« Página Anterior  |  resultados 1-10 de 20  |  Página Seguinte »
Categoria: Desporto

Leia o texto no blogue FUTEBOLÊS

 

Ponto prévio: o futebol tem que ter risco. Risco, loucura, paixão, garra, querer. Só assim poderá haver um jogo memorável, gravado para a eternidade, recordado em qualquer compêndio, algo verdadeiramente especial. Pragmatismo em demasia, zero risco e segurança total poderão dar um bom jogo? Não, claro que não. Muitas vezes é essa a fórmula do sucesso, as equipas deixam de lado o espectáculo, jogam um futebol cínico e matreiro, buscam a vitória. Se não der para juntar o agradável, não há problema, importa é garantir o essencial. Certo, afinal é de vitórias que se alimentam e quem pretende sucesso tem de ganhar, não ser espectacular. Para os adeptos, é diferente.

Nenhum adepto gostará de ver a sua equipa ganhar sem convencer. A vitória está garantida, o clube cumpriu o objectivo para aquela partida, mas não foi totalmente bom, faltou alguma coisa, o treinador foi calculista, os jogadores tiveram receio de errar. Um mínimo erro, já se sabe, poderá muito bem ser fatal e deitar a perder todo o trabalho desenvolvido até então. Então, por essa lógica não terá sido bom jogar pelo seguro? Sim, mas o futebol dispensa qualquer tipo de lógica. Nada é exacto, um jogo é capaz de desmentir qualquer teoria que se conceba. Para o amante de futebol pouco se jogou. Não houve risco. Por aí, se percebe que a essência do futebol ficou para trás, esquecida.

Em muitos desses jogos resulta um empate. Um nulo. Um jogo de futebol sem golos é o mesmo que ver um filme de Western sem tiros. Se o leitor ainda não está bem convencido, se ainda pensa que um jogo de paciência, além de bom para a equipa que o vence, favorece o futebol: quantos jogos sem loucura, sem paixão, sem emoções fortes ficaram na História? O futebol-espectáculo tem que ter duas equipas em busca da vitória, procurando ser superiores ao adversário, jogando melhor. Por isso mesmo, por aliar tão bem a eficácia ao brilhantismo com que os seus jogadores se apresentam, o Barcelona é a equipa que enche as medidas ao amante de futebol. Percebe-se porquê.

A Liga dos Campeões coloca em confronto as melhores equipas dos mais variados países. Inglaterra, Itália, Espanha, gigantes, dominadores do futebol europeu, com os seus representantes frente a frente. Há magia, há paixão, há a vontade de triunfar e chegar ao trono de melhor equipa do continente. Proponho, então, ao leitor que recuemos até Maio de 2005. Um ano depois de o FC Porto ter tocado o céu na Alemanha. Em Istambul, Liverpool e AC Milan, colossos mundiais, com os olhos postos no troféu. Um representante inglês, vindo do campeonato mais apaixonante do planeta, frente a um italiano que previligia o resultado em detrimento do bom futebol. Mundos desiguais.

O Milan entrou a ganhar. Paolo Maldini, eterno capitão, marcou no primeiro minuto. Estava aberto o caminho para a glória. Crespo marcou mais dois, tudo rosas, antes do intervalo o Liverpool estava vergado, derrotado, sem forças. Três-zero, nada tiraria a vitória aos matreiros italianos, jogo resolvido. Calma! Estamos a falar da Liga dos Campeões, onde tudo acontece, onde a magia é superior a qualquer táctica, onde o resultado é imprevisível. Estavam ali duas das melhores equipas mundiais. O Liverpool ainda teria uma palavra, quanto mais não fosse para atenuar o resultado, para não deixarem os adeptos corados de vergonha. Mas... recuperar de três-zero?

Só seria possível com uma ambição enorme, com uma auto-estima elevadissíma e, acima de tudo, uma fé inabalável. A diferença no resultado pesava, grande como a distância entre Inglaterra e Itália, mas os jogadores ainda acreditavam ser possível. Podiam ser os únicos, não importa. E chegaram somente seis minutos. Entre os cinquenta e quatro e os sessenta, tudo mudou: Gerrard reduziou as diferenças, Smicer encurtou para um golo, Xabi Alonso empatou. Num ápice, louco e mágico, estava tudo do avesso. Chegou o prolongamento, depois os penaltis. Seria demasiado cruel que uma equipa que conseguiu tal feito, perdesse na lotaria. Ganhou! A sorte também lá esteve.

A final de Istambul ficou marcada. Ou melhor: imortalizada, foi a melhor da década, uma final onde uma vitória fácil de uma equipa deu lugar a uma recuperação soberba de outra. Um jogo louco, verdadeiramente incrível, cheio de querer. Derrotados por três golos ao intervalo, poucos se manteriam convictos de que ainda era possível virar o sentido da vitória. Muitos terão pensado: não resultou, fica para a próxima. Numa final de Liga dos Campeões? Nada disso, ainda há quarenta e cinco minutos pela frente, ainda há hipóteses, mostraram-se firmes os reds de Liverpool. A crença resultou. No futebol, por vezes, acreditar no próprio valor é a melhor táctica. A Hard Day's Night.

Categoria: Desporto

Faça clique para ver a mensagem original no blogue FUTEBOLÊS

 

Ao Sporting chegaram Mexer, João Pereira e Sinama Pongolle. Têm ainda sido referidos os nomes de Del Horno e Manuel Fernandes, ambos actualmente ao serviço do Valencia. O Benfica voltou a investir no mercado brasileiro: acertou as contratações de Kardec e Airton, que teroricamente não deverão entrar directamente na equipa titular mas irão contribuir para aumentar a competitividade interna, sendo também já uma certeza que o atacante Éder Luís rumará à Luz. A reabertura do mercado está, por isso, a ser aproveitada para apetrechar os planteis. Com sentidos diferentes, é certo: os leões precisam mesmo de combater o défice de qualidade, os encarnados querem um conjunto de jogadores que dê todas as garantias. E o FC Porto?

Nos portistas, até ao momento, a paragem natalícia não trouxe ainda qualquer reforço para Jesualdo Ferreira. Apenas o nome do avançado argentino Eduardo Salvio foi veiculado como sendo um potencial jogador que interessasse aos responsáveis portistas. Pinto da Costa já o dissera, aliás: o FC Porto não iria fazer qualquer reajustamento no seu plantel. No entanto, os dragões chegam a esta fase no terceiro lugar, nada comum no passado bem recente, e com algumas lacunas no seu futebol. Neste FC Porto falta alguém que construa e assuma o futebol ofensivo, que não se esconda, que seja decisivo. Pode-se dizer que ainda falta quem entre no papel que pertenceu a Lucho González. O que mais se aproxima de El Comandante é Belluschi.

O médio argentino, contudo, tem sido utilizado com alguma irregularidade. Nos jogos com equipas de valor igual ou superior ao do FC Porto é preterido, invariavelmente, por Guarín, algo que demonstra bem que Jesualdo Ferreira ainda não o considera como um valor seguro. Apesar disso, Pinto da Costa mantém a sua opinião de que não são necessários reforços nem, acima de tudo, o treinador lhe pediu qualquer novo jogador - no Porto não há petróleo, disse o presidente portista, crítico, sarcástico para os rivais. Contudo, ainda como resquícios do clássico com o Benfica, o FC Porto poderá deixar de contar com Sapunaru e, sobretudo, Hulk. Quando os castigos forem conhecidos, os portistas atacarão o mercado. Obrigatoriamente.

Categoria: Desporto

Depois de João Pereira, é o avançado francês Sinama Pongolle, até aqui no plantel do Atlético de Madrid, a reforçar o Sporting. Nas duas contratações, gastaram-se cerca de oito milhões de euros (três mais cinco, respectivamente). Acresce ainda a chegada de Mexer, jogador moçambicano, que, embora não tenha obrigado os leões a desembolsar tanto, também teve o seu custo. Pode ser paradoxal, no entanto, que o investimento apenas tenha sido feito na reabertura do mercado, ou seja, quando já foi jogada a primeira metade do campeonato português. É que nem João Pereira nem Pongolle poderão ser utilizado na Liga Europa, pois já actuaram pelos seus anteriores clubes. Serão, então, somente para consumo interno.

Nesta altura, é absolutamente indiscutível que o Sporting necessita de reforçar o plantel e de aumentar a qualidade para poder ainda ambicionar, até Maio, algo positivo que apague o péssimo arranque de temporada. Importa recordar, também, que o clube está integrado nas quatro competições a que ficou habilitado. Contudo, é habitual apetrechar os planteis em Agosto, para assim atacar a época na plenitude das forças, e a reabertura do mercado serve somente para preencher eventuais lacunas que possam surgir. No Sporting, no Verão, pouco se investiu: Matías Fernández foi o único que se impôs na equipa titular, Angulo e Caicedo rapidamente se percebeu não passarem de contratações falhadas. Não havia crédito para mais.

A primeira metade da época, já se sabe, foi decepcionante: pelo futebol apresentado, claro, mas sobretudo pelo quinto lugar em que os leões se encontram na paragem do campeonato. As soluções escassearam. Agora, com possibilidades utópicas de discutir o título, o investimento do Sporting visa terminar na melhor posição possível, sendo a qualificação para a Liga Europa o mínimo que se pode exigir. É precisamente nesse contexto que entram João Pereira e Pongolle. Não deixa, porém, de ser estranho que cheguem só nesta fase a um clube que optou por uma política de contenção - e onde são bem conhecidas as debilidades financeiras - para atacar uma competição... onde o objectivo prioritário já está perdido. Chegam tarde? Certamente!

Categoria: Desporto

Um vermelho mais forte do que nunca. O Sp.Braga chega, pela primeira vez no seu historial, à paragem natalícia como líder do campeonato. Não deixa de ser uma surpresa, mas fá-lo com todo o mérito de quem leva dez vitórias, três empates e apenas uma derrota nos catorze jogos disputados até aqui. Há muito que os bracarenses fazem por merecer um papel de maior relevo no futebol português, destacando-se de equipas de menor dimensão e colando-se aos grandes. Para que essa afirmação seja definitiva é necessário conquistar títulos, algo que se junte à Taça de Portugal ganha no longínquo ano de 1966. O sonho de ser campeão nacional vai crescendo com as prestações da equipa.

Um encarnado bem vivo. O mais vivo dos últimos anos. Nem mesmo na época do título, em 2004-05, o Benfica chegou ao Natal em tão boa posição. Em alta com a vitória no clássico frente ao FC Porto, categórica e inteiramente justificada, quatro anos depois do último triunfo sobre os portistas, estão em igualdade pontual no topo com o Sp.Braga. Para trás ficou o tempo em que os encarnados finalizavam a primeira metade do campeonato quase sem possibilidades de discutir a liderança. No ano passado, a equipa estava também na frente mas já davam mostras de pouca regularidade. Agora, contudo, parece ser diferente. O Benfica está bem, a aposta no título é mais alta que nunca.

Um azul mais esbatido do que é habitual. Olhando aos pontos, comparativamente com a época passada, o FC Porto até está melhor, conta com mais um do que em igual período da temporada transacta. Os portistas estão, porém, no terceiro posto e com um atraso de quatro pontos para o primeiro lugar. A equipa demonstrou alguma irregularidade, demorou a arrancar, fê-lo a meio gás e perdeu alguns pontos importantes. Depois disso, passada essa fase má, conseguiu reencontrar-se, subiu claramente de rendimento. Até ao jogo da Luz, os dragões cresceram. Todavia, no clássico nada correu bem: o FC Porto nunca se conseguiu impor, não teve capacidade para evitar a vitória do Benfica.

Um verde pálido. O Sporting chega à décima quarta jornada no quinto lugar. Por aí, é fácil de perceber que a época não corre bem para os leões. Além da modesta colocação na tabela classificativa, existem ainda inúmeras dificuldades que têm sido apanágio nesta temporada: a equipa nunca se encontrou, denota grandes problemas na ligação do seu futebol, não houve nenhuma partida em que realmente tenha impressionado pelo futebol apresentado. Falar-se de título, em Alvalade, é quase uma utopia, um sonho cor-de-rosa impossível de realizar. O mercado de Inverno servirá, por isso, para aumentar a competitividade da equipa. Para reencontrar a equipa e conseguir algo de positivo, portanto.

Categoria: Desporto

Texto original aqui!

 

O Barcelona é a melhor equipa do planeta? É. E também a melhor do século. Nenhuma outra formação consegue ser tão espectacular, tão brilhante e, sobretudo, tão vencedora. São muitas as que jogam bom futebol mas pouco ganham. Outras ganham mas não convencem nem os próprios adeptos. No Barça tudo é perfeito, assenta em maquinismos que não deixam escapar o mínimo detalhe, é um verdadeiro carrossel, a equipa encanta, domina e ganha. O ano de 2009 deve ser emoldurado, legendado com letras de ouro, servir de guião a quem pretenda glória no futebol, imortalizado junto às melhores de sempre. Haverá mais alguma que consegue juntar tão bem o útil ao agradável? Haverá quem encante e ganhe?

Liga, Taça do Rei, Supertaça espanhola, Liga dos Campeões, Supertaça europeia e Mundial de clubes. São seis provas. Para o Barcelona, seis títulos. Pep Guardiola entrou na época passada, chegou da segunda equipa blaugrana, sucedendo a Frank Rijkaard, treinador com glória no auge de Ronaldinho mas caído em desgraça. Guardiola era uma lenda, um ídolo, tal como agora é Puyol, mas com trinta e oito anos teria capacidade para liderar um colosso mundial? Com ele, o Barcelona reaquiriu a beleza, o espectáculo, o domínio. Guardiola é, hoje em dia, reconhecidamente como um dos melhores treinadores mundiais. Tem trinta e nove anos, ganhou todas as competições em que esteve. Seis títulos.

Lionel Messi é o melhor jogador do Mundo. Foi ontem distinguido com o prémio. É mesmo? Depende: uns responderão imediatamente que sim, outros dirão que beneficia de estar numa equipa como o Barcelona. Afinal, o argentino é a estrela maior da equipa. Se formos pelas jogadas, pelas fintas, pelo espectáculo, Messi é o melhor. Se formos pela importância no processo colectivo, os melhores são Xavi e Iniesta. Jogam de olhos fechados, fazem carrilar o futebol do Barça, sabem precisamente o que fazer à bola quando a têm nos pés. O Barcelona sobrevive sem eles? Dificilmente, o carrossel sente complicações para atingir o melhor funcionamento. E sem Messi?

O Barcelona tem, então, o melhor do Mundo. E tem Xavi, Iniesta e Ibrahimovic. São jogadores de classe mundial, um desejo de qualquer treinador, decisivos onde quer que seja. Todos gostariam de ter um deles, Guardiola tem os quatro. Depois tem jogadores da cantera, como são Pedro Rodríguez, Bojan Krkic e Sergio Busquets. Na mesma equipa, num todo, há uma junção perfeita entre o traquejo e a juventude. De um lado, homens que sabem o que fazer e executam com toda a mestria. Do outro, jovens que se divertem a jogar à bola e a maravilhar a plateia. O espírito deste Barcelona reflecte-se precisamente aí. A equipa joga, convence, vence. Está na galeria das melhores. Das equipas de sonho.

Categoria: Desporto

 

alt

Quando o assunto é o jornalismo desportivo, particularmente em termos radiofónicos, Pedro Sousa é um dos nomes que mais facilmente associamos: sobretudo pelos seus relatos na Rádio Renascença, onde também edita o programa Bola Branca. Além disso, também pelas narrações de partidas de futebol internacional na Sport TV e ainda por ser a voz dos comentários do novo Pro Evolution Soccer, um dos mais famosos simuladores de futebol.

Os leitores do FUTEBOLÊS terão, agora, uma oportunidade de colocar uma questão ao jornalista Pedro Sousa. Para isso, deverão enviar um e-mail para futeboles08@sapo.pt ou simplesmente escrever na caixa de comentários - identificado com primeiro e último nome. No entanto, as questões não poderão colidir com a entrevista publicada em Maio de 2008 (consultar aqui). Esta é, leitor, a ocasião para contactar com um dos mais conceituados jornalistas nacionais.

Jornada 14

Colocado: 12/22/2009 - 1 comentário [ Comentar ] - 0 trackback(s) [ Trackback ]
Categoria: Desporto

ANÁLISE

É mais do que provado que para uma equipa ter sucesso precisa de ter qualidade, grande regularidade que não dê espaços a intermitências e uma pontinha de sorte. Tem, também, de passar por algum sofrimento. Nesta jornada, os dois primeiros do campeonato, empatados em pontos, distanciados por uma vitória em Braga, venceram. Com sofrimento: o Sp.Braga acaba o ano em primeiro, o Benfica empolgado por uma vitória sobre o FC Porto, grande rival. Os dragões pararam o ciclo ascendente, ficaram intimidados na Luz, o campeão tem quatro pontos de atraso para o trono. Na Figueira, o Sporting recebeu um pouco de oxigénio.

Quantos esperariam que Jorge Jesus lançasse, num jogo de tamanha importância, um jogador sem um único minuto jogado nas trezes anteriores jornadas do campeonato português? Só quem, de facto, estivesse bem informado das pretensões do treinador encarnado. Sem Di María e Coentrão, não subiu Peixoto, jogou Urretaviscaya, extremo uruguaio, em estreia nesta época. Sem Aimar, a batuta esteve ao comando de Carlos Martins. O Benfica surpreendeu o FC Porto, a vitória encarnada começou aí. Depois, apareceu um cliente habitual, oportunista e decisivo: Javier Saviola. Por alguma razão lhe chamam El Conejo - Clique para aceder à crónica do Benfica-FC Porto


Quatro deslocações à Figueira da Foz, quatro vitórias para o Sporting. O momento actual da equipa não inspira confiança mas a estatística estava, nesta partida com a Naval, do lado dos leões. Carlos Carvalhal, depois dos desaires consecutivos com União de Leiria e Hertha de Berlim, alterou o esquema táctico: deixou o 4x2x3x1 que tem procurado implementar e optou por um 4x1x3x2, colocando Carlos Saleiro ao lado de Liedson no ataque à baliza de Peiser. A sociedade funcionou: trinta e cinco minutos, toque do Levezinho, desvio de Saleiro para o golo. Sobretudo por aquilo que fez na segunda parte, o Sporting justificou a vitória. O leão está a recompor-se.

Sem o mesmo fulgor de há bem pouco tempo, sem o brilhantismo, mas extremamente eficaz. O Sp.Braga vale pelo colectivo, os jogadores demonstram uma entreajuda extraordinária, a equipa torna-se numa verdadeira muralha. Esse é o primeiro passo, a base para o sucesso minhoto. Para coroar surgem lances de puro aproveitamento individual. Em Paços de Ferreira, perante uma equipa destemida e com a vitória no horizonte, foi Meyong quem marcou em cima do intervalo. Momento cirúrgico, perfeito, matreirice de uma equipa que é líder por mérito próprio. Depois, bem, depois houve que suster o adversário. Os bracarenses souberam sofrer, também aí ganham pontos.

Se em jornadas anteriores, os empates e alguns nulos bem enfadonhos ganharam destaque, nesta ronda foi bem diferente: apenas houve uma igualdade, a dois, entre Leixões e Olhanense, duas equipas a lutar para saírem de posições delicadadas, num jogo emotivo que um verdadeiro dilúvio estragou. Vitória de Setúbal, equipa que tantas debilidades tem mostrado e que anseia pela reabertura do mercado, conseguiu um salto importante por força da vitória (3-2) sobre o Marítimo. O último posto, antes dos sadinos, é agora do Belenenses: derrota em Leiria, por 1-0, e saída de João Carlos Pereira. Vitórias do Nacional sobre a Académica (4-3) e do Vitória de Guimarães sobre o Rio Ave (1-0).

Categoria: Desporto


Texto original pode ser lido clicando aqui
 
Um Benfica de gala, um FC Porto intimidado. À partida, seriam os portistas quem mais tinham a ganhar: equipa totalmente disponível, ciclo de quatro vitórias e boas exibições, perante um Benfica desfalcado de Di María e Fábio Coentrão, obrigando Jorge Jesus a inovar no vértice esquerdo do losango do meio-campo, e Aimar, o maestro que tão fundamental tem sido para a construção de jogo. O treinador encarnado, contudo, não abdicou do seu 4x4x2, mudou somente as peças, os maquinismos mantinham-se com outros intérpretes. Lançou Carlos Martins, raramente utilizado, e surpreendeu com a colocação de Urretaviscaya sobre a esquerda. Bem apoiado por César Peixoto, acontecendo o mesmo com Ramires e Maxi Pereira na direita, o Benfica tornou-se comandante do jogo aí: nas faixas laterais do terreno.


Jesualdo Ferreira, por sua opção, prescindiu de Belluschi e Varela. Tal como já acontecera em jogos assim, importantes e contra adversários de valor idêntico, o treinador portista alterou a equipa. Não a táctica, manteve o 4x3x3. No meio, também devido às más condições de um relvado cada vez mais pesado e difícil devido à acção da chuva, Jesualdo preferiu a força de Guarín à maior criatividade de Belluschi. O colombiano garante solidez em termos defensivos mas não tem capacidade para construir jogo ofensivo, para ser rápido e eficaz nas transições que o treinador tanto gosta de explorar. Essa missão, sem Belluschi, estaria destinada a Raul Meireles, mas o médio nunca conseguiu assumir o jogo portista. O Benfica, em superioridade, tomou também conta do meio-campo, campo nevrálgico de batalha.

Se no Benfica, quer à direita com Maxi no apoio a Ramires quer à esquerda com o auxílio de César Peixoto a Urreta, as alas funcionavam para criar perigo junto à área de Helton, no FC Porto essas acções eram inconsequentes. Fucile, importante na manobra ofensiva, não teve forma de se livrar do compatriota Urreta e ajudar Hulk; Álvaro Pereira foi o autor do primeiro remate de perigo, aos sessenta e dois minutos, mas pouco interveio em questões atacantes. Sem controlo do meio-campo, sem profundidade nas alas, sem um rasgo individual que resultasse, que soluções restariam ao FC Porto para ameaçar a baliza de Quim? Jesualdo percebeu que tinha estado mal, procurou mudar, lançou Varela para o lugar de Guarín. Fê-lo ao intervalo, já o Benfica levava vantagem. Golo de Saviola, nas costas da defesa azul.

Com a entrada do extremo português, que tem demonstrado estar em excelente forma mas acabou por ser preterido na Luz, e a saída de Guarín, o FC Porto melhorou, conseguiu combater a superioridade do Benfica e jogar mais no terreno contrário. Teve duas excelentes ocasiões, por força de remates de Álvaro Pereira e Raul Meireles, para empatar. Jorge Jesus notou que a sua equipa estava em clara quebra, sem a mesma intensidade. Era preciso refrescar: Urreta e Carlos Martins encheram o campo na primeira parte mas mostraram naturais debilidades físicas. O dragão crescera, Jesus foi astuto o suficiente para contrariar. Jesualdo lançou as últimas cartadas, Belluschi e Farías. Foi tarde, não houve tempo para mudar. O Benfica soube sofrer, foi inteligente a gerir e ganhou. Ganhou bem.

Categoria: Desporto

Texto original no blogue FUTEBOLÊS

 

A VITÓRIA DO EFEITO SURPRESA E O SAVIOLA DO COSTUME

Quantos esperariam que Jorge Jesus lançasse, num jogo de tamanha importância, um jogador sem um único minuto jogado nas trezes anteriores jornadas do campeonato português? Só quem, de facto, estivesse bem informado das pretensões do treinador encarnado. Sem Di María e Coentrão, não subiu Peixoto, jogou Urretaviscaya, extremo uruguaio, em estreia nesta época. Sem Aimar, a batuta esteve ao comando de Carlos Martins. O Benfica surpreendeu o FC Porto, a vitória encarnada começou aí. Depois, apareceu um cliente habitual, oportunista e decisivo: Javier Saviola. Por alguma razão lhe chamam El Conejo.

O FC Porto, já se sabia, chegou ao clássico na máxima força. Restava, no entanto, tirar a limpo algumas alterações que poderiam surgir: Jesualdo Ferreira trocou Belluschi por Guarín, preferindo o físico do colombiano à magia do argentino, e lançou Rodríguez para o tridente ofensivo, na vez de Varela, ao lado de Falcao e Hulk. O Benfica, para além dos castigados Di María e Fábio Coentrão, apresentou-se desfalcado de Aimar, médio convocado mas com limitações físicas. Ramires, tal como Jesualdo Ferreira havia garantido, foi titular nos encarnados. A surpresa reservada por Jorge Jesus foi a utilização de Urreta, médio com pouquíssimos minutos, sob o lado esquerdo. E o maestro: Carlos Martins.

A frase que serve como título a esta crónica, pretende demonstrar como o FC Porto se sentiu: surpreendido. A percentagem que aguardaria a titularidade de Urreta seria, decerto, quase nula. Foi muito por culpa do extremo uruguaio e também de Carlos Martins, outro jogador raras vezes chamado à equipa inicial, que o Benfica conseguiu superar um melhor início do FC Porto e, assim, assumir o controlo da bola. Estalaram os vinte minutos e foi aí que veio a primeira ocasião de golo. Para o Benfica. Álvaro Pereira, salvador, cortou o remate de Cardozo em cima da linha. A defesa portista conseguiu aliviar o perigo mas não para muito longe. David Luiz insistiu, Saviola acreditou, encarou com Helton e rematou certeiro.

UM GOLO COMO CEREJA NO TOPO DO BOLO

Se o Benfica já estava por cima até então, em vantagem a equipa de Jorge Jesus chegou à tranquilidade. A superioridade nos duelos nas faixas laterais e a conquista do meio-campo, não só permitia aos encarnados criar mais lances de perigo como dominar e aniquilar as tentativas do FC Porto. Tentativas, sim, nunca passou disso. Os portistas sentiam falta de criatividade, imaginação, um rasgo de génio. Ao preferir Guarín a Belluschi, Jesualdo correra esse risco: com o colombiano e com Raul Meireles bem abaixo das últimas prestações, não havia como construir futebol de ataque. Pouco depois da meia-hora, podem queixar-se de um erro: Hulk foi derrubado por Peixoto, dentro da área, Lucílio Baptista mandou jogar.

Apesar desse lance polémico, um erro, o Benfica chegou ao intervalo na frente com toda a justiça. Senhores da bola, das oportunidades e do jogo, onde o tão desejado Ramires teve um papel determinante, os encarnados estavam perto da perfeição. Era, por isso, no lado oposto que teriam de surgir alterações. Obrigatoriamente. Jesualdo Ferreira percebeu que a estratégia inicial não resultara, deixou Guarín de fora e lançou Varela. Os portistas regressaram com outra atitude, com mais bola, conseguindo jogar no meio-campo adversário. O primeiro remate de real perigo surgiu, contudo, apenas aos sessenta e dois minutos: Álvaro Pereira tentou de longe, Quim atirou as pretensões de empatar para canto. Melhoria.

FC PORTO MELHOR, JESUS GUARDA O OURO

Por essa altura, o FC Porto mostrou-se, apertou o Benfica, rondou com perigo a baliza de Quim e procurou o golo do empate. Jorge Jesus, atento, percebeu que o seu meio-campo quebrara, não tinha o mesmo rendimento, dava espaços. Trocou, por isso, Urreta e Carlos Martins por Weldon e Luís Filipe. O jogo estava intenso, lutado, e os dois primeiros, tão importantes que foram na construção da superioridade encarnada, normalmente acusaram a falta de ritmo. Era tempo, então, de o Benfica reequilibrar a balança. O jogo entrou nos vinte minutos finais, os portistas tinham claramente melhorado mas os encarnados mantinham o controlo. De novo por lesão, Ramires deu o lugar a Felipe Menezes.

Lucílio Baptista errara na primeira parte, voltaria a estar mal à entrada dos quinze minutos finais. Christian Rodríguez impediu com o braço que a bola chegasse à cabeça de David Luiz, o árbitro nada assinalou. Jesualdo Ferreira tinha que lançar os trunfos de que ainda dispunha, era agora ou nunca, o FC Porto ambicionava algo mais na Luz. Entraram Farías e Belluschi, saíram Hulk e Raul Meireles. Imperou, porém, a Lei de Murphy: nada saiu bem ao FC Porto. Com as alterações, a equipa portista partida, procurou futebol directo, não resultou. O Benfica sofreu, soube fazê-lo, e garantiu a vitória. Com mérito, o jogo esteve longe de ser bem jogado mas os encarnados foram melhores. O Natal será, agora, mais descansado.

Categoria: Desporto

Ler o texto original

 

A Liga dos Campeões, primeiro. O FC Porto defrontará, nos oitavos-de-final, o Arsenal. De entre os possíveis adversários que compunham o lote, não se pode dizer que os portistas tenham tido azar. Neste momento, não há adversários fáceis, claro que não, mas este Arsenal está longe de fazer tremer como aconteceria com Barcelona ou Manchester United. A fase de grupos de 2008-09, duas épocas atrás, colocou ambas as equipas frente-a-frente: o FC Porto viveu um jogo de pesadelo em Londres - derrota por 4-0 - mas teve capacidade para terminar à frente dos ingleses, derrotados no Dragão por 2-0. Poderão os portistas ambicionar chegar mais além? Sim, sem dúvida, se conseguirem estar ao seu melhor nível. Até para vingar o sorriso de Arsène Wegner na goleada do Emirates Stadium.

Na Liga Europa, coincidência das coincidências, os adversários trocaram-se: o Benfica defrontará o Hertha de Berlim, opositor do Sporting na fase de grupos; os leões terão como opositor o Everton, equipa que se qualificou logo atrás do Benfica. Em teoria, nesta troca de rivais, foram os encarnados quem mais ficaram a ganhar: o Hertha, equipa que derrotou o Sporting na passada quarta-feira, está em último no campeonato alemão e já demonstrou algumas fragilidades que poderão ser bem exploradas pela equipa de Jorge Jesus, favorita nesta eliminatória. Na temporada transacta, o Benfica jogou, então na fase de grupos da Taça UEFA, em Berlim (empatou a um). O estado de ambas as equipas é, contudo, bem diferente e os encarnados têm tudo para seguir em frente.

Por outro lado, em relação ao Sporting, o Everton foi cilindrado na Luz e vencido em Liverpool pelo Benfica, mas tem mais potencial do que os alemães do Hertha de Berlim. As fragilidades que os leões possuem são bem conhecidas e, naturalmente, aumentam as complicações que a equipa portuguesa encontrará. Além do mais, é sempre indesejável defrontar adversários ingleses e este Everton, apesar de estar a fazer uma temporada abaixo do que era expectável (apenas no décimo quinto lugar), conta com jogadores de qualidade como Saha, Fellaini ou Tim Cahill que serão, por certo, perigos constantes para a equipa leonina. Por isso, só um Sporting transfigurado, mudado para muito melhor, procurando na Europa um escape para o fracasso interno, será capaz de derrotar o Everton.

« Página Anterior  |  resultados 1-10 de 20  |  Página Seguinte »
Segue-nosFacebook  Twitter  Blogger