Categoria: FCPorto

http://futebolartte.blogspot.com/2009/11/sul-nada-de-novo.html

 

Depois do bloqueio azul na sexta-feira foi a vez do Sporting ceder um empate em casa. Mas se o resultado do jogo no Dragão constitui noticia já a igualdade entre leões e maritimistas não é mais do que a confirmação que a nuvem negra instalada sobre a equipa de Alvalade tarda em dissipar-se. A classificação da equipa começa agora a ser adequada ao futebol praticado e, ao treinador, resta a tarefa de mentalizar dirigentes, jogadores e sócios que o titulo de campeão só poderá ser disputado, nesta ou noutra qualquer época, quando o Sporting jogar melhor do que Rio Ave, Nacional e União de Leiria, equipas que antecedem os leões na tabela.
Do jogo com o Maritimo fica a certeza de que nenhum outro treinador poderá levar este Sporting mais além. O tempo que um novo técnico levaria a conhecer o plantel reduziria as hipóteses da equipa terminar a Liga com uma pontuação digna do seu historial. Acresce que no plantel sportinguista, a meu ver, existem 5 jogaadores de nivel internacional, sendo que 2 deles estiveram de fora desta partida (Vukcevic e Izmailov).
Sobram Daniel Carriço, Moutinho e Liedson que se entregam aos jogos com a nobreza dos viscondes mas que se perdem no esforço de puxar por uma Corte onde os demais são bobos...! Poderão os adeptos queixar-se da sorte? Talvez, o lance de Caicedo ao cair do pano podia oferecer os 3 pontos e o golo de Manu acontece 1 vez...em cada duas vidas! Mas ao recordar as circunstâncias em que o Sporting alcançou as vitorias contra o Olhanense (depois de estar a perder por 2), Académica (Liedson "inventou" uma vitória) e mesmo o empate em Guimarães, percebe-se que a equipa não produz o suficiente para ganhar nem pressiona de maneira a evitar que o adversário concretize.
Paulo Bento não tem matéria-prima para ombrear com os 3 primeiros classificados, facto! Mas isso tem a ver com a preparação fisica e técnica que o próprio não soube promover. Os sportinguistas precisam de saber quem foi o mentor das contrataçoes efetuadas já que nenhuma delas merece unanimidade quanto á sua utilidade; foi gasta uma pequena fortuna na contratação de um jogador para uma posição salvaguardada por Moutinho, Vukcevic ou até mesmo Helder Postiga (que de ponta-de-lança tem cada vez menos), Angulo e Caicedo exilaram-se em Alvalade para continuarem as suas carreiras de futebolistas mas muito pouco futebol foi visto sair dos pés de qualquer um deles. Esta politica deixou a defesa sob o comando de Carriço que com 20 anos joga como se de um veterano se tratasse, entre Grimis, Polgas e Silvas é dificil não parecer sólido e raçudo.
Espera-se agora uma vitória contra os humildes letões na quinta-feira pois esse será a única forma da equipa conseguir levar alma e futebol a vila do Conde na próxima jornada. Caso contrário a "guerra fria" entre adeptos e direção tomará proporções nunca vistas no Alvalade XXI. Em Portugal alguns podem desejar que o clube perca o campeonato, poucos serão os que gostavam que o campeonato perdesse clube...!
Em Braga havia encontro marcado com a liderança e dele surgiu, por mérito próprio, um candidato ao titulo. A equipa de Domingos nada tem a ver, por exemplo, com o Leixões de José Mota. Não se prevê deserção de peças chave do 11 titular como aconteceu com Wesley, principal figura dos leixonenses. O Braga tem uma estrutura estabilizada, para a qual muito contribuiram os técnicos que agora comandam o segundo, terceiro e quinto classificados. Diria até que esta equipa tem tanto de Jesuldo, Jesus e Machado como de Domingos Paciência. Todos contribuiram para a estabilização de um clube entre Clubes, de uma marca já com cotação europeia e de uma massa associativa que começa a assumir o Sporting local como clube do coração.

Do que se passou dentro de campo há duas ideias a reter, uma positiva e outra á qual o futuro se encarregará de responder: o sporting de Braga, em termos colectivos tem capacidade para disputar o jogo com qualquer adversário ao que se pode acrescentar alguns jogadores que individualmente podem colocar a equipa em vantagem quando esta não é justificada pela estatistica. Contra o Benfica, os arsenalistas, pelo pé de Hugo Viana viram-se na frente do marcador e souberem através do empenho, da raça e da virilidade demonstrada manter o adversário em sentido, levando-o mesmo a perder a clarividência em alturas determinantes do jogo. A questão é que o Braga só voltará a encontrar o Benfica uma vez, nas próximas 21 jornadas. Será credível que esta atitude guerreira, empenhada e cinicamente eficaz venha ao de cima em jogos menos "populares" e nos quais os jogadores não estejam na "montra" televisiva a mostrarem-se para milhões de espectatores? Em Vila do Conde isso não aconteceu....tem a palavra Domingos Paciência.
O Benfica perdeu a batalha de Braga mas jogou o suficiente para deixar os adeptos com a equipa. Tal como no empate da 1ª jornada não foi a letargia ou a incapacidade de desiquilibrar no ataque que roubaram pontos á equipa mas sim, um adversário feroz e hiper-motivado, uma noite desligada das balizas e um árbitro sem caráter que, para manter seu critério aquando do lance anulado a Luisão teria de sistematicamente marcar faltas sempre que houvesse contato entre jogadores dentro das áreas. Tal não aconteceu, nem o Benfica poderá esperar dos árbitros um tratamento coerente em todos os jogos. Até porque foi este mesmo árbitro, o primeiro português a apitar um encontro da equipa de Jorge Jesus (Benfica 4 - 0 Portshmouth) e logo aí se viu a necessidade da equipa encarnada ser bastante superior ao adversário para que as "encomendas" do costume não pusessem em causa a vitória da equipa. Não foi, certamente, Jorge Sousa a oferecer os 3 pontos ao Braga. Há muito mérito minhoto no resultado final. Como não foi Jorge Sousa a inventar um penalty em Leira como é desonestamente afirmado por quem não sabe assumir o valor da equipa de Jesus.
A verdade é que da 9ª jornada resultam 2 certezas: as exibições do Sporting Clube de Braga serão, apartir de agora, escrutinadas como se de um candidato ao titulo se tratasse. A pressão será maior quer para a equipa minhota quer para a equipa de arbitragem que terá milhões de olhos em cima, ansiando que a proteção aos bracarenses termine, ou pelo menos, seja menos evidente.
Certo é, também, que os candidatos ao titulo continuam a ser 3...embora nenhum deles seja o Sporting Clube de Portugal.
 
 
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