os grandes dominam, têm os melhores jogadores, as atenções, as vitórias e os títulos. É bom que, por vezes, haja quem afaste a monotonia. Por mais que gostemos dos nossos clubes, queremos uma competição saudável e onde os clubes com menos recursos sejam capazes de jogar olhos nos olhos com os mais fortes, procurando a vitória, sem ter medo de arriscar, deixando na bagagem a obrigação de recorrer a estratégias defensivas. O futebol só tem a ganhar. O Sp.Braga merece, portanto, todos os elogios: é líder, pratica um futebol agradável e consistente, está cada vez mais acomodado ao lugar.
Pormenor deveras importante: não se pode justificar este primeiro lugar dos bracarenses com os percursos alheios. Nem se poderá argumentar com frases-feitas e sem sentido: o Sp.Braga é líder porque os adversários estão fracos. Nada disso, totalmente errado. Há quanto tempo não se via um Benfica ainda tão candidato nesta altura da temporada? Para responder, leitor, é necessário recuar uma boa série de anos. E o FC Porto está mal? Está, não há dúvidas, o futebol apresentado não deslumbra ninguém, a equipa abalou após o jogo na Luz, perdeu a capacidade de ser letal. Mas só tem menos um ponto do que no ano passado, liderava nessa altura. O argumento está destroçado, pois.
Pode até nem ganhar nada, é bem verdade que sim, até porque foi precocemente afastado da Liga Europa e da Taça da Liga, mas o Sp.Braga desta temporada merece ser levado em conta. Ainda não o é verdadeiramente, há-de ser. Ainda não está no grupo dos melhores, cá não temos big four, são apenas três. Ainda há o medo de assumir uma candidatura ao título. Já se disse que será necessário perceber, nesta segunda metade da temporada, a resistência da equipa. No entanto, o verdadeiro porquê da recusa dos bracarenses em falarem de ganhar o campeonato está na História: a tendência dominadora dos grandes, será assim facilmente posta em causa? A ousadia poderá custar caro.
Nas setenta e duas edições do campeonato português, só por duas vezes houve excepções a esta regra de que os grandes dominam: Belenenses e Boavista foram os autores da proeza. Para Braga, não só clube, esse é um aliciante, mas também um risco de viver um acontecimento isolado. Os bracarenses querem o campeonato. Mas há sempre o risco de morrer na praia, de quebrar. Ninguém quererá isso. Importa, sim, dar passos seguros para o futuro, para que esteja tudo preparado para o Sp.Braga chegar a um novo estatuto que já faz por o merecer há algumas temporadas. Mais importante do que tocar o céu e descer ao inferno, é conseguir escalar cada degrau. O Braguinha, esse, já ficou lá atrás.
Voltemos à metáfora inicial. Lembra-se, leitor? Falamos de carros, da resistência. Na memória ficou-me há muito marcada uma imagem. Ia Mika Häkkinen, o maior rival para a hegemonia de Schumacher, ao volante do seu McLaren-Mercedes na recta da meta quase em pré-festejo, quando, de súbito, o motor cede. O carro parou, simplesmente, impotente para fazer o que quer que fosse. Faltavam algumas centenas de metros, nada mais. O campeão alemão seguia atrás, venceu facilmente a corrida. Na campanha do Sp.Braga existe esse risco: ser ultrapassado em cima da meta. É a exigência para o sucesso. Preciso crença, muita vontade de triunfar e... esperar que o carro dê garantias.
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Num duelo de primodivisionários, tal como nos quartos-de-final da temporada anterior, o Paços de Ferreira voltou a ser mais forte e alcançou a passagem ao eliminar, na Madeira, o Nacional (1-2). Na outra partida entre equipas do primeiro escalão do futebol profissional, Rio Ave e Vitória de Guimarães mantiveram a emoção até à decisão por grandes penalidades: na lotaria, os vila-condenses foram mais eficazes, sustentados por duas defesas de Mora, e confirmaram a presença nos quartos-de-final. Resta referir ainda que também o Pinhalnovense, após derrotar o Camacha, por 1-0, está na próxima fase da Taça de Portugal. Chaves e Beira-Mar jogarão ainda, no próximo domingo, a última partida da quinta eliminatória.
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Pinto da Costa garantira que a reabertura do mercado nada traria de novo ao FC Porto. O plantel, segundo o presidente, dava todas as garantias de sucesso. No entanto, apesar da afirmação, ficaou bem patentes a existência de lacunas, sobretudo na construção de lances ofensivos, que necessitavam de ser corrigidas. Percebeu-se que seria apenas uma questão de tempo até os dragões investirem. Com a manutenção desses mesmos problemas, com as dificuldades que a equipa continua a demonstrar no recomeço após a paragem, tornou-se imperativo recorrer ao mercado: Ruben Micael, jogador revelação do campeonato anterior, há muito deixado de ser surpresa, agora garantia de qualidade, chega ao Dragão.
Por tudo aquilo que fez na temporada passada, a elevada importância que teve na caminhada da equipa madeirense, Ruben Micael tornou-se um alvo apetecível, não só para os grandes portugueses como para clubes estrangeiros. A sua transferência poderia ter ocorrido no Verão, chega agora com seis meses de atraso. Mas cada vez mais justificada. Para o jogador é um salto enorme na sua carreira e na valorização pessoal, para o FC Porto a entrada de um médio criativo e com a visão de jogo que a equipa tem precisado - essa é, de facto, a maior debilidade que os portistas vão demonstrando. A equipa sente demasiado a falta de quem assuma o futebol atacante. Até porque Belluschi é, acima de tudo, irregular.
Dois milhões de euros abaixo do pretendido por Rui Alves, presidente do Nacional, que não tencionava deixar sair o médio madeirense por menos de cinco milhões, Ruben Micael chega ao FC Porto por quatro temporadas e tem uma cláusula de trinta milhões de euros (o mesmo valor que, por exemplo, protege Bruno Alves). Percebe-se, por isso, que, para além procurar colmatar uma lacuna importante e conferir mais opções a Jesualdo Ferreira no actual momento, esta é uma aposta para o futuro. Em teoria, a contratação do médio português faz, portanto, todo o sentido. Daqui para a frente, restará perceber como será a adaptação de Ruben Micael e, sobretudo, os resultados que poderão advir do negócio.
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Chegou o FC Porto ao fim da primeira volta com um saldo de dez vitórias, dois empates e três derrotas. Trinta e dois pontos somados no total. Um a mais do que em igual período da temporada transacta, portanto. Porém, se em 2009 os dragões lideravam, agora estão em terceiro e com menos quatro pontos do que o líder. Esse é, obviamente, um sinal claro de como os adversários estão mais bem preparados. No entanto, para além da frieza dos números favorável aos dragões, é necessário olhar à forma como a equipa se apresenta. Aí, o FC Porto de 2009-10 é inferior ao de 2008-09. A esta equipa falta magia, por vezes capacidade de descompensar as defesas contrárias, parece menos talhada para ser dominadora. E consistente, acima de tudo.
Nas equipas de Jesualdo Ferreira é habitual que exista uma evolução positiva ao longo da temporada e, por isso, sejam alcançandos aos objectivos propostos. Poderá ser essa uma imagem de marca do treinador, algo que também está bem patente no FC Porto. Voltando à comparação com a última época: os portistas tiveram dificuldades no começo, conseguiram suplantá-las, ascender paulatinamente na classificação e, então, chegar a um título incontestável. A partir de 1 de Novembro de 2008, data da derrota na Figueira da Foz, já depois de ter caído perante o Leixões, o FC Porto não mais vacilou. Eram visíveis, a cada jogo, melhorias na equipa. No presente, os portistas também arrancaram de forma intermitente. Recuperaram. Não totalmente, contudo. Os problemas regressaram.
A melhor fase da temporada do FC Porto surgiu após uma derrota frente ao Marítimo. Tal como em 2008-09. Entre Novembro e Dezembro, os portistas somaram três vitórias consecutivas para o campeonato - com boas exibições ante Rio Ave, Vitória de Guimarães e Vitória de Setúbal - e uma prova categórica em Madrid, com o Atlético. Parecia ser a pedra de toque para a ascenção portista. Todavia, o clássico com o Benfica, a fechar o ano, trouxe talvez o pior FC Porto da época. Depois da retoma, quando se esperava que fosse absoluta, uma recaída. Para fechar a primeira volta, de novo uma vitória: ante a União de Leiria, inteiramente justa, embora com grande dose de sofrimento à mistura. Importava, por isso, partir para a segunda metade do campeonato da melhor forma.
Era o objectivo dos portistas, jogando em casa, frente ao Paços de Ferreira. Que culminou em empate e distância para o topo em risco de poder ser aumentada (os rivais jogam amanhã). Os males do FC Porto são antigos, bem conhecidos, prendem-se essencialmente com a deficiência que a equipa demonstra em construir jogo, em se sobrepor ao adversário no momento de decidir, em ter rasgos de talento. Frente ao Paços, foi preciso um golo contrário para a equipa acordar verdadeiramente. Em desvantagem, com doze minutos pela frente, contabilizando os descontos, os portistas fizeram mais do que em todo o tempo jogado. Deu um golo, foi tarde. A Lei de Murphy ganhou destaque: grande exibição de Cássio, perdidas incríveis, um golo mal anulado. Tudo junto explica o resultado.
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ANÁLISE
O Sp.Braga continua na liderança. Entrou no jogo e no ano a ganhar. Os rivais perseguem, bem cientes da qualidade dos bracarenses, sabendo que um deslize ser-lhes-á fatal nesta fase. Tiveram que sofrer, porém, para vencer: o Benfica perante uma teia bem montada pelo Rio Ave, o FC Porto devido à acção da União de Leiria mas mais por incapacidade de dar o golpe final, o Sporting cria oportunidades mas desperdiça inúmeras e foi obrigado a pressionar até final. A dupla da frente, Sp.Braga e Benfica, mantém-se intacta. No Dragão, está um FC Porto que continua atrás do trono perdido. O Sporting recupera a olhos vistos.
O jogo frente ao Nacional, adversário bem cotado para as posições europeias, era complicado, sem dúvida, mas perfeito para demonstrar que em Braga pode morar, afinal, uma equipa empenhada em levar a candidatura do título até final. Não que alguém o assuma. Pelo contrário, o objectivo dos bracarenses passa por vencer cada jogo, sem ter medo de defraudar os adeptos após ter elevado demasiado a fasquia, pés bem assentes na terra na procura do sonho, amealhando todos pontos. As jornadas acumulam-se, o Sp.Braga continua líder, há muito sem ser supresa, cada vez mais levado a sério. A segunda etapa do campeonato será, por isso, um teste à resistência minhota.
Começou por ser demolidor e sufocante para os adversários, espectacular e um regalo para a vista dos espectadores. O Benfica começou a temporada em alta, com a confiança no título mais forte do que nunca nos últimos cinco anos, empolgando todos à sua volta. À medida que o campeonato se foi desenrolando, naturalmente se percebeu que a onda de goleadas e brilhantismo não poderia ser uma constante. A equipa encarnada, agora, está diferente: mais madura, mais pragmática, bem ao colocar o jogo conforme as suas pretensões, mortífera quando assim tem que ser. Este Benfica sabe sofrer, também. E tem Saviola. El Conejo voltou a letal em Vila do Conde.
Inusual aos portistas chegaram a esta fase no terceiro posto e com um atraso de quatro pontos para o primeiro lugar. O FC Porto teve, durante os catorze jogos disputados até à interrupção do campeonato, um percurso intermitente, ainda à procura da melhor forma. Importava, então, começar o novo ano na mó de cima. Este é, contudo, um FC Porto instável: por vezes mostra um nível alto, joga bem, logo a seguir treme e coloca-se à mercê do adversário. Foi a imagem do jogo com a União de Leiria. Chegou ao três-dois, após ter permitido dois empates. Minuto 93, penalty para os leirienses. Helton, vilão no primeiro golo, transformou-se em herói. É preciso ser masoquista?
Para o Sporting, o ideal era que o campeonato apenas agora se iniciasse. Fosse esquecido o que se jogou até aqui, a primeira metade de temporada verdadeiramente decepcionante, todos os problemas que a equipa viveu. E continua a viver, é verdade, mas está bem melhor do que há algum tempo atrás. A cada jogo, o Sporting elimina o pessimismo que se abateu sobre a equipa, apresenta-se melhor, mais dinâmico e confiante. Continua, no entanto, demasiado perdulário, pois, embora tenha esbarrado num super-Diego na baliza contrária, houve um desacerto enorme na finalização. Teve, por isso, que sofrer até final. Até Tonel elevar-se, garantir a vitória e o quarto lugar. Justamente.
Nos jogo entre candidatos a ocupar lugares de acesso à Europa, o Vitória de Guimarães confirmou o bom período que atravessa e derrotou o Marítimo, que, ao comando de Van der Gaag, somou a sua terceira derrota consecutiva. A Académica venceu a Naval, no derby do Centro, e tem todas as condições para conseguir um campeonato tranquilo na segunda volta - depois de um início bem complicado. Nos lugares mais baixos da classificação, Olhanense empatou com o Paços de Ferreira, conseguindo sair das posições de descida, enquanto Belenenses (no jogo de estreia de António Conceição) também empatou ante o Vitória de Setúbal.
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É somente quando se escuta o apito final que um jogo deve ser dado por terminado. Até aí, as equipas terão de manter a concentração e o ritmo. Só depois, quando o tempo estiver esgotado, a missão está cumprida. Estará, por esta altura, o leitor a pensar que se trata de um princípio básico. Quantas são, porém, as equipas que enrolam a bandeira e, mesmo ainda dispondo de tempo para o fazer, não acreditam ser possível mudar o rumo dos acontecimentos? A teoria vale para quem está em desvantagem, mas também para quem está por cima e pensa ter a vitória consumada. Em futebol, para um resultado ser invertido, é preciso pouco. Basta um golpe de sorte, um azar do adversário, um erro do árbitro. O jogo acaba com o apito final, nunca com o resultado.
Começou, ontem, a Taça das Nações Africanas. Manchada pelo ataque à comitiva de Togo, em vésperas de se iniciar a competição, é nos relvados angolanos que deverão estar centradas as atenções, procurando ver o que há para oferecer. Angola e Mali disputaram o jogo de abertura. E, pelo prenúncio, pode-se esperar algo de bem positivo. A selecção anfitriã, comandada pelo português Manuel José, chegou ao minuto 78 com quatro golos de vantagem. Partida resolvida, portanto. Se o leitor assim pensa, é porque se insere no lote que não espera pelo apito final. No tempo que restava, o Mali reduziu, atenuou a derrota, ameaçou os angolanos, empatou. Incrível, louco, verdadeiramente épico. Manuel José, claro, disparou contra os seus jogadores. Relaxar em alta competição é proibido.
Ainda se jogava a abertura da CAN, enquanto, no Dragão, FC Porto e União de Leiria recomeçavam o campeonato para encerrar a primeira volta. Já o Mali havia espantado meio mundo, estava o FC Porto pela terceira vez em vantagem. Justificada mas tremida: por duas vezes havia marcado, com chances para engordar o resultado, em ambas vira os leirienses chegarem ao empate. Agora, o cronómetro já alcançara os noventa minutos, os portistas esperavam pelo final, gerindo um golo de avanço perante um adversário com menos um elemento. Três minutos depois da hora, Fernando comete falta dentro da área. O Dragão fica em suspenso, quedo, mudo. Helton agiganta-se, impede Ronny de marcar. O Dragão respira, por fim. A vitória ficou garantida com o último apito. Nunca antes.
Um primeiro classificado que defronte em casa o último, à partida, tem todas as condições para um jogo tranquilo. Certo? Nem sempre. Inter de Milão e Siena, extremos da classificação do campeonato italiano, frente a frente no Giuseppe Meazza. O último marca no casa do primeiro, Maccarone bate Júlio César. Responde o Inter, vira o resultado. O Siena, sem nada a perder, volta a colocar o jogo a seu favor. Papéis trocados, então, a teoria fica de fora. Ao minuto 89, Sneijder empata. Mourinho deixa os festejos, quer mais, quer a vitória, ainda há tempo. Walter Samuel, limite do fora-de-jogo, bola no pé esquerdo, golo. Tudo virado outra vez, o primeiro superior ao último. Tão curto espaço temporal, tamanha diferença no jogo. Agora sim, Mourinho festejou. Como se ganhasse o campeonato.